É uma história de espantar. Há os que acham engraçada e, claro, os que vêem nela (mais) um sinal do apocalipse ou, talvez pior, da decadência moral da web 2.0. Mas é uma história engraçada, própria de um domingo à tarde se quiserem. É a história de @joelysandra, o Twitterherói, como titulou o Pedro Aniceto, que é o narrador improvisado e competente da história que se passou entre o Twitter e algumas cidades da periferia de Lisboa, culminando nos estúdios da RTP e na caneta que Alberta Marques Fernandes segurou na parte final do noticiário das 18, na RTPN. Respigo um aperitivo, vão depois ler a história na fonte. “Não sei onde é que a Alberta tem o computador, deve estar ali debaixo do balcão, ela vai-se safando entre os pingos de chuva do trabalho que cumpre sem desfalecimento. Gracejo. Digo-lhe que é nestas alturas que percebo a falta que me faz um televisor HD, que gostava de examinar a pantalha para lhe lobrigar um pingo de maionaise no canto da boca. Nada. Falta-me um sinal, uma evidência a prova cabal que o diabo do Big Tasty lhe está nas mãos. Desafio-a. “Precisamos de um sinal!”, “Give us a sign!”. Peço-lhe que nos deixe ver uma ponta do papel de embrulho. Obviamente sem qualquer esperança, não a estou a imaginar a trincar cebola, pão e carne no intervalo dos off das peças que se vão sucedendo em desfile. Mas ela está lá, atenta aos Tweets, aliás como esteve sempre, interactiva, colaborante, quase desde a primeira grande explosão twitteriana que levou uma boa dose adicional de espectadores à RTPN por via desta ferramenta curiosa. “Give us a sign, Alberta!” e ela mal pode dá, diz “Então e se eu pegar na caneta?”.” Devorem o restante aqui.
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
@joelysandra, o Twitterherói (ou: sai 1 Big Tasty para a Alberta)
http://pauloquerido.pt/tecnologia/joelysandra-o-twitterheroi-ou-sai-1-big-tasty-para-a-alberta/
February 8 2009, 3:57pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Ontem fui a Sedna e tirei fotos
http://pauloquerido.pt/tecnologia/ontem-fui-a-sedna-e-tirei-fotos/
Ontem panhei o JapTelTran para Sedna e tirei fotos do lado diurno. Um espectáculo.
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February 8 2009, 1:54am | Comments »
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Dia de aguaceiros no Funchal
http://pauloquerido.pt/tecnologia/dia-de-aguaceiros-no-funchal/
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February 7 2009, 3:43am | Comments »
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A ascensão da Twittosfera portuguesa ou o ataque dos humoristas e dos políticos…
(Este é um guest post da autoria de Raul Pereira (*) Durante as últimas semanas aconteceu o que já se estava a prever há algum tempo: o número de novos utilizadores portugueses no Twitter disparou. Não me lembro de ter clicado tantas vezes no botão “follow” como nas últimas semanas a não ser, claro, nos primeiros dias, quando iniciei a construção da minha rede. É uma boa notícia: finalmente, eu e o @ruitavares deixaremos - num curto período de tempo, espero -, de ser os únicos historiadores portugueses presentes. Quero com isto dizer que poderei construir uma rede mais à minha imagem, com pessoas para lá da órbita das tecnologias e mais ligadas a áreas culturais, por exemplo. Podem agora aplicar o meu exemplo a cada um de vocês, de acordo com as preferências. Como sempre, o @PauloQuerido toma as rédeas do assunto e abriu um funcional wiki onde poderemos inserir ou pesquisar as categorias profissionais mais próximas dos nossos interesses. Ainda não inseri lá historiadores porque, como já vimos, somos só dois. Se navegarem mais um pouco na útil ferramenta que é o TwitterPortugal, encontrarão outros dados interessantes e uma visão global da dimensão e acção dos tweeters (1) nacionais. Ora, isto traz-nos de volta ao assunto inicial; foi precisamente o TwitterPortugal, dono das estatísticas, o primeiro a notar o rápido crescimento do número de portugueses inscritos no já famoso site de micro-publicação. Tentarei enumerar os principais factores deste súbito interesse, sem ter em conta a sua ordem de importância. O primeiro deve-se, logicamente, às vantagens óbvias do Twitter enquanto meio de interacção por excelência. Cada vez mais pessoas se apercebem do seu enorme potencial, falam sobre isso, experimentam, e as coisas seguem o seu natural