O mercado é um produto sifilítico da humanidade — eis a frase que culminou largos minutos de caloroso e entusiasmante debate familiar na sequência de 1) entrevista de Vítor Constâncio na RTP1, 2) comentários de António Vitorino à mesma entrevista, 3) notícias financeiras do dia e 4) o “noticiário do Crespo”. É uma grande frase.
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O mercado é um produto sifilítico da Humanidade
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November 24 2008, 3:52pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Anita: o mais rápido meme da história do Twitter é português
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Anita, aquela mesma Anita dos livros infantis, tornou-se numa das grandes estrelas mundiais do Twitter graças aos portugueses. A história — uma história sobre o lado tão inútil quanto divertido das redes sociais — conta-se depressa. (NOTA: versão de arquivo pessoal, a primeira publicação ocorreu no Expresso Multimedia, na semana passada). Tudo começou quando Bruno Amaral, um licenciado em Comunicação Social pelo ISCSP que mantém um dos principais blogs sobre relações públicas (link no final do artigo), lançou uma normalíssima pergunta sobre os livros da Anita aos seus leitores no Twitter: “lembram-se dos livros da anita? que tal “Anita e o Twitter” ou “Anita aprende a usar o delicious” ? ” As respostas não se fizeram esperar e em poucos minutos estava admitido, num daqueles consensos imponderáveis a que as multidões na Internet conseguem chegar, o hash tag #Anita. Um hash tag é um mecanismo simples e eficaz de seguir um assunto na web. No caso, uma pesquisa por #anita no motor de busca do Twitter cria uma página contendo tudo o que foi escrito sobre ela. É muito usado para agregar as pessoas em eventos. O incrível é que bastaram 2 horas e 18 minutos — como me disse o autor numa twinterview que publico mais à frente — para a Anita se tornar no tema mais falado no Twitter em todo o mundo. Ser o primeiro dos trend topics no Twitter não está acessível a qualquer tema. Para o leitor ter uma ideia, no instante em que escrevo os cinco primeiros são: NXE, Thanksgiving, Christmas, #azec e New Xbox Experience. É um top que reflecte naturalmente a predominância da língua inglesa. É claro que o assunto não podia passar despercebido e um blogger americano ajudou à confusão quando, ao contar o que estava a acontecer — era o mais rápido meme da história do Twitter, a “nascer” em tempo real –, confundiu o Brasil com Portugal. Os brasileiros aderiram e #Anita subiu ainda mais depressa. Bruno Amaral faz, então, um post no seu blog repondo a verdade sobre a origem geográfica. Ao mesmo tempo, explica o que estava a acontecer. Ao melhor estilo da cibercultura, em menos de 24 horas estava criado o endereço anitatwitterstar.com para celebrar o feito, manter o relato factual e cavalgar o sucesso. Twinterview ao autor do meme, Bruno Amaral O que se segue é a primeira twinterview da Imprensa portuguesa. Uma twinterview é semelhante a uma flash interview — um conjunto de perguntas e respostas breves e feitas em cima de um acontecimento. As diferenças: é feita através do Twitter, tem uma limitação de 140 caracteres para as respostas e não está limitada pela instantaneidade.
@PauloQuerido Quando percebeste que #anita era um meme?
@brunoamaral Foi na altura em que pessoas que eu não seguia começaram a entrar na brincadeira. Tinha passado 1 hora desde o post inicial.
