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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Francisco:
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March 28 2009, 1:50pm | Comments »
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UMA BIBLIOTECA NUMA SÓ FOLHA
http://dererummundi.blogspot.com/2009/03/uma-biblioteca-numa-so-folha.html
Minha crónica no "Sol" de hoje (na foto, a Bíblia antiga de onde foram aproveitadas as imagens impressas em papel fotocrómico):Quando, durante um colóquio associado à exposição “A Evolução da Bíblia”, patente na Sala de S. Pedro da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, perguntei a Elvira Fortunato, a premiada investigadora da Universidade Nova de Lisboa, se, no futuro, com a ajuda da tecnologia dos transístores em papel que a sua equipa está a desenvolver, seria imaginável colocar não apenas uma Bíblia mas toda a Biblioteca do Colégio de S. Pedro, contendo milhares de volumes, numa única folha de papel, a resposta foi afirmativa.Sim, nós poderemos. E já podemos hoje coisas que antes não sonhávamos serem possíveis. Ela própria tinha acabado de efectuar uma demonstração prática, mostrando como uma estampa de uma Bíblia antiga poderia aparecer e desaparecer num papel especial, chamado fotocrómico, onde tinha sido impressa com a ajuda de uma vulgar impressora de jacto de tinta. Poderemos também colocar imagens animadas sobre uma folha de papel, fazendo com que um jornal mostre não apenas texto e imagens paradas, mas também, com a simples pressão de um dedo, alguns vídeos associados às notícias.Não deixa de ser irónico que, tendo ocorrido nos últimos tempos um processo de desmaterialização dos livros que levou a que muitos deles deixassem de ser em papel para passarem a ser electrónicos, aparecendo e desaparecendo num ecrã, agora os livros electrónicos possam aparecer e desaparecer num ecrã de papel. E é igualmente irónico que, existindo hoje oposição entre a imprensa escrita e os media audiovisuais, no futuro as duas formas de comunicação possam coabitar no mesmo suporte, deixando até de se distinguir nitidamente uma da outra.Qual será, neste quadro, o futuro dos livros tradicionais, com letras impressas em papel? Estou em crer que vão continuar a existir. Apesar das fantásticas possibilidades entreabertas por Elvira Fortunato e seus colegas, será sempre um prazer inigualável tirar, numa velha biblioteca como a do Colégio de S. Pedro, um livro da estante, pegar-lhe, abri-lo e virar vagarosamente as suas páginas...
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March 28 2009, 7:38am | Comments »
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Twitter: perguntas com resposta
http://pauloquerido.pt/tecnologia/twitter-perguntas-com-resposta/
Aproveitando uma entrevista que me foi feita há dias, eis um conjunto de perguntas sobre o Twitter com resposta para toda a gente ler, independentemente do seu grau de conhecimento sobre o serviço ser nenhum, algum ou muito. P. As pessoas reduzem o Twitter a «uma mistura de blog, messenger e SMS». A fórmula é simples e não particularmente inovadora. Partamos do princípio de que estamos a falar para analfabetos: porque raio é que é uma ferramenta tão atractiva? R. Pela versatilidade e simplicidade. As outras redes sociais pesam e complicam. E são lentas. O Twitter é leve, ubíquo (usas no computador, no telemóvel, no gadget…), instantâneo, viral.