percurso. O segundo factor é bastante interessante e tem ligação directa com o primeiro a uma maior escala. Prende-se com a reacção que os media e os jornalistas a nível internacional tiveram para com o serviço de micro-blogging. Em Portugal, temos vários jornalistas que desenvolvem um trabalho notável no Twitter, de que é exemplo meritório o que está a ser desenvolvido pela equipa da RTP, com as contas @rtppt e @rtpN ou, ainda, por @alexgamela, @danielcatalao ou @cvazmarques. Estes jornalistas, à semelhança do que aconteceu inicialmente nos Estados Unidos, mencionam nas suas redacções, programas de televisão, rádios e blogues as potencialidades do Twitter como meio divulgador da notícia, onde a questão geográfica encolhe ainda mais. Isto ficou patente nos atentados em Mumbai e, ainda mais claramente, no acidente com o voo 1549 da US Airways no rio Hudson. Nessa noite, além das actualizações do Alexandre Gamela, que ficaram na memória, a RTP mostrou, em directo, uma fotografia conseguida através do Twitter. Pormenor: estações como a CNN ainda não o haviam feito. Também naturalmente, as pessoas interessam-se quando os media falam e… experimentam. O terceiro deve-se à entrada em cena de figuras públicas, nomeadamente humoristas e políticos. Os humoristas tiveram entrada com direito a tapete vermelho. Em apenas poucos dias construíram redes de milhares de utilizadores, sendo os casos mais notáveis os de Nuno Markl (@havidaemmarkl) e Bruno Nogueira (@corpodormente), que ultrapassam já os dois mil seguidores. Não sendo de estranhar - se tivermos em conta a dimensão pública e as legiões de fãs -, em termos de redes sociais é absolutamente estrondoso este fulgurante sucesso, como se pode observar nos gráficos. Outros exemplos há, como @BrunoAleixo, que têm também como garantido o sucesso na rede.
[Dados retirados do site Twittercounter] Já os políticos constituíram não uma surpresa mas uma nova forma de utilizar o Twitter: um fórum de debate de ideias, troca de comentários e, curiosamente, uma interacção algo inédita entre elementos de diferentes partidos. Se isto não é contribuir para uma democracia mais saudável, vou ali dar uma volta e já venho. Há dias, também a @Presidência da República Portuguesa abriu a sua conta oficial. Todos aprenderam a lição de @BarackObama e da melhor maneira. Esperamos que mais se juntem aos debates em 140 caracteres nas próximas semanas, em ano de importantíssimas eleições. Em quarto, não menos importante, e como já foi aqui falado, outro grande incentivo: a chegada de grandes nomes da blogosfera ou mesmo de contas oficiais de blogues, como o @arrastao, a @jugular ou o @31darmada. Os blogues são muito importantes, na medida em que possuem ligações directas às suas contas no Twitter nas suas páginas principais e geram tráfego nos dois sentidos. Os leitores podem usar o Twitter como leitor de feeds dos artigos, comunicar e debater com os mentores dos blogues e estes ganham em tráfego, e muito. Por último, contribui para toda esta rápida euforia também, uma verdadeira interacção entre cidadãos e figuras públicas. O Twitter permite uma comunicação directa, sem intermediários, com as personalidades, coisa quase inatingível antes da ferramenta aparecer. É uma rede que permite um clima de seriedade e confiança nesta relação, logo torna-a muito mais apelativa. Antes do Twitter, a única forma que eu teria para contactar com o @ruitavares, seria conseguindo o email ou número de telefone por terceiros. Com o Twitter a ligação é directa e tenho a certeza que estou a comunicar com essa pessoa. Claro que há casos de apropriação de identidade - há dias ficou famoso o de @davidbowie -, ou ainda como o da @Presidencia, onde muito dificilmente teremos Cavaco Silva a escrever. Mas, mesmo assim, é mais um canal que se abre onde a troca de informação é recíproca, contínua e extremamente benéfica para ambas as partes. Em próximos artigos falaremos nos programas utilizados e na discussão em torno dos termos da Twittosfera que deveremos adoptar para o português europeu ou se, dada a entrada em vigor do Acordo Ortográfico, não nos deveríamos aproximar das expressões em voga no Brasil. Entretanto, enquanto escrevíamos este texto, tivemos a revelação: parece que tudo o que disse acima é mentira e a culpa do crescimento da comunidade portuguesa no Twitter é do Parlamento Global! E esta, hem?