@PauloQuerido O que se passou depois? Não ficou clara para mim a confusão entre Portugal e Brasil. @brunoamaral Um blogger americano tentou explicar o fenómeno e pensou que tinha tido origem no Brasil (http://tinyurl.com/67ptsk) @PauloQuerido Fizeste logo o post explicativo no teu blog? @brunoamaral Esse post só surgiu ao final do dia,consoante eu ia recolhendo conteúdos e ideias de outros blogs. @PauloQuerido Tens noção de quanto tempo levou a #anita a chegar ao topo do search.twitter? @brunoamaral Entre o primeiro post e a posição no primeiro lugar passaram 2 horas e 18 minutos. @PauloQuerido Como tirar proveito desta acção? @brunoamaral Acho que o importante é participar na conversa,neste caso na brincadeira que se gerou em graças à #Anita. @PauloQuerido Satisfação pessoal/vaidade pelo meme? @brunoamaral Gosto de poder dizer que fui quem deu o primeiro passo. Mas é apenas uma brincadeira que se espalhou, nada de mais. Links Blog Relações públicas, de Bruno Amaral, que inclui o primeiro artigo sobre a ascensão de Anita no Twitter Anita Twitter Star, site bilingue para contar a história do mais rápido meme do Twitter. Inclui adaptações muito boas das ilustrações originais dos livros de Anita. Menção no Tweet Week, um videoblog da estrela geek americana, Julia Roy, como um dos assuntos relevantes da semana em que o Twitter ultrapassou o fantástico número de mil milhões de mensagens (1.000.000.000). Siga aqui o meme #Anita em tempo real no Twitter Paulo Querido, jornalista
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November 24 2008, 9:11am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
O IAB, os números da publicidade online e um alerta
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Para termos mais publicidade online são necessários mecanismos que dêem a quem mete o dinheiro algumas garantias sobre o seu investimento. Uma das razões, no meu entender, para a anemia do mercado publicitário português na Internet tem a ver com as suspeitas e desconfianças em relação aos números que “o mercado” projecta de si próprio. Uma indústria que publica uma tabela de preços e que, ao primeiro telefonema com o cliente, já a baixou em 40% a 80% conforme o capricho do vendedor, é uma indústria ou uma palhaçada? Participei de 2 reuniões conduzentes ao arranque do Interactive Advertising Bureau (IAB) em Portugal. O IAB é uma entidade internacional que se esforça por dar transparência a um negócio opaco e encoraja o lançamento de entidades nacionais que operem no sentido da credibilidade e da formação e ajudem a compreender a dimensão do mercado. Em Portugal, e apesar da boa vontade de um punhado de louváveis indivíduos com iniciativa, estamos num impasse. Não quero alongar-me sobre as razões desse impasse nem desvendar nada sobre os processos da formação do IAB Portugal, que nem estou certo que alguma vez venha a existir, desde logo porque o próprio processo de formação é encarado como uma ameaça ao status quo. Chamo a atenção para o artigo de Enrique Dans, que criticou por este dias o IAB Spain, em IAB: mala metodología, o mala intención. Recomendo a sua leitura a todos os que se interessam, directa ou indirectamente, pelo futuro da publicidade online, e em especial aos investidores e aos pequenos publishers. Quem vos alerta, vosso amigo é. Dois excertos: “La publicidad en blogs, de la que Julio sabe un rato largo, queda reducida a una cifra ridícula, en absoluto representativa de la realidad, y la credibilidad de la IAB se diluye entre dudas de intentos de favorecer a unos soportes que son además sus principales accionistas. La cifra que casi esconde el informe de la IAB supone una cantidad tan desproporcionadamente inferior a la realidad con respecto a la publicidad en los llamados “nuevos soportes” - que tienen de “nuevos” ya lo mismo que yo de santo o de enano - que resulta difícil pensar en un error metodológico.” “¿Qué interés tiene la IAB en minimizar un segmento de la publicidad en Internet? Simplemente, el provocar que los anunciantes y las agencias vean un panorama distorsionado, en el que los medios tradicionales - portales y medios de comunicación - acaparan la totalidad de la inversión, mientras los “otros” medios, pujantes y emergentes, desaparecen diluídos precisamente en el apartado de “otros”.” Blogs, webzines e todo o tipo de publicações — incluindo as publicações tradicionais que não integrem um dos grandes grupos ou o principal portal português — são propositadamente consideradas como “os outros” também pelos incumbentes nacionais, cujo objectivo único — e é para isso que os accionistas lhe pagam, parafraseando um dos mais activos participantes nas reuniões do putativo IAB Portugal — é proteger a sua propriedade; não faz parte do seu DNA ajudar os outros ou transmitir abertura e transparência coisa nenhuma. Vós sois “os outros”. Se não tomardes conta dos vossos interesses, quem tomará?