P. De que forma é que um anónimo se pode tornar um twitter influente? Há técnicas para atrair seguidores? R. A fórmula para a influência é sempre a mesma: trabalho, valor acrescentado, perseverança e humildade. O Twitter não é diferente das outras redes e meios de comunicação. É igual. Apenas mais simples, versátil e rápido. O que distingue os meios online é precisamente o acesso aberto a pessoas sem o dinheiro necessário para montar um jornal, revista ou rádio. Técnicas para atrair seguidores, há algumas. Mas o seu uso pode ser perigoso, como se tem comprovado com as empresas, que curiosamente não aprenderam a lição dos blogs e insistem em cometer os mesmos erros. P.Achas que o Twitter, pela forma como está a ser usado por alguns políticos portugueses, poderá mudar a nossa relação com a vida política? R. Acho. Os exemplos começam a notar-se. Penso que o Twitter pode levar um pouco mais longe a revolução que a auto-edição — os blogs — já tinha introduzido no relacionamento do triângulo política - meios - cidadãos. O empowerment — talvez um pouco empolado no início — é real e está bem patente na quantidade de novas vozes que se fazem hoje ouvir no espaço público. O Twitter alia à capacidade viral — maior que em qualquer outra rede que eu tenha visto, é fogo! — a capacidade de debate, de troca de ideias. A obrigatoriedade dos 140 caracteres por mensagem é uma benção: obriga a passar a ideia, descartando os salamaleques e deferências. Depois, não há mediação, humana ou tecnológica. O que é, é. Isto significa, por outro lado, que o Twitter é mais adequado às pessoas que tenham da política uma visão aberta, e nada adequado a quem foi treinado para olhar as relações de uma forma vertical. As redes sociais serão instrumentos indispensáveis à actividade política democrática moderna: permitem tomadas de decisão rápidas e adequadas, pois aceleram e facilitam a comunicação entre os decisores e os alvos das decisões. Pessoalmente, penso ainda que a espontaneidade dos cidadãos tem nas redes sociais um púlpito e no Twitter a rede de comunicações necessária às acções de massas. A devolução, por assim dizer, da espontaneidade ao espaço político, de onde foi afastado pela rigidez das marcações próprias do espectáculo mediático. A prova: o movimento que em Fevereiro surgiu e culminou num petição para que Marcelo Rebelo de Sousa fosse cabeça de lista do PSD às europeias. Ironicamente para Marcelo, tornou-se o sujeito do primeiro facto político criado por cidadãos sem nome nos — nem acesso aos — meios tradicionais.
P.Não param de aparecer estudos que condenam as redes sociais, associando-as a mudanças hormonais, risco de cancro, demência, ataques cardíacos e o diabo a quatro… Como reages a isto e o que achas que se pretende realmente com esta visão apocalíptica? R. Esse é o trabalho dos cientistas sociais. É óptimo que o desenvolvam e aprecio em especial o facto de hoje já o fazerem em tempo útil. Na primeira década da web andámos às escuras, sem o apoio dos estudos. É claro que se produzem estudos para todos os gostos e é saudável que assim seja. A vida é complexa e contraditória. Talvez alguns tenham um prazer especial em projectar a sua ignorância, quando não ódio, sobre o que identificam erradamente como o inimigo — tudo o que mexe na Internet –, escudando-se nos estudos negros, que realçam sob o pretexto da notícia. Admito que há casos desses, vi-os já este ano nas nossas televisões, mas considero-os irrelevantes e anedóticos. Como tal, fazem parte. P.A Susan Greenfield, que se fartou de tecer acusações desse tipo, disse qualquer coisa como «receio que a conversação real seja substituída por diálogos fáceis e higiénicos no ecrã – da mesma forma que a caça foi substituída por embalagens de carne no supermercado. Talvez as gerações futuras reajam com a mesma repugnância à imprevisibilidade e envolvimento pessoal imediato de uma interacção real». Na tua opinião, estará o ‘poder das feromonas’ em risco? R. Vou responder simplesmente isto: LOL. P.E será que nas redes sociais nos tornamos todos muito mais atraentes? R. Como? Onde? Também quero! Não. A base tecnológica das redes sociais de que estamos a falar não tem mecanismos para nos modificar a imagem. As redes sociais expõem os indivíduos uns aos outros como eles são. As projecções, nestas como nas redes sociais de outras bases, podem sempre ocorrer. A diferença é que aqui são mais depressa desmistificáveis. P.Outra acusações prendem-se com a ideia de que tudo é um negócio. Já se falou da relação entre o Facebook e o