Acrescentamos, por último, que é praticamente inútil qualquer texto sobre o Twitter. A informação muda por vezes no espaço de escassos minutos. Por exemplo, @davidfonseca, músico, chegou no dia 28 e já consegui para cima de mil “followers“. Tenho a certeza que se estivesse a escrever este texto daqui a poucos dias, o título facilmente poderia ser outro e teria de substituir os humoristas por músicos.
(1) Este assunto da designação fica para um outro post a sair em breve.
Autor Raul Pereira é Historiador de Arte, blogger e um experiente utilizador do Twitter. Neste momento encontra-se a preparar um romance histórico que irá expor no blog Libro Primo e em vários Social Media.
February 5 2009, 5:21pm | Comments »
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Cavaco 2.0: Presidência adere a Youtube e Flickr
http://pauloquerido.pt/tecnologia/cavaco-20-presidencia-adere-a-youtube-e-flickr/
Depois do Twitter, na semana passada, a Presidência da República anunciou na passada segunda-feira que passa a dispôr de mais canais nas redes sociais. A partir de hoje podemos ver as fotos do presidente Cavaco Silva no Flickr e os videos da presidência no YouTube e também no português Sapo Videos. A actualidade, a agenda, as intervenções, as mensagens, as visitas e outras iniciativas do Presidente da República passam, assim, a poder ser acompanhadas pelo público nos próprios espaços onde “habitam” e comunicam, dentro da Internet.
(Versão de arquivo. Primeira publicação no Expresso Multimedia.)
“O rápido desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicação coloca-nos constantemente novos desafios. São disponibilizados novos meios para melhor dialogarmos nas sociedades modernas. Temos de estar atentos para responder a esses desafios e encontrar novas soluções para as necessidades de comunicação que todos partilhamos” — justifica a mensagem pessoal de Cavaco Silva difundida pelo sítio da presidência e retransmitida pelos outros canais. Os canais partilham o mesmo objectivo: disponibilizar informação actualizada sobre as actividades do Presidente da República a cada vez maior número de utilizadores das novas ferramentas de partilha na Internet. Além da página oficial, a Presidência da República Portuguesa passa a estar presente em duas comunidades de partilha de audiovisual – os canais YouTube, em http://youtube.com/presidenciarepublica, e Sapo Vídeos, em http://videos.sapo.pt/presidencia – bem como na rede social Twitter, em http://twitter.com/presidencia, e no Flickr, em http://flickr.com/photos/presidencia, um sítio de hospedagem e partilha de fotografias. Este exemplo da Presidência da República DEVIA fazer pensar outras instituições, nomeadamente a Assembleia da República. A actividade dos deputados continua a ser muito difícil de seguir na Internet. Seja para efeitos de escrutínio, seja para estar a par das iniciativas, seja para tentar estabelecer diálogos, os cibercidadãos só dispõem de um sítio oficial que está concebido para dificultar o acesso à informação. Isto, claro, para além da comunicação social online. Por iniciativa pessoal, um punhado de deputados aderiu ao Twitter nas últimas semanas (ver lista aqui). Louvável — mas não suprime a lacuna informativa das instituições, cada vez mais gritante. Paulo Querido, jornalista
January 30 2009, 1:22am | Comments »
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Ano Internacional de Astronomia: proporções “cósmicas” em Portugal
http://pauloquerido.pt/tecnologia/ano-internacional-de-astronomia-proporcoes-cosmicas-em-portugal/