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November 23 2008, 10:33am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Repensar o Nuclear
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Eis um novo texto de opinião de Armando Vieira:Quem visite o nosso país, e ouça alguns políticos, vai achar que vivemos um período de grande prosperidade. Desde um novo mega-aeroporto, várias linhas de TGV, auto-estradas mesmo ao lado de vias rápidas, há projectos para todos os gostos. Certamente que somos um país rico, dirá um irlandês, um país com apenas algumas dezenas de quilómetros de auto-estradas mas um rendimento per-capita duplo do nosso.À questão de “serão estes investimentos produtivos?”, o governo responde com a tradicional fuga para a frente. Faz-se e depois logo se vê. No período actual de grande endividamento e proximidade de recessão económica, todos parecem ter dúvidas menos o Primeiro-Ministro. Também, ao contrário dos analistas económicos, parece que raramente ele tem dúvidas e nunca se engana. Sorte a nossa ter chefes de governos tão esclarecidos.Na verdade existem muitas incertezas sobre o futuro, mas de uma coisa podemos estar certos. O consumo de energia irá aumentar inexoravelmente. Outra coisa que também podemos estar certos é que a actual fonte primordial de energia irá desaparecer dentro de duas ou três décadas. O nosso Primeiro-Ministro irá explicar-nos, com a sua inefável postura de líder omnisciente, que isso está pensado. As energias renováveis serão a nossa resposta ao problema energético.Seria bom se fosse verdade, mas não é. Para o insaciável apetite por energia do homem, as energias renováveis (solar, eólica, biomassa ou ondas) não passam de meros aperitivos. Hoje representam alguns pontos percentuais do consumo total de energia eléctrica, no futuro poderão chegar a uns meros 10%. Não chega.Mais grave que isso. As energias renováveis, lamento informá-lo, são caras. Mais caras que as energias convencionais e nalguns casos muito mais caras. O preço do kWh da energia eólica, preço esse subsidiado pelo Estado, é cerca de 20 cêntimos, no caso da energia solar é perto de 50 cêntimos. Enquanto isso a energia paga pelo consumidor é cerca de 10 cêntimos. Não estou a dizer que não se deva investir nas energias renováveis, mas a verdade é que elas são caras e não vão resolver o problema da energia.Já que o governo parece ter entrado num afã de realizar grandes projectos, existe um que ele poderia de facto realizar e com resultados bem reais na economia. A construção de uma central nuclear para produção de energia eléctrica.De todas as energias, a nuclear é das que apresenta um menor custo por kWh e que tem maior durabilidade. Os EUA planeiam construir 14 nos próximos anos e a China nada menos de 100. Até a Finlândia, um dos países mais ecológicos do mundo, tem uma central já em construção.A expressão nuclear faz qualquer ambientalista contorcer-se de inquietude. Eles, e todos os que se opõem a esta forma de energia, deviam rever os seus pressupostos. Os tempos mudaram. Hoje os reactores nucleares são uma forma comprovada de produção de grandes quantidades de energia, livre de dióxido de carbono, mais fiável e independente dos ditames da geografia ou do tempo. Patrick Moore, um dos fundadores do Greenpeace, acabou por se converter à causa nuclear.Contabilizando todos os encargos, custos de combustível, de capital, de manutenção, e de desmantelamento, o nuclear tem o preço mais baixo de todas as outras formas de produção de energia eléctrica, praticamente igual ao preço do carvão. Porém o carvão é extremamente poluente e, se contabilizarmos os custos devidos à emissão de gases de efeito estufa, o preço da energia nuclear é claramente o mais baixo, menos de metade do preço da energia eólica e 2/3 do preço das centrais de gás natural a ciclo combinado, isto contando que o preço do gás natural não aumente.Aqueles que argumentam que é muito perigoso podem consultar as estatísticas. O número de vítimas provocadas pela energia nuclear é claramente inferior às infligidas, directamente ou indirectamente, por qualquer outra forma de produção de energia. As centrais nucleares de quarta geração são muito mais seguras e virtualmente à prova de acidentes como o de Tchernobyl. O perigo que corremos por termos duas centrais nucleares em Espanha perto da fronteira, com uma tecnologia já obsoleta, é bem maior que o de construirmos uma nossa.De uma vez por todas, deixemo-nos de hipocrisias e fobias atávicas quanto à energia nuclear. Se o governo quer fazer um grande investimento, da ordem dos 1500 milhões de euros, ou seja um terço do preço do novo aeroporto, tem aqui um excelente projecto.Armando VieiraProfessor Coordenador no ISEP