fornecimento de dados dos utilizadores aos seus anunciantes. Há dinheiro por detrás do Twitter? R. Há, a rodos. Há semanas a empresa por detrás do Twitter recebeu um suplemento de 15 milhões de dólares, se não estou em erro, do capital de risco americano. Eles não pediram financiamento: nesta altura não precisam e disseram-no claramente. O dinheiro foi ter com eles por iniciativa própria. Quanto às acusações: claro que é tudo um negócio. As indústrias culturais, incluindo o entretenimento e a informação, são negócios. Já eram negócios antes da Internet. Essas são as queixas típicas dos perdedores. Gosto mais dos novos players destas indústrias, a começar pela musical, que dos antigos, dos analógicos. O digital é menos propício ao roubo e à exploração do consumidor. P.Tenho para mim que o Facebook é uma espécie de Hi5 em versão mais adulta e para pessoal que se considera mais sofisticado. O que faz com que haja diferenças entre os utilizadores de uma rede e de outra? O que determina estas tendências? R. As mudanças são determinadas por 3 coisas. A menos importante é o interface. Um site com uma imagem adequada a adolescentes atrairá maior número deles que um site com apresentação sóbria. A segunda é a utilidade. O que podemos fazer no — mas também com o — serviço ou rede. Um adolescente consome e explora, um jovem adulto quer mostrar o seu valor, um adulto procura grupos de interesses. A terceira é, provavelmente, a mais importante, ainda que a sua importância esteja sub-avaliada. É o tempo. A fase de evolução em que cada sociedade, ou país, se encontra, numa escala que combina a informática (modelos mais ou menos modernos dos computadores) com o acesso à Internet em banda larga e com a taxa de penetração de ambas. P.Julgo que o espírito de «conhecer pessoas via internet», o clássico «de onde teclas?», tem vindo a passar de moda. Porque é que isso aconteceu e qual será agora o maior objectivo de quem usa estas ferramentas? R. De notar que há já gerações activas no mercado de trabalho que tinham Internet em casa aos 6 anos. O “dd tc” foi para elas igual ao “olá, quantos anos tens?” da primária. A demografia é a explicação para isso (como para tantas outras coisas). O objectivo depende muito da fase. Há 10 anos os internautas dividiam-se em dois grandes grupos: uma pequena minoria de geeks, que “faziam” a Internet e a informática e que gozaram de grande prestígio pois que a eles recorriam todos os outros, a maioria que estava toda no mesmo patamar de conhecimento. Hoje o segundo grupo não existe. Pulverizou-se em dezenas de sub-grupos. Assim, cada grupo tem 1 grau de conhecimento diferente. O meu grupo, o dos jornalistas que gostam de programar, tem o objectivo de alargar a sua audiência e sofisticar o relacionamento com elas, sem deixar de olhar para os sítios de onde chega o futuro. Quem acabou de aderir ao Facefook vai à procura dos seus conhecidos e de grupos para começar a integrar-se. P.Será que alguma vez estas ferramentas de comunicação irão passar à história? A pergunta é lixada, mas… o que se prevê para o futuro? R. Qual é a escala? Todas passarão à história mais tarde ou mais cedo. O que sei: a capacidade computacional e de arquivo de informação é hoje bastante maior do que a imaginação humana é capaz de usar, logo espero uma explosão de criatividade sem par na História. Uma ilustração? Para editar uma página na web, há 10 anos, era preciso saber algo de HTML e FTP. 5 anos depois, bastava saber usar o browser e o rato. Hoje eu monto a minha própria rede social sem precisar saber uma linha de programação. Aplicações complexas, acessíveis apenas a grandes equipas de programadores, hoje são módulos utilizáveis, quais peças Lego, por 1 criança a brincar às mercearias (virtuais). Para os próximos 3 a 5 anos devemos esperar verdadeiros avatares — não a fotografia ou imagem que hoje passa por avatar, mas “representantes pessoais” ainda relativamente toscos, que (inter)agirão em nosso nome no espaço comunicacional difuso, emitindo mas sobretudo recolhendo e separando. Devemos esperar imersão total na comunicação e, desta decorrente, o fim de qualquer ilusão de privacidade para quem mergulhe. Devemos esperar a união do espaço comunicacional num único meio difuso e ubíquo: e-mail, blogs, jornais, televisão, mensagens pessoais, privadas ou públicas, socialização, etc, tudo em qualquer aparelho, tecnologia de transporte, e lugar. Devemos esperar muito mais do que eu sou capaz de imaginar, quanto mais responder aqui :) Nota: artigo publicado em acordo com TwitterBlog
