O "Público" informa que a "Milipeia", o supercomputador da Universidade de Coimbra ao serviço de toda a comunidade científica nacional, quer crescer: ver aqui.
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UM SUPERCOMPUTADOR AINDA MAIS SUPER
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March 18 2010, 12:01pm | Comments »
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NÃO ERRAR É HUMANO
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Minha crónica no "Público" de hoje:Um jovem condutor morreu porque ia a passar no sítio errado (ao quilómetro 59,4 da auto-estrada A4, perto de Amarante) à hora errada (às 20h 25m do dia 10 de Março). Oito operários sobreviveram, apesar de feridos, ao desabamento do viaduto que estavam a construir. A probabilidade de um acidente desses acontecer era baixíssima. Devia até ser zero, pois nas obras de engenharia como esta os erros são simplesmente intoleráveis.Podía ser qualquer um de nós que ia a passar. E somos nós que, de uma maneira ou de outra, vamos pagar o que se passou. De modo que é legítimo interrogarmo-nos: Porque é que, entre nós, há mais erros do que devia haver? A resposta é simples: por não termos suficientemente interiorizada a cultura do erro, isto é, por, nas nossas profissões, nas nossas vidas, não fazermos do erro um inimigo a quem recusamos tréguas. Não prevenimos os erros. Não castigamos quem erra. E, pior, não aprendemos com o que se passou de errado.O processo de averiguar quem vai casar com a culpa, no caso de Amarante, já começou, mas infelizmente estamos habituados a que ela morra solteira. Um caso semelhante de queda de um viaduto da A15, nas Caldas da Rainha, ocorrido em 2001, no qual morreram quatro trabalhadores, demorou oito anos até ser julgado em tribunal. Em 2003, um viaduto para passagem pedonal desabou sobre o IC19, em Queluz, escassas horas após terem sido concluídas obras de reparação, fazendo, como que por milagre, apenas quatro feridos. Todos nos lembramos do alarido causado por esses graves acidentes. Mas alguém sabe qual foi a causa dos erros e quem errou? Não podemos remediar o passado, mas devíamos ter aprendido com o que se passou.O austríaco, naturalizado britânico, Karl Popper analisou, do ponto de vista filosófico, a questão do erro. E ensinou-nos que, para evitar o erro, é preciso a auto-crítica, é preciso a crítica dos outros e é preciso aceitação (mais até: agradecimento) da crítica dos outros. Quando isso não se faz, acontece o encobrimento, individual ou colectivo, do erro. E esse encobrimento, como está à vista, é a via aberta para a próxima catástrofe.O que é o erro? Como identificá-lo para melhor o prevenir? No presente contexto, trata-se de um desvio em relação a uma norma estabelecida, que se destina a alcançar um certo objectivo, tendo por base os factos conhecidos. A força da gravidade puxa para baixo a massa de ferro e betão dos viadutos em construção, mas existem planos e procedimentos bem estudados pela ciência e pela engenharia e repetidamente comprovados de modo a evitar que tal aconteça. Deve aprender-se com o que se fez e também com o que não se fez. Se existisse cultura do erro, os casos que, em Portugal, correram mal deveriam ter servido de lição às empresas de obras públicas e às instituições que gerem essas obras de modo a torná-los irrepetíveis.O recente desastre da Madeira é a este respeito muito ilustrativo. Ocorreram, evidentemente, condições meteorológicas extremas. As antigas apólices de seguro falavam dos “actos de Deus” para não cobrirem essas situações. Contudo, houve decerto maus planeamentos e más construções, antigas e recentes, que, combinadas com as más condições, originaram o desastre. Este tinha aliás sido anunciado por alguém que tinha a cultura do erro. É, por isso, patético ouvir o Presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, dizer que só caíram as obras dos outros e não as suas, ao mesmo tempo que insultava os seus críticos lançando-lhes os epítetos de “canalhas” e “intelectuais”. Tão habituados estamos às patetices, há tantos anos vindas do Funchal, que já ninguém é capaz de reagir.Voltando a Popper, que Jardim não leu: “Devemos lutar permanentemente contra o erro(…) mas não podemos nunca ter a certeza de que, mesmo assim, não cometemos erros.” Pode ser que o erro seja inevitável, mas, por isso, devia também ser igualmente obrigatória a humana tentativa de o evitar. Já sabemos que errar é humano. Mas o provérbio podia bem ser outro: Não errar é humano.