O Ano Internacional de Astronomia começa oficialmente em Portugal no próximo sábado, dia 31, mas o envolvimento já é forte. De Norte a Sul do país, na Madeira e nos Açores, está tudo a posto para transformar 2009 num ano inesquecível, segundo um comunicado difundido pela organização. Mais de 300 actividades agendadas, mais de um milhar ainda por vir: o Ano Internacional da Astronomia (AIA) promete ser uma iniciativa de “proporções cósmicas” em Portugal. Mas para já todas as atenções estão a concentrar-se no Porto, onde no sábado vai ter lugar a cerimónia de abertura do AIA 2009. O arranque está marcado para as 16 horas na Casa da Música com o Presidente da Sociedade Portuguesa de Astronomia (entidade organizadora do AIA2009 em Portugal), Miguel de Avillez, e o Coordenador Nacional do AIA2009, João Fernandes. A astrofísica Teresa Lago, um dos membros fundadores do conselho científico do Conselho Europeu de Investigação e presidente entre 1999 e 2001 do “Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, segue às 16h30, com a palestra “O que queremos descobrir sobre o Universo?”. A conferência passará em revista as grandes questões da Astronomia actual. Duas centenas e meia de instituições já se associaram às diferentes actividades, entre escolas, autarquias e centros de ciência. “O Ano Internacional de Astronomia é para nós o culminar de dois anos e meio de trabalho“, sublinha Miguel Avillez, presidente da Sociedade de Portuguesa de Astronomia, que está na base do plano nacional do AIA. Além das actividades globais que vão também ter lugar no território nacional, como as “100 Horas de Astronomia” em Abril, ou a exposição “Da Terra ao Universo”, cujos cartazes com imagens astronómicas já podem ser vistos em espaços públicos em Tavira e brevemente no Porto, Viana do Castelo e Coimbra, a comissão científica do Ano Internacional apadrinha uma dezena de projectos. A “Noite da Astronomia”, marcada a 15 de Julho, promete ser o grande evento do ano, com iniciativas em todos os distritos de Portugal. Mas não só. O “E agora sou Galileu” vai recriar ao longo do Ano e em todo o país as observações de uma das figuras que revolucionaram a ciência. O desafio de “Astronomia Artística” desenvolvido na Madeira por Fernanda Freitas visa, por exemplo, promover o diálogo entre a ciência e as artes. “O céu é o mesmo para todos”, refere João Fernandes, Presidente da Comissão Nacional AIA2009, justificando a transversalidade das actividades que existem a nível mundial e nacional. Mas as boas ideias não acabam com o empenho da Comissão. Um desfile de Carnaval, no Funchal, dedicado à Astronomia, um encontro de Astronomia com Gastronomia (Exploratório de Coimbra), um acampamento com as estrelas (Centro de Multimeios - Espinho), Astrofestas (Braga, Constância)… A lista já é longa, mas o objectivo é sempre o mesmo, convidar pequenos e graúdos a olhar por uma luneta e a descobrir o Universo. “Os astrónomos portugueses têm uma responsabilidade acrescida, frisa Pedro Russo, coordenador internacional do Ano Internacional de Astronomia, “porque existe mais apetência pela ciência astronómica por parte do jovens portugueses do que em média no resto do mundo”. O comissário global do AIA mostrou-se bastante satisfeito com o programa português apresentado este fim-de-semana no Centro Multimeios de Espinho, programa que qualificou de “realista”. Pedro Russo não é ó único a representar Portugal no estrangeiro. Projectos nacionais já se exportaram para os quatro cantos do mundo, como aconteceu com o projecto “Alvorada AIA2009″, encabeçado por Ricardo Cardoso Reis do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, que promoveu dia 1 de Janeiro observações solares em Portugal, mas também no Nepal, no Iraque e na Indonésia, ou com o “Descobre o teu Céu!”, concurso lançado nos cinco continentes pelos Museus da Ciência das Universidades de Lisboa e Coimbra. “Esperamos deixar frutos”, conclui João Fernandes. Para todas as pessoas que procuram dar a conhecer o que se faz em Astronomia no país, o objectivo é o mesmo: que todas as iniciativas criadas e desenvolvidas no âmbito do Ano Internacional de Astronomia possam ter continuidade depois de Dezembro 2009.