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March 27 2009, 4:00am | Comments »
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A “praga” da Internet vitima agora o informáticos
http://pauloquerido.pt/tecnologia/a-praga-da-internet-vitima-agora-os-tecnicos-de-informatica/
A primeira vítima da partilha digital foi a indústria musical, já lá vai uma década. O cinema temeu o pior e, talvez por ter reagido cedo, escapou. A seguir foram os jornais a declararem-se vítimas da Internet, essa “praga” que supostamente destrói a capacidade de lucro das indústrias culturais. A próxima vítima chama-se indústria da informática. Mais propriamente, os técnicos e programadores. Os despedimentos na indústria informática dispararam. Despede-se mais que nos meios de comunicação social, só que, ao contrário deste sector, há algum novo emprego. Da Microsoft à IBM à Google passando pela Texas Instruments, Philips, Cisco, Pioneer e Dell, nos dois últimos meses foi um corropio de despedimentos (um quadro possível aqui). Sub-noticiados, em função do seu menor apelo mediático. É claro que “a crise” é apontada como a grande responsável por este ajustamento. Mas olhar assim para o problema equivale a ter a mesma atitude que custou o domínio do mercado mundial da música às antigas editoras majors: ignorar os avisos, como faz a avestruz, não é boa ideia. Na verdade, à medida que os serviços informáticos se espalham pela Internet, os programadores estão cada vez mais no mesmo barco que os outros produtores de conteúdos culturais e de entretenimento. Um barco chamado “de onde virá o próximo salário”. A praga da Internet decorre do seu extraordinário poder produtivo enquanto fábrica colectiva global que é simultaneamente rede de distribuição. Com milhões de processadores incansáveis e grátis, software de fábula grátis e milhões de seres humanos a usá-los, a Internet gera abundância nunca vista. Primeiro, veio a abundância da cópia. Músicas aos milhões, puxáveis por ínfimas fracções de euro (a ligação à Internet tem, apesar de tudo, um preço). Depois, veio a abundância de informação e entretenimento. Recolher os elementos, produzir uma notícia E DIVULGÁ-LA tornaram-se actividades ao alcance económico de qualquer pessoa. Para editar um blog nem é preciso saber escrever, basta saber apontar um rato e carregar num dos dois botões. Os media gemeram. O Caterpillar da abundância atinge agora a programação de software. Com nos blogs, basta saber usar o rato para juntar peças e criar um “programa” para produzir resultados. Um programa partilhável, que outros poderão utilizar, reutilizar, manobrar. Sem que nenhum programador tenha de mexer um dos seus bem pagos dedos. Não falo apenas de sistemas como o fantástico Pipes, da Yahoo!, ou o arsenal de aplicações da Google prontas a enfiar em qualquer página ou site. Várias empresas competem na arena das widgets — pequenas “caixas” com conteúdos ou serviços que são distribuidas e redistribuidas pelos próprios utilizadores. Subindo um pouco — mas não muito — na escala do conhecimento: hoje um programador amador ou hóbista (como é o meu caso) pega em conjuntos de rotinas previamente empacotadas e produz aplicações que até meses atrás só estavam acessíveis a profissionais de alto nível. Assim, tarefas que antes da Internet estavam profissionalizadas e podiam render bons salários, são hoje acessíveis, a custo zero virtual, a praticamente qualquer QI acima de macaco. Duas consequências, a primeira observável desde logo, a segunda a médio prazo. Primeira: as respectivas classes profissionais sofrem no ego a degradação do reconhecimento social e na carteira a degradação da economia das respectivas indústrias. Quanto mais inflacionado estivesse o nível do ego colectivo, pior (muitos jornalistas ainda se acham deuses superiores, apesar de em muitos casos não se distinguirem do cidadão informado e de raciocínio capaz). Segunda, ocorrerá uma triagem, que separará tais classes em vários níveis conforme o seu grau de adaptabilidade às novas circunstâncias. Que comportam tanto de ameaça quanto de oportunidade. Programadores que hoje se acham parte de uma elite terão de procurar o ganha-pão nas zonas do fraco valor acrescentado, na parte nada nobre da programação a retalho, assim ao nível do ajudante de mecânico, comparando com o mundo automóvel. Isto a maioria, enquanto as minorias subirão na escada do valor passando aos macro-serviços. Tal como sucede na indústria da música e no jornalismo, actividades onde continuamos a assistir ao pungente fingimento de que tudo está na mesma, também entre a indústria da informática teremos, não tarda, o grupo dos negacionistas — os que dirão que “a crise” é a única responsável pelos despedimentos e restruturações e que, mal o dinheiro volte a jorrar, retomarão os antigos privilégios. Más notícias para eles: não, não retomarão privilégios. O tsunami do amadorismo varrerá também essa praia. Paulo Querido, jornalista