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March 12 2010, 1:30am | Comments »
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ANUNCIANDO A CORRIDA AO ESPAÇO
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No "New York Times" de hoje (secção de ciência) Dennis Overbye publicita um livro a sair em Maio com cartazes e anúncios espaciais do tempo da guerra fria. Uma amostra está em cima. Ler mais aqui.“Another Science Fiction: Advertising the Space Race 1957-1962.” It is being published on May 25 by Blast Books.O link no título do livro é para um artigo sobre a corrida ao espaço de John Noble Wilford, um jornalista que cobriu o programa Apollo.
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March 9 2010, 3:22pm | Comments »
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HUMOR ROBÓTICO 3
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- Conta-me mais coisas sobre o teu programador...
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March 3 2010, 5:57am | Comments »
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HUMOR ROBÓTICO 1
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- Será que assim ficamos lésbicas?- Cala-te e liga!
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March 3 2010, 5:52am | Comments »
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Roboparty: uma festa da Robótica
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Realizou-se em Guimarães, na Universidade do Minho, mais uma edição do Roboparty. A edição deste ano teve a participação de 440 alunos, ficando mais do dobro em lista de espera por falta de espaço no evento para acomodar tanta gente.A alma deste evento é o Fernando Ribeiro, docente da Universidade do Minho e especialista em robótica móvel. Pensou este evento tendo por imagem as lanparties muito populares no público jovem. As características do Roboparty são estas.Vejam vídeos desta grande festa da robótica nacional neste linkFotos dos vários dias do festival aqui.Parabéns Fernando Ribeiro por mais este grande evento.You're the man...:-)
March 3 2010, 3:28am | Comments »
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Professores: deixem os alunos em paz!
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O "grito" de libertação, de emancipação dos Pink Floyd já me serviu para outro ou outros textos que publiquei no De Rerum Natura. A razão é simples: ele resume exemplarmente a concepção de ensino que se produziu e imperou no século XX, e na qual se tende a insistir.Essa concepção é a seguinte: os professores não devem organizar as aulas com base na palavra, (sobretudo se a palavra for a sua), estruturar a relação pedagógico-didáctica (a relação com fins precisos de transmissão da informação e de desenvolvimento cognitivo), nem usar quadro de giz, livros ou outros documentos em papel (que são recursos tradicionais). E não devem fazer tudo isto porquê? Porque os alunos aprendem (ou seja, desenvolvem competências) ao trabalharem sozinhos ou uns com outros (ou seja de forma autónoma e colaborativa), através da pesquisa de assuntos do seu interesse vivencial e, muito importante, recorrendo às novas tecnologias de informação e comunicação.E haverá estudos que corroborem tal concepção? Sim há. Na verdade, há estudos que partem das mais diversas teorias pedagógicas, e que são desenvolvidos com a preocupação, consciente ou inconsciente, de as corroborar.Em relação ao assunto que apontei, mão amiga fez-me chegar a divulgação dum destes estudos, que me parece ser de revisão da literatura e que inclui dados relativos à aprendizagem na escolaridade básica, secundária a superior. O título do texto que li e que se apresenta de seguida, não podia ser mais sugestivo: Ensino online produz melhores resultados do que as aulas convencionais. "Os resultados deste estudo, realizado em colaboração com o instituto de investigação SRI