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November 22 2008, 6:25pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Sobre o fim da blogosfera
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As pessoas, incluindo os profissionais de jornalismo, lêem o que cérebro os deixa ler. Um título de uma peça tem um duplo objectivo: sintetizar o assunto, ou teor, do artigo e chamar a atenção para ele. (Versão de arquivo. A versão original está publicada no Expresso multimedia, aqui.) No início da semana, recebi o mail de Rogério Santos a lembrar-me, gentilmente, o IV encontro de blogs na sexta-feira, pedindo o título da minha apresentação para o colocar no blog do encontro. Dei as minhas voltas. Já sabia sobre o que iria falar mas faltava-me ainda uma linha de força. Passado um determinado tempo, respondi-lhe: “A minha comunicação terá por título “O fim da blogosfera”. É um título provocativo e jogo com os sentidos da palavra fim, não tanto como no fim de um livro, mas mais no fim da margem de um lago — chegar a uma fronteira. É uma metáfora para o fim da fase das borbulhas da blogosfera, que entra numa idade madura — como aliás fazia notar a The Economist [...]. Nessa idade madura está a ligação ao tema do painel — cultura e negócio”
E passados mais uns minutos, decidi-me. Era simplesmente irresistível fazer, no meu blog pessoal, um post intitulado o fim da blogosfera. Um post normal, informando do IV encontro a escassos dias da sua realização, e dando notícia do teor da minha apresentação. Bem. Só não caiu o Carmo e a Trindade na blogosfera porque, a bem dizer, já não há (energia na) blogosfera. Um título destes em 2006 teria pegado fogo à blogosfera, que então existia, em todo a energia das suas juvenis borbulhas. Foi, no entanto, curioso ver algumas reacções. Desde logo, e em primeiro lugar, o Rogério Santos, organizador do IV encontro, professor e blogger histórico. Rogério Santos admite (links no final deste artigo): “parece que a ideia romântica da blogosfera - onde cada um escreve o que pensa ser útil e o partilha com outros, formando uma comunidade - está rapidamente a desaparecer. No 5 Dias Luís Rainha dá uma lição de como citar fontes relevantes e escreve: “desta forma, a «ascensão de uma nova forma de comunicação socializada: a auto-comunicação em massa» celebrada por Castells redundaria sempre numa multidão de profetas a clamar em desertos electrónicos, vendo apenas ao longe as luzes das cidades hospitaleiras, ocupadas e geridas pelos happy few do costume“. João Pedro Pereira, no Tecnopólis, concorda: “Como cada vez menos se diferencia do resto dos sites, a blogosfera tende para o desaparecimento. Algo que não é diferente do que o rodeia não existe por si” Paulo Pinto Mascarenhas, no Atlântico, joga forte demais na antecipação: “posso estar enganado, mas presumo que Paulo Querido irá defender que os blogues hoje não existem ou estarão à beira do fim sem o recurso a outro tipo de ferramentas e instrumentos, como o Twitter, por exemplo“. Espero que não tenhas feito disso uma aposta, Paulo Na realidade, há cada vez mais blogues e estou relativamente seguro que o ritmo de publicação não diminuirá nos próximos anos. O Paulo escreve ainda isto: “Fora da blogosfera, sobretudo quando falo com outros jornalistas, apesar de as conversas se iniciarem quase sempre com críticas ao blogue x ou ao autor y, apercebo-me de que nunca a blogosfera foi tão forte e tão influente nos meios de comunicação tradicional. O mesmo acontece com os bloggers com quem me dou mais“. Ora, eu concluo o contrário. É precisamente porque essa proximidade aumentou que posso falar no fim da blogosfera. Como desenvolvi na apresentação no IV encontro (ver slides de apoio mais abaixo), parte das