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March 22 2009, 3:50am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
O verdadeiro “campeonato” do Twitter
http://pauloquerido.pt/tecnologia/o-verdadeiro-campeonato-do-twitter/
Este ano começou sob o signo do Twitter. Uma verdadeira febre assaltou os jornais e televisões, não se passa uma semana sem um artigo, notícia ou reportagem sobre o fenómeno e, por arrasto, os social media. Só um ermita mal informado pode achar que este media frenzy em torno do Twitter é exclusivo nacional e não passa de uma borbulhenta “moda”. Depois da mediática e da política, também a América do dinheiro vive fascinada com os gráficos de crescimento mais empinados de que se recorda. Em Fevereiro, dados da ComScore, 4 milhões visitaram o site a partir dos Estados Unidos, contra 2,6 milhões no mês anterior. Uma taxa de crescimento de 55% AO MÊS, comparada com os 33% registados em cada um dos 2 meses anteriores. Um disparo brutal. E o site só representa uma parte da utilização. A maior parcela, mas uma parcela que andará pelos 40% apenas; o resto do uso do serviço vem por centenas de outros interfaces, muitos dos quais em aparelhos móveis, que rivalizam no acesso através da API - o mecanismo que permite a essa legião de terceiros construir serviços e produtos em cima do Twitter. (Eu, por exemplo, uso o TweetDeck, um programa mais versátil que me permite organizar as minhas 3.700 fontes; e injecto informação - como os títulos dos artigos que escrevo aqui no Expresso - através de mais dois serviços, um dos quais feitos à mão.) A febre mediática passou o Atlântico, a caminho do Brasil, onde na semana passada a quantidade de notícias disparou por seu turno. Enquanto nestes países o interesse se resume a “o que é o Twitter” e “para que serve o Twitter”, nos EUA os últimos dias foram dominados por assuntos bem mais caros, digamos assim. A confirmação de rumores antigos sobre a tentativa de aquisição por parte do Facebook, num negócio que ascenderia a 500 milhões de dólares, e os rumores, estes frescos, de um alegado interesse da Google que o CEO Eric Schmidt não confirmou nem desmentiu, estiveram na ordem do dia. Contudo, mais que as alucinadas verbas com que os jornais e blogs sempre se encantam nestas situações, outros elementos surgiram na última semana, indicando qual é, afinal, o “campeonato” do Twitter.
Não queremos mais capital Comecemos por dizer que o Twitter não tem receitas. Ninguém entendeu, ainda, de que pode o Twitter sobreviver quando se acabar o capital de risco. Aparentemente, os menos incomodados com a situação são os detentores de dinheiro. Apesar das polidas recusas dos fundadores, Jack Dorsey, Biz Stone, e Evan Williams, que dizem viver bem com os 20 milhões de funding iniciais, as empresas de capital de risco saltitam em torno deles com cheques na mão. Mas um homem não é de ferro e o financiamento vai agora em 55 milhões. Os experts “aconselham” Williams, o CEO, e Stone, a figura pública, a meter publicidade nas páginas. Os desenvolvedores de aplicações e serviços pedem, por favor, para pagar! Querem mais acesso à API, que tem limites de utilização muito duros. (Eu estou, muito humildemente, neste grupo: disposto a pagar uns dólares mensais para ter mais de 100 acessos por hora àquela maravilhosa base de dados.) Mas o Twitter continua sem receitas e a fazer orelhas moucas a todos. Porquê? Há dias uma das figuras conhecidas dos social media, Jason Calacanis (CEO da Mahalo), disse que pagava 125.000 dólares por ano, adiantando 250.000 por dois anos em cheque ao portador, simplesmente para ter o seu nome de utilizador numa página nova que o Twitter passou a mostrar aos novos utilizadores no final do processo de inscrição. Uma página contendo 100 sugestões de utilizadores a “seguir” (no Twitter não há “friends” como no Facebook e outras redes, mas sim “followers”). Estalou uma discussão sobre se Calacanis estaria doente, se era um golpe de marketing, ou se devia ser levado a sério. Para começo de conversa: ele propôs a compra directamente a Evans, só depois o disse publicamente. Estava a sério. Contas?