International, revelam que 6 de cada 10 jovens que utilizam métodos de ensino online aprovam com boas notas as provas curriculares, face a 5 de cada 10 que que recorrem unicamente ao modelo tradicional de classes presenciais.Apesar do método online registar uma taxa de sucesso mais elevada, os investigadores constataram que o êxito foi ainda mais notório quando se combinam os dois modelos - online e presencial - mediante o sistema de Blended-learning.Os estudantes que recebem toda ou parte da sua formação através da internetobtêm, em geral, um melhor desempenho do que aqueles que simplesmente assistem às aulas presenciais. Esta é a conclusão de um grupo de investigadores norte-americanos do Departamento de Educação dos E.U.A., que analisou 99 estudos sobre esta temática entre os anos de 1996 e 2008.A (...) directora docente da Master.D Portugal, refere a este respeito que “as novas tecnologias de informação e comunicação oferecem enormes potencialidades ao ser humano no decurso do seu processo de aprendizagem. Entre todas as vantagens que a educação online congrega, penso que a mais importante é a criação de experiências individuais de formação que despertam o interesse e curiosidade do indivíduo e que fomentam, simultaneamente, uma maiorautonomia, espírito crítico e ânsia por novos conhecimentos.”Por outro lado, os especialistas da empresa de formação à distância Master.D, afirmam que os jovens portugueses recorrem pouco às novas tecnologias de informação como ferramenta auxiliar de estudo. “As instituições de ensino desempenham um papel fundamental na educação e formação dos alunos e devem ajudá-los a explorar as potencialidades das TIC enquanto suporte pedagógico. As novas metodologias e sistemas de ensino são fundamentais para garantir um nível de formação mais elevado e o desenvolvimento das aptidões da nossa comunidade de estudantes.”Como David Marçal explicou em texto recente, é preciso ter algum distanciamento crítico em relação aos estudos científicos: sendo feitos por pessoas, podem enfermar de erros. Neste que destaquei há pelo menos um erro de conceptualização teórica: o erro de que a aprendizagem dispensa os professores.
February 25 2010, 10:04am | Comments »
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DE NOVO OS "ACTOS DE DEUS"
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"Actos de Deus" era o nome que tinham nas antigas apólices de seguro as tragédias naturais como as cheias do Douro que estiveram na base do acidente de Entre-os-Rios ou a recentes cheias na ilha da Madeira. Mas, em geral, às circunstâncias naturais acrescem os erros humanos, por acção ou omissão. Provavelmente também existiram erros desse tipo na Madeira, tal como na ponte de Entre-os-Rios. Julgo, por isso, oportuno recuperar o meu texto "Porque caem as pontes?" que saiu no meu livro "A coisa mais preciosa que temos" (Gradiva):POR QUE CAEM AS PONTES?Desde que o homem existe sobre a Terra que vê os objectos caírem para a superfície do planeta, atraídos sem dó nem piedade pela força da gravidade. Mas só desde há cerca de trezentos anos, com os trabalhos de Galileu e Newton, é que se conseguiu, em primeiro lugar, descrever os movimentos de queda e, em segundo lugar, compreender as causas desses movimentos.Também desde que o homem existe sobre a Terra que faz edifícios e pontes de modo que eles não caiam logo. A tecnologia da construção que permitiu as pontes romanas ou as catedrais da Idade Média foi de base empírica. Construía-se e, se a construção não caísse, então... ficava de pé. Experimentava-se tal como se faz ao provar um produto culinário. O conto de Alexandre Herculano sobre a abóbada da Sala do Capítulo do Mosteiro da Batalha é elucidativo: o arquitecto Afonso Domingues teria permanecido debaixo da abóbada para se certificar da respectiva segurança. Segundo um estudioso das catedrais góticas, as construções que