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January 29 2009, 8:17am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Steve Jobs (homenagem em vivo)
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É um filho da mãe arrogante — mas não somos todos? Aqui vemo-lo em 1983, no início de uma grande carreira multifacetada que terminou por estes dias, a fazer o que tanto gosta: levar multidões ao delírio com simples anúncios de maquinaria. Fica a minha homenagem, em vivo, a Steve Jobs. Do melhor que a América jamais criou.
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January 26 2009, 2:48am | Comments »
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O meio faz a literatura
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Este é um guest post da autoria de José Couto Nogueira (*) . MacLuhan esteve certo durante muitos anos, “o meio era a mensagem”. Mas a evolução vertiginosa da tecnologia só poderia ser prevista por um génio da ficção científica (Bradbury, talvez) e não por um cientista, por mais genial que fosse. A televisão mudou a nossa maneira de nos entretermos — na protecção da casa, no conforto do sofá, a ver o mundo a passar ao vivo e a cores, em tempo real. Os computadores mudaram a nossa maneira de trabalhar. Os telemóveis, o modo de comunicar. Tecnologias previsíveis na ficção ciêntifica e nas bandas desenhadas (Dick Tracy). Parece que ninguém previu que os três se juntassem — e de repente, quase que sem darmos por isso, foi o que aconteceu. E, apesar de já ser uma realidade, ainda vamos demorar algum tempo a habituarmo-nos. As tecnologias não trazem apenas novos gestos e novos hábitos. A maneira de pensar também muda. A rapidez, as elações e associações. Há mais coisas dentro da cabeça, mas entram e saem mais depressa. Em cinco minutos de televisão uma pessoa recebe a informação de dez livros — as cores, as formas, a sensações e as afirmações… Cinco minutos depois já não se lembra, é verdade, porque há mais informações para entrar. Esta situação não é boa, nem má; é. Não adianta os conservadores, os renitentes, os clássicos e os bem intencionados bramarem contra os malefícios do “progresso”. O progresso, como a religião e a morte, é inexorável. Mas o título deste post fala de literatura. O que tem a literatura a ver com tudo isto? Tem tudo. Hoje em dia não se escreve como se escrevia, nem se lê como se lia — às vezes nem se lê, ouve-se. Tudo (enfim, quase tudo) o que se ouve na televisão é escrito. Mas os textos de televisão (ou de cinema) são diferentes. Têm de ser mais rápidos concisos. Menos ideias de cada vez, repetidas à exaustão. Maoistas, se quiserem. Os computadores permitem editar indefinidamente, mudar as palavras com um replace, matá-las com um delete, resuscitá-las com um undo. As pessoas já não lêem como liam, porque a cabeça habituou-se a andar mais depressa, a mudar de canal constantemente, a ver dez anúncios na rua ao mesmo tempo, aos ecrãs do Exel a passar na esgalha. E também já não escrevem como escreviam. Exceptuando Miguel Sousa Tavares, já nenhum romancista de renome narra como no século XIX. As frases são mais curtas (ou com muitas vírgulas…) as elipses mais violentas, a explicações mais rápidas. Os tempos dos verbos mudam dentro do mesmo parágrafo, às vezes dentro da mesma frase. O presente, o passado e futuro convivem na mesma página. E as cabecinhas modernas acompanham facilmente. Então e o estilo, o sabor, o vagar? Pois, perderam-se. Uma pena. Mas há-de haver sempre um ou outro MST para cultivar os estilos arcaicos com elegância e aprumo, e há-de haver sempre leitores para os clássicos. Agora temos os textos de ficção em blogues, em e-mails, em situações curtas e rápidas. E os livros em ecrãs paper-white. Então a ficção não continuará sempre a ter os seus calhamaços e o seu prazer? Certamente; mas