Não queremos o Superbowl “Acredito que no prazo de 5 anos cada lugar do top 20 da lista de recomendações valha 1 milhão por ano“, escreveu Calacanis, equiparando o Twitter ao intervalo do Superbowl. Erick Schonfeld interpretou no TechCrunch (How Much Is A Suggested Slot On Twitter Worth? Jason Calacanis Offers $250,000 ): “Calacanis pretende fixar o preço agora pois acredita que é uma grande oportunidade de marketing. É vulgar as pessoas da lista de sugestões ganharem 10.000 novos “followers” por dia. Isto dá 3,6 milhões por ano e mesmo que metade deixe de subscrever, ainda resta um canal directo para mais de um milhão de potenciais clientes. E clientes que sentem uma ligação com a pessoa por causa da natureza pessoal das mensagens no Twitter“. Eu não compro metade da explicação, mas ainda resta alguma coisa… Foi mais ou menos o que escreveu a seguir Michael Arrington, um dos homens mais bem informados acerca das novas oportunidades. O Techcrunch é uma das contas que passou a figurar na lista das recomendações. Números. Num mês a conta do Techcrunch no Twitter mais do que triplicou a audiência, de 65.573 a 11 de Fevereiro para 217.187 no dia 12 de Março. O tráfego para a publicação oriundo do Twitter aumentou também, mas menos: cerca de 20%. Ao contrário do que os “novos gurus” dos social media andam a vender aos embasbacados clientes, brandindo as manchetes dos jornais para se justificarem, a reputação online não é um pacote de pudim instantâneo. É preciso uma montanha de pudim, um rio caudaloso e mexer durante meses ou anos. Os clientes antigos do Techcrunch valem mais que os recém-chegados, que ainda não têm um(a sensação de) relacionamento com Arrington e a sua marca no Twitter. Mas sempre são 150.000 páginas por mês que a conta no Twitter, alimentada a 140 caracteres de cada vez, proporciona ao Techcrunch. É dinheiro. Apesar de ser dinheiro, Williams não aceitou o cheque de 250.000 dólares de Calacanis. Porquê? Queremos uma fatia do bolo da Google A resposta pode ser bastante simples. Resumível numa única palavra. Qual é a actividade na Internet que mais lucros gerou a uma empresa, tornando-a mesmo num colosso financeiro global? A pesquisa. A Google. O Twitter aponta ao campeonato da pesquisa. O Superbowl é pouco para ele. Feche a boca do espanto, leitor, e escute a minha história. Que é comum a milhares. Há cerca de 3 meses o meu consumo de pesquisa no Google começou a baixar. Desde que incorporei na barra de pesquisa, no canto do meu browser, os resultados da Wikipedia e do Twitter. Uso cada vez mais este último. A pesquisa no Twitter é, ainda, demasiado simples. Não é universal, no sentido em que há temáticas com belos resultados e temáticas deficientes. Mas o Google também começou pela simplicidade e quem se recorda desses tempos sabe que o Altavista era mais eficaz fora das áreas técnicas. O desenlace foi rápido - mas não se pode dizer que a culpa tenha sido da Gogle: basicamente, o Altavista deixou-se dominar, impotente, pela indústria do sexo, que conspurcou (é o termo) os resultados usando técnicas que depois a Google viria a “branquear” chamando-lhes de “optimização”. Os resultados do Twitter têm uma GRANDE vantagem sobre os resultados do Google e, adicionalmente, uma vantagem não tão grande. A grande: são produto exclusivo da filtragem humana. A pequena: funcionam em tempo real. Nenhum conjunto de algoritmos - nem mesmo os mais brilhantes de todos, que são os da Google - conseguiu ainda superar o julgamento humano. Nem em qualidade nem em rapidez. As nossas sinapses são simplesmente melhores. E praticamente instantâneas. Assim, defendem alguns, os resultados de uma extraordinária máquina de atenção humana - isto é, o Twitter - são não apenas melhores a eleger os conteúdos de maior valor como mais rápidos, sendo produzidos em tempo real. Para mim, funciona. Mas em grande medida porque o eixo dos meus interesses passa pelos assuntos mais populados no Twitter: o Twitter ele próprio, a indústria informática, a web, o design, os acontecimentos internacionais, as energias alternativas, a política americana e portuguesa. Nestes campos, seguir o meu conjunto de fontes e ocasionalmente efectuar pesquisas no universo mais alargado do Twitter faz-me perder menos tempo a encontrar a informação certa. Na realidade, no Twitter não procuramos a informação; programamos uma rede de fontes para nos alimentarem continuamente, 24 horas sobre 24 horas, um caudal ininterrupto do que está a acontecer e do que é melhor. Mas isso já é desviarmo-nos do assunto.