características essenciais da blogosfera perderam-se. A noção de blogosfera pressupunha, inclusivé, um antagonismo face aos jornalistas. Ou no mínimo um corpo comunicacional alternativo aos media, que até dava notícias, que marcava a agenda, obrigando os jornalistas a trabalhar naquilo que supostamente era o interesse “dos cidadãos”. Exemplos disto foram, nomedamente, os casos Portugal Profundo e o diploma de José Sócrates. Eram “nós”, os bons, os puros, os bloggers, os cidadãos, contra “eles”, os jornalistas, vendidos, impuros, incompetentes, distantes. De há já algum tempo a esta parte essa consciência colectiva de alternativa desapareceu. Uma boa parte dos bloggers que se distinguiram têm hoje funções remuneradas nos jornais. São pagos para escrever nos media. Republicam os seus artigos nos seus blogs, fazem links dos seus blogs para os artigos que escrevem a soldo dos jornais. Representam uma fatia estatisticamente irrelevante da blogosfera, é um facto. Outro facto é que a miscenização entre mainstream media (MSM) e social media é muito mais ampla. Hoje, é difícil distinguir entre uma boa parte dos blogs do que são sites noticiosos e informativos. As fronteiras que delimitavam os dois campos esbateram-se, quase desapareceram. Não apenas porque o número de publicações profissionais aumentou muito na Internet graças, em parte, à tecnologia do blog, à demografia do blog e às audiências da blogosfera. Também porque — inevitavelmente — os jornais em geral já se aproximaram dos formatos narrativos que emergiram dos blogs (vistos como laboratório). Também porque um número impressionante de bloggers optou por se aproximar do estilo dos jornais, da função dos jornais — e dos modelos de negócio dos jornais. Acresce que tanto na inclusão de diferentes formatos — o multimedia: texto, imagem, video — como ao nível do design a generalidade dos blogs se aproximou desse “centro ideal” para o qual convergiram os jornais online com a adopção das “modas” triunfadoras na blogosfera. Não se trata de futurologia. Estou a descrever o presente e o passado próximo. As mudanças operadas na comunicação online nos últimos meses. Tal como fizeram Andreas Kluth (o autor do artigo da Economist que, já agora, explicou o título no seu blog pessoal), Nicholas Carr (no seu blog, bem como na Britannica) ou Paul Boutin na Wired de Novembro. Dirão — mas mudanças não significam fim. Direi — bastariam estas mudanças para justificar o título “o fim da blogosfera” numa comunicação onde se pretenda… apresentá-las, acrescidas de argumentos, para discorrer sobre este assunto. Tratando-se de mudanças relativamente profundas, embora graduais (o que serve de atenuante para os bloggers não se terem antecipado aos jornalistas no engatilhamento do assunto), faz todo sentido falar em fim de ciclo, passagem para outro nível — e contra mim falo, porque o título assim começa a perder parte da sua graça, a graça de envolver o leitor pela controvérsia. Contudo, na apresentação não me fiquei por aí. Apresentei 2 sinais — entre outros que nos rodeiam — para reforçar a tese do fim de algo mais que um ciclo. Sinais que, no caso da blogosfera portuguesa, vêm sido detectados desde 2006. Mas aflorei ainda aspectos que contribuem para tirar impacto aos blogues (e energia aos autores e leitores). O surto das redes sociais e da participação dos indivíduos nelas, bem como as alternativas editoriais como o microblogging, que é onde agora está a acção. Eis, então, os slides que suportaram a apresentação.
Faço notar que são apenas slides. O que contém são pontos de partida para as explicações orais. No geral, os factos são apresentados as is. Num caso (o slide com logotipos dos serviços, em 2004 e 2008) optei pela acentuação da diferença através do exagero. Para complemento e compreensão dos ciclos, recomendo este Hype Cycle for Social Software, da Gartner. Percebe-se onde está hoje a blogosfera: saiu da fase de desilusão (isto nos EUA: em Portugal estaremos em pleno centro dessa fase) e caminha para a fase em que se firmará como respeitável negócio, perdidos nas profundezas do Google os relatos dos pioneiros e a memória dos entusiasmos com o primeiro meme, com o link num blog de topo, com as guerras travadas “contra” os jornais.