em minoria, para os devotados e os especialistas. A maioria escreve e lê em pequenos ecrãs — nos ecrãs dos super smartphones, cada vez maiores e mais nítidos. Nããão… Recados, mensagens curtas, talvez. Literatura, nunca! Ah não? Então e o Japão? Os keitai shosetsu? Feche a boca, que eu explico já. Rapidamente. À velocidade de hoje. No Japão, 58% dos pré-adolescentes tem telemóvel. Para os sms da praxe, claro, mas também para ler ficção! Keitai shosetsu é isso mesmo: ficção celular. Não só por ser escrita e lida em telefones celulares mas também porque o texto é literalmente em células. Um ecrã de cada vez. Não estamos a falar do futuro, nem a fazer ficção científica. Está no “The New Yorker”, num artigo assinado por Dana Goodyear, portanto só pode ser verdade. Para os são tomés, aqui vai a hard data: é um negócio de 82 milhões de dólares anuais. As obras de ficção celular, são depois impressas em livro, vendem dois, três milhões de cópias. Uma obra de sucesso tem 160 mil dowloads por dia. Não se pode ignorar nem a cultura, nem a capacidade de inovar dos japoneses. Quanto a cultura, o primeiro romance que se conhece é o Genji Monogatari, escrito por Murasaki Shikibu no começo do século XI. Quanto a inovação (neste caso no mercado editorial de ficção, deixemos os Walkman para outra altura), em 2007 cinco dos 10 romances mais vendidos eram originalmente shosetsu. Enquanto a literatura em livro diminui 20% nos últimos anos, o site da editora de shosetsu Maho i-Land (Ilha Mágica) tem mil títulos listados e 3,5 milhões de visitas mensais. Agora, perguntarão os intelectuais: e a qualidade dessa literatura? Bem, sobre isso… Quem somos nós para avaliar? Mas não vale a pena estar a disfarçar: são romances de faca e alguidar, cheios de incesto, vilania, sangue, suor e lágrimas, e tudo o que possa haver de mais piroso à face da literatura. Em frases telegráficas cheias de emoticons e sinais gráficos. Será assim que se vai escrever no futuro? Não completamente, com certeza. Mas em grande parte, disso não haja dúvidas. Mas como o cérebro também se adapta, cada vez é possivel exprimir mais em menos palavras. Os 140 toques do twitter dão para exprimir um pensamento completo. Até mesmo um sentimento complexo. E os sentimentos, esses são eternos. Todas as tecnologias têm de os levar em conta, porque em última análise e por causa deles que elas existem.
Autor José Couto Nogueira é jornalista e romancista (”Pesquisa Sentimental” sairá em Fevereiro pela Dom Quixote). Publicou entre 1997 e 2000 o site “Alface Voadora” e desde 2006 faz o blogue Perplexo. Este artigo sai em simultâneo nas duas publicações (ver)
January 25 2009, 5:23pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Ameaça de baixo nível para Mac OS
http://pauloquerido.pt/tecnologia/ameaca-de-baixo-nivel-para-mac-os/
A Symantec lançou hoje um alerta, através do Symantec Security Response, para a descoberta de uma ameaça de baixo-nível para sistemas Mac: OSX.iWork. O tróiano esconde-se num pacote quando os utilizadores descarregam o Apple iWork a partir do BitTorrent e outros sites que possam conter software pirateado. O Norton Protection Blog informa sobre o comportamento do Trojan OSX.iWork nesta página. O Symantec Security Response informa também como remover o tróiano, bem como acerca das suas especificidades técnicas.
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January 23 2009, 5:11am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
"Magalhães" e o País
http://dererummundi.blogspot.com/2009/01/magalhes-e-o-pas.html
O Magalhães publicitado, elogiado, enaltecido, elevado a solução para a educação de um País, para a solução de um País... é aqui comentado como espelho desse País por Medina Carreia.
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January 18 2009, 12:39pm | Comments »