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March 22 2009, 3:00am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O CAMPEONATO MUNDIAL DO MAGALHÃES
http://dererummundi.blogspot.com/2009/03/o-campeonato-mundial-do-magalhaes.html
Segundo o sítio da TSF de 12 de Março passado, o primeiro-ministro português José Sócrates teria dito, durante uma viagem oficial a Cabo Verde:«Portugal deseja ser, nos próximos meses, o primeiro país do mundo em que todas as crianças que estudam no primeiro ciclo do básico têm acesso a um computador individual. Gostaríamos imenso que Cabo Verde fosse o segundo».Estranha aspiração esta não só de ganhar o "Campeonato Mundial do Magalhães" mas também, com a entrega de 12 000 Magalhães a Cabo Verde, de escolher quem fica em segundo. Talvez a Venezuela fique em terceiro.Cada um deve, como é óbvio, poder escolher os campeonatos que quer ganhar. Mas eu pergunto-me: O que pensarão os países mais desenvolvidos de uma competição mundial em que os três primeiros classificados são Portugal, Cabo Verde e a Venezuela?
March 18 2009, 11:18am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O Top Ten da tecnologia
http://dererummundi.blogspot.com/2009/03/o-top-ten-da-tecnologia.html
Segundo a British Science Asociation este é o "top ten" da tecnologia que mudou as nossas vidas:1- GPS2- O Walkman da Sony3- O código de barras4- A comida rápida5- A Playstation6- As redes sociais na Internet8- As mensagens de texto (SMS)9- O dinheiro electrónico (cartão de crédito)10- Sapatos de ténis.Para mais informações ver aqui.
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March 15 2009, 8:39pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
O Magalhães de Barreto (reprint)
http://pauloquerido.pt/tecnologia/o-magalhaes-de-barreto-reprint/
(Este é um post convidado, da autoria de Pedro Rolo Duarte, que amavelmente cedeu à minha pretensão de o republicar. Para que conste. Leia abaixo ou no blog do Pedro , para mim tanto faz. Desde que leia.) Tenho por António Barreto o respeito que nos deve merecer quem se dedica a pensar Portugal – e o faz com devoção e rigor. Enquanto editor da revista K, privei com ele e publiquei algumas das excelentes matérias que produziu para a revista. Desse tempo ficou-me a ideia de uma incompatibilidade primária entre o sociólogo e as novas tecnologias. Recusou o telemóvel durante anos, e fazia questão de tornar público esse ódio de estimação… Não surpreende, portanto, que chegado a 2009, António Barreto proclame nas páginas da Ler: «Da maneira como o Governo aposta na informática, sem qualquer espécie de visão crítica das coisas, se gastasse um quinto do que gasta, em tempo e em recursos, com a leitura, talvez houvesse em Portugal um bocadinho mais de progresso. O Magalhães, nesse sentido, é o maior assassino da leitura em Portugal». Diz mais: o Magalhães «foi transformado numa espécie de bezerro de ouro da nova ciência e de uma nova cultura, que, em certo sentido, é a destruição da leitura». Ora, que António Barreto mantenha essa má relação com a tecnologia parece-me divertido e compõe a personagem. Mais grave é vê-lo falar do que não sabe. Desta vez, o sábio demitiu-se. A introdução no sistema de ensino, com maiores ou menores problemas de produção e distribuição, do computador Magalhães, é talvez a mais relevante medida social deste Governo no que à educação diz respeito. Equipara as famílias pobres às médias – aquelas onde o computador e a internet estão já ao nível do televisor ou do DVD. Ou seja: coloca potencialmente todos os alunos num patamar semelhante de acesso à informação. Misturar este facto com a cultura do livro nas escolas é mais ou menos o mesmo que relacionar a nossa atávica iliteracia com o advento da televisão ou da rádio… Do Magalhães ao livro vai a distância da terra à lua – porque não será a ausência de computadores que aproximará os estudantes dos livros, mas também não será a sua existência que os afastará. Pelo menos, convenhamos, dará acesso à informação - logo, à possibilidade da escolha. A Internet, as novas tecnologias, estão a mudar a forma como vivemos, como consumimos informação, como nos relacionamos uns com os outros. Podemos criticar, estranhar ou mesmo rejeitar o “processo revolucionário em curso”, mas ele é não apenas imparável como irreversível. Não