Links Blogues - chão que deu uvas?, Manuel Pinto, dia 15 As notícias da morte da blogosfera são manifestamente exageradas, Paulo Pinto Mascarenhas, dia 14 Quem matou a blogosfera?, Sílvio Meira, dia 14 Ainda sobre a morte da blogosfera, Rogério Santos, dia 13, 09:00. Morte da blogosfera? Não creio, Rogério Santos, dia 13, 12:46 O fim da blogosfera, lá longe, Luís Rainha, dia 13. A morte da blogosfera, João Pedro Pereira, dia 12 Twitter, Flickr, Facebook Make Blogs Look So 2004, Paul Boutin, Wired de Novembro Who killed the blogosphere?, Nicholas Carr, dia 7 The “death” of blogging, dia 6 Oh, grow up, The Economist, dia 6
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November 20 2008, 9:11am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
O Twitter como o barómetro de conteúdo
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Este é um guest post da autoria de Ricardo Valfreixo (*) . Já foi dito que a blogosfera está moribunda. Não vamos “bater mais no ceguinho”. Sim, concordo, subscrevo, até comprei a t-shirt. Mas será que irá acabar? Numa simples palavra: Não! Os jornais impressos sentiram um sério embate com a massificação da informação disponível online. Mas isso não os impediu (pelo menos uma parte deles) de se manterem a funcionar. Alguns mesmo são referências incontornáveis quando se fala de acesso à informação. E, agora que se massifica o micro-blogging, não pense que o blog na sua forma tradicional está para acabar. Muito pelo contrário. As referências são incontornáveis nem que seja pelo facto de que o micro-blogging é efémero. Ou seja, a mensagem é escrita e fica perdida algures na timeline. É impensável irmos ler todas as mensagens de um determinado utilizador durante o passado ano. Por outro lado, o blogging tradicional cria conteúdo persistente. Mesmo que os editor abandonem o blog, esse conteúdo fica e permanece, indexado, pesquisável e acessível, para referência futura. Mas o micro-blogging surge-nos como mais uma ferramenta de edição e de análise. Esta, em tempo real. Muitos são os editores que se dedicaram a serviços de micro-blogging como o Twitter. Estes serviços complementam a informação online com um componente de tempo real. E novas utilidades surgem a cada dia que passa. Mas o Twitter funciona como um verdadeiro barómetro de conteúdo. Isto é: um editor coloca um novo artigo sobre um qualquer assunto. Imediatamente, anuncia no Twitter esse novo conteúdo e imediatamente, os seus subscritores (ou followers na terminologia do Twitter) começam a deslocar-se ao blog (ou site) e lêem o artigo. Se gostam, utilizam a técnica de retweet - que é uma espécie de forward, em analogia ao e-mail. A quantidade de retweets revela a qualidade do conteúdo. Rapidamente e de uma forma directa, o editor tem logo a percepção se a sua mensagem está a passar ou não. Da mesma forma, frequentemente os comentário de um qualquer artigo passam para o Twitter num tom de amena cavaqueira. Dessa troca de mensagens chegam-nos todo o tipo de informação principalmente a quantidade de conteúdo assimilado. Uma boa ideia é estar com atenção a essa desenrolar de ideias (até mesmo fomentá-lo) e criar posts de followup a complementar o post original. Dessa conversa surge até mesmo temas para novos artigos. Fica o Twitter a funcionar também como um gerador de memes. Mas um dos maiores potenciais do Twitter é o crowdsourcing. Este termo é um neologismo que significa atribuir uma tarefa a um conjunto indefinido de pessoas. Isto dito assim é muito vago, deixe-me dar um ou dois exemplos para ilustrar melhor esta ideia. A melhor das formas de o mostrar é a recente eleição para a presidência dos Estados Unidos da América. Todas as pessoas falavam sobre a eleição. A informação chovia em catadupa e seria muito difícil lê-la toda sem uma espécie de agregador. Aqui, os criadores do Twitter criaram uma outra funcionalidade que tem tanto de simples como de brilhante. Aquilo que se chamam as hash words. Ou seja, basta num qualquer comentário do Twitter colocar uma palavra marcada com um cardinal (#eleicaoUSA por exemplo) para ser simples de criar um indexador que pegue em todas as informações dispersas e as agrupe e catalogue num único repositório de dados. Basta apenas espalhar a palavra para se usar essa hash word para que todo e qualquer utilizador do Twitter passe a ser um contribuinte para este repositório de informação. Simples, directo e extremamente poderoso. O Twitter é muito útil e extremamente valioso para todos os que criam conteúdo e utilizam a Internet como seu veículo de trabalho. Serve de barómetro, fonte de inspiração e de ferramenta de networking. Todos os dias surgem utilizações novas para esta ferramenta. Das mais convencionais às mais estranhas e arrojadas, muitas são as aplicações deste serviço. Eu acredito que o Twitter e outros serviços de igual filosofia estão a mudar a face da Internet. Até onde a irão mudar, só o tempo o dirá. Autor Ricardo Valfreixo é um web developer e produtor de conteúdo para Internet. Trabalha nesta área desde 1995. Recentemente optou por trabalhar como freelancer no mercado nacional e internacional. Actualmente gere um projecto pessoal chamado minimalistic studios.
November 20 2008, 2:30am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Opel solar?