ver isto é como não ver. Ponto. Neste quadro, o “processo Magalhães” só é comparável, do meu ponto de vista, à electrificação dos caminhos, das aldeias, do país. É a abertura de uma óbvia e inteligente porta para o futuro. O resto, como desde sempre, é tarefa dos pais e dos educadores. Não lê quem tem ou não tem Magalhães – lê quem quer, quem pode, e quem foi estimulado para a leitura. Assim foi, assim será. PS – De passagem: não foi por ter um telemóvel aos 7 anos, um computador e internet aos 8, e uma playstation aos 9, que o meu filho deixou de ser, como é, um compulsivo leitor de livros (como eu nunca fui…). E não é por ter acesso permanente à net na sua escola, aos 13 anos, que ele deixa de andar sempre com um livro debaixo do braço. Pedro Rolo Duarte
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March 12 2009, 1:11pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Nasceu uma publicação portuguesa sobre Twitter
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O webservice Twitter conheceu no início de 2009 um grande impulso de popularidade. Atingiu a massa crítica suficiente para atrair os media — e entrou numa espiral de atenção por vezes disparatada. Apesar disso, e por paradoxal que pareça, não existia ainda uma publicação portuguesa dedicada ao Twitter. Os novos utilizadores — que chegam agora às dezenas — vão recebendo alguma informação dos mais adiantados, muitas vezes sob a forma de links para os manuais, how-tos, normas e regras em inglês e para públicos um pouco mais evoluídos. Quando lancei o TwitterPortugal, está a fazer um ano, tinha em mente simplesmente agregar alguma informação sobre os utilizadores portugueses e criar um “ponto de encontro” rudimentar, onde pudessem os recém-chegados descobrir afinidades e apoio para criarem as suas redes. Não me preocupei — nem me preocupo — com modelos de negócio, nem sequer coloquei anúncios. Nem tudo na vida tem de ter um modelo de negócio escarrapachado; podemos fazer projectos apenas pelo prazer — ou ter um plano um pouco mais sofisticado do que explorar as migalhas com que a Google brinda os autores de conteúdos. Para não mencionar as empresas ainda piores que a Google. Em Janeiro — e em boa hora — decidi abrir um wiki para servir de apoio às TwitListas, uma espécie de páginas amarelas muito simples, com uma auto-organização básica. O wiki tornou-se bastante popular. O que me encorajou a dar o passo lógico seguinte: publicar alguma informação sobre o Twitter e o seu uso, que seja sobretudo acessível aos iniciados, sem perder de vista os públicos mais experimentados, para os quais reservamos dados estatísticos, relatórios e artigos de fundo. O Raul Pereira, que vai editar a maior parte deste blog, é um twitter antigo e traquejado, além de um bom autor e blogger, com vasta experiência acumulada. Aderiu entusiasticamente à minha ideia — e eis lançada uma publicação, ou blog se preferirem, exclusivamente dedicada ao Twitter, com particular atenção à língua portuguesa e às linhas de evolução dos dois lados do Atlântico. O Alexandre Gamela, jornalista com um conhecimento profundo dos meios sociais e também antigo no Twitter, juntou-se para formar um trio que, espero, venha a marcar informativamente esta área. Começamos devagar. O blog iniciou-se esta terça-feira ainda com a tinta fresca no desenho gráfico e ainda sem algumas funcionalidades básicas, como… os botões para partilha e following no Twitter! Virão nos próximos dias, portanto mantenha-se atento. Aqui na web, no seu agregador RSS favorito ou no Twitter através da conta oficial, @TwitPortugal, ou das nossas, @PauloQuerido, @Raul_Pereira e AlexGamela. PS: o que eu não sabia, quando lancei mais esta publicação digital, é que seis horas depis do primeiro post ela viria a ser integrada no naipe de blogs convidados do Público!
March 12 2009, 3:30am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Você, leitor, quer passar-se?
http://pauloquerido.pt/tecnologia/voce-leitor-quer-passar-se/
Você, leitor, quer passar-se? Completa, total, irredutivelmente? Passar-se a sério? Então gaste 8 minutos do seu tempo para se passar. Não me responsabilizo pelo eventual regresso à órbita da realidade. Boa viagem.
(via João Bordalo)
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March 11 2009, 7:02pm | Comments »