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Em Agosto, dei conta que o consórcio Joint Solar Silicon, constituido pelas empresas Evonik e SolarWorld, abriu uma fábrica de produção de silício «solar» em Rheinfelden na Alemanha, com capacidade de produção de 850 toneladas de silício «solar» por ano.Hoje ficámos a saber que a SolarWorld pretende comprar a Adam Opel GmbH - quatro fábricas da Opel na Alemanha e o centro de pesquisa em Ruesselheim -, e transformá-la «no primeiro consórcio automóvel ecológico europeu».Numa Corporate News enviada à Bolsa de Frankfurt, a empresa alemã afirma que está em condições de pagar 250 milhões de euros em dinheiro e que pretende obter mais 750 milhões de euros através de uma linha de crédito a obter com um aval do governo alemão.O anúncio surge dois dias depois de uma reunião em Berlim do governo alemão com responsáveis da Opel em que foi debatida a atribuição de um aval do governo à empresa, que está a ser afectada por uma acentuada quebra nas vendas. Merkel prometeu uma resposta do executivo antes do Natal, mas pôs a condição de qualquer ajuda à Opel reverter apenas para a empresa na Alemanha, e não para a casa mãe em Detroit, a General Motors que está em situação particularmente difícil e pode invocar brevemente o capítulo 11 da lei da falência americana.A SolarWorld tem como condição prévia para a OPA sobre a Opel a completa separação da empresa da casa-mãe, a norte-americana General Motors e exige ainda uma compensação de 40 mil euros por posto de trabalho preservado. Como a Opel tem cerca de 26 mil trabalhadores na Alemanha esta compensação seria de valor igual ao preço de compra, ou seja, se o governo alemão aceitar a proposta, a Solar World adquiriria assim a Opel a custo zero.Os porta-voz da chanceler Angela Merkel, dos ministros da Economia, Michael Glos e das Finanças, Peer Steinbrueck, afirmaram aos jornalistas que a proposta não foi ainda formalizada mas que de qualquer forma o primeiro passo deve ser dado pelo GM.Por enquanto não são conhecidas as reacções da GM, mas o porta voz da Opel, Joerg Schrott, recusou responder às questões postas pela Bloomberg sobre este anúncio. No entanto, como comentou à Bloomberg Nigel Griffiths, da IHS Global Insight:«The scope of possible options widens if there's a bankruptcy in the U.S., but at the moment I think strategically this is something that GM wouldn't contemplate right now. It's basically giving the company away for nothing.»
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November 19 2008, 7:46am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Economia do spam contradiz Eric Schmidt
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Saiu há poucas horas um relatório sobre a economia do spam que vem contradizer algumas afirmações do CEO da Google, Eric Schmidt, numa entrevista que vi por estes dias. Schmidt diz — e com razão — que “you can have a long tail strategy, but you better also have a head, ’cause that’s where all the revenue is” (em The McKinsey Quarterly). Sim — é melhor ter uma estratégia mista, sobretudo se somos uma empresa de conteúdo. E a head será sempre um bom negócio, o refinamento tecnológico só o melhorará. Mas um dos mais rentáveis negócios da Internet, que já cá anda há uns bons anos, com taxas de retorno absolutamente inacreditáveis e um movimento anual da ordem dos milhares de milhões de dólares, dispensa a head, preferindo operar exclusivamente na cauda: o spam. Um estudo citado pela BBC dá-nos conta da crua realidade por detrás desse espantoso negócio. Apenas 1 em cada 12,5 milhões de mensagens de spam obtém resposta — apurou o estudo. Um negócio assente numa taxa de resposta destas, como é possível? É possível graças aos mesmos factores que possibilitam a exploração da cauda longa e tornaram obsoletos alguns postulados económicos assentes no princípio de Pareto (e não a teoria, que de resto confirmam). O primeiro dos quais, o custo absolutamente irrisório do esforço de vendas, digamos assim. Os spammers não pagam, sequer, o processamento dos ziliões de mensagens que enviam: usam redes de computadores domésticos em que se inflitram — para o estudo foram usadas mais de 75.000 dessas máquinas comprometidas, sem que os respectivos donos dessem conta. A última vez que estimei o número de zombies no mundo, já há uns anos, era superior a um milhão — parece que agora qualquer das grandes redes de spamming tem a sua própria “quinta” com uma quantidade de “zombies” dessa grandeza. As boas notícias, se é que lhe podemos chamar assim: as conclusões do estudo apontam para uma diminuição da taxa de lucro dos operadores de spam. As más: a capacidade de inovação dos spammers sempre superou as dos que lhes dão caça, pelo que é improvável o seu recuo; o negócio é à prova de recessão: quanto mais em baixo estiverem as pessoas, mais procurarão o tipo de produtos que faz a fortuna do spam, essencialmente as drogas de compra livre. A cauda longa não tem fim. (Artigo de arquivo; publicado originalmente no Expresso Multimedia) Paulo Querido, jornalista
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November 15 2008, 2:23am | Comments »
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O Senhor Computador
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A coluna de J. L. Pio de Abreu no "Destak" de hoje:Lido com ele há 36 anos, ainda usava cartões perfurados. Quando chegou o Spectrum deslumbrei: naquela caixinha cabia a memória que antes ocupava uma casa inteira. E podia programar cálculos e tabelas que antes demoravam meses. Gastei olhos e sono. Cansado, comecei a zangar-me quando se travestiu de IBM, cheio de programas enlatados que já não podia abrir nem controlar. Era o negócio do Sr. Bill Gates.A desgraça veio depois. Os devotos do computador produziam imensos textos (à custa do copy/paste) mostravam estatísticas elaboradíssimas (sem conhecer os cálculos subjacentes) e gráficos maravilhosos (mas pouco esclarecedores). Mesmo assim, tornaram-se importantes e prepotentes. Por outro lado, quem tentava domesticar o bicho era arrasado pela competição dos enlatados do Sr. Gates. E o pior é que estes queriam ser mais inteligentes do que os utilizadores.Fui-me reconciliando com o Computador porque na escrita, no correio e na pesquisa de informação, ele trabalha por 10 ajudantes. Mas eis que os políticos descobriram que a ligação em rede podia controlar as pessoas a partir do Terreiro do Paço. Foi uma descoberta tardia mas entusiástica. Atabalhoadamente, fizeram surgir as negociatas do software à medida. E invadiram tudo e todos.Em qualquer trabalho que se preze, estamos hoje a ser vigiados e formatados pelo Computador. Não há matéria que se ensine sem que se faça download, não há sintoma observado ou medicamento prescrito que não esteja no programa, não há resposta que se dê que não conste do formulário. Agora, o Senhor Computador é o Big Brother e o Grande Educador de todos nós.J.L. Pio Abreu
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November 14 2008, 3:15am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
A corte do sucesso
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Sobre o computador Magalhães, a maior hiperstar info e blogoesférica do ano de 2008 com milhões de caracteres impressos e processados, escrevi tudo o que tinha para escrever terminando com um artigo sobre o seu indubitável sucesso. Talvez porque não me movo por uma agenda partidária ou de poder pessoal, pude dar-me ao luxo de olhar para o negócio como um cidadão comum, atento e interessado. Dái ter concluído pelo sucesso da operação — o que não significa, de todo, não ter visto os defeitos e problemas. E sucessos deste país, dada a raridade… é preciso de facto não ser capaz de sair das vistas do próprio umbigo para gastar tanta energia a diminui-los. Como a qualquer outro cidadão comum, atento e interessado, fez-me azia ver um Primeiro Ministro armado em comercial da JP Sá Couto em plena cimeira Ibero-Americana. Há pouco, via Tecnopólis, meteram-me um alka-seltzer pelas goelas abaixo. Talvez sejam os tempos modernos e neles um PM tenha de representar ainda mais papéis popularuchos e risíveis. Não sei. Nem interessa. Tomem vocês também estes alka-seltzers: http://www.flickr.com/photos/campuspartyiberoamerica/2985143882/in/set-72157608461276235/ http://www.flickr.com/photos/yamilsalinas/2988635230/ http://www.flickr.com/photos/campuspartyiberoamerica/2985143774/in/set-72157608461276235/ http://www.flickr.com/photos/campuspartyiberoamerica/2985137368/in/set-72157608461276235/ PS: já há uma prateleira de netpc na FNAC do meu burgo e a prateleira de netpc da FNAC do meu burgo apresentava esta tarde mais de um dezena de modelos de todas as marcas. A corte do sucesso.
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November 13 2008, 2:46am | Comments »