não caem nos primeiros cinco minutos não cairão nos seguintes quinhentos anos... Talvez seja verdade para edifícios de pedra fundados em rocha firme. Mas há excepções, como a Torre de Pisa, erguida no século XVI e emblematicamente associada a Galileu, que não caiu nos primeiros cinco minutos mas, que devido a inconsistências do solo, tem vindo a cair desde então. Não fora a tecnologia moderna que hoje a segura e cairia rapidamente.A tecnologia de fazer e manter edifícios e pontes – a Engenharia Civil – conheceu forte expansão nos séculos XVIII e XIX pelo simples facto de se ter percebido que a mecânica de Galileu e Newton, com as mais-valias introduzidas por outros cientistas como Hooke, Cauchy, Young, etc., permitia efectuar cálculos de forças e, portanto, conhecer antecipadamente a estabilidade estrutural de uma dada “obra de arte” (curiosa esta expressão usada em Engenharia Civil mesmo para as obras cuja fealdade é evidente). A física, cuja linguagem natural é a matemática, permitiu prever não só se uma obra teria a devida segurança mas também escolher os materiais mais adequados para a construir e a melhor maneira de ligar a forma com a função (assegurando uma verdadeira vertente estética). Como disse Franklin Guerra, em “História da Engenharia em Portugal”, edição do autor de 1995, o Eng. Edgar Cardoso passou de comboio na primeira travessia da sua ponte de S. João, no Porto, com a mesma segurança com que Afonso Domingues se teria colocado no centro da sala capitular (manda a verdade dizer que foi o mestre francês Huguet o provável autor da abóbada onde Herculano decidiu colocar Domingues, o arquitecto-geral da obra).No século XIX, o ferro passou a ser material de construção das pontes, complementarmente à pedra ou mesmo substituindo-a totalmente. Sintomático da importação que fizemos da Revolução Industrial chegou cá talvez seja o facto de terem sido engenheiros franceses (vide o caso de Gustave Eiffel, autor da ponte de Maria Pia, no Porto) e ingleses que projectaram muitas das pontes portuguesas erguidas nesse século (a ponte de Entre-os-Rios, em Castelo de Paiva, que desabou em 2001 não é excepção). Segundo Franklin Guerra: “Durante todo o século do ferro, o país vegetou numa quase total dependência em matérias-primas, equipamentos mecânicos e matéria cinzenta.” Claro que avançámos... mas os outros países avançaram ainda mais. Talvez seja também sintomático das nossas debilidades estruturais o facto daquela que até há pouco era a maior das nossas pontes – a Ponte 25 de Abril - ter sido erguida, durante o Estado Novo, por tecnologia norte-americana, incorporando embora uma parcela nacional. E é também elucidativo o facto de, no desastre ocorrido durante a construção da ponte Vasco da Gama, terem morrido quase só engenheiros e operários estrangeiros (os últimos africanos).A velha ponte de Maria Pia não caiu, embora tenha sido substituída pela ponte de São João. As modernas Ponte 25 de Abril e Ponte Vasco da Gama (esta última é a nossa maior e a segunda maior da Europa) aí estão impecavelmente de pé. Assim como estão no ar as outras pontes do Eng. Edgar Cardoso. Por que caiu então a ponte de Entre-os-Rios?Caiu porque nada é eterno, nem as pontes. Os materiais corroem. Os defeitos alstram. As fundações fragilizam. O remédio é estar atento e vigiar, reparar e substituir. No Porto, a ponte de Maria Pia foi substituída a tempo e, em Lisboa, a Ponte 25 de Abril tem sido reparada (de resto, tem alternativa na Ponte Vasco da Gama). O engenheiro J. E. Gordon, autor do interessante livro ”Structures or Why Things Don’t Fall Down”, Penguin, 1978, põe o dedo na ferida:“Todas as estruturas acabam quebradas ou destruídas – tal e qual como as pessoas, que acabam por morrer. O propósito da medicina e da engenharia é adiar estas ocorrências por um intervalo de tempo decente”.A ponte de Entre-os-Rios viveu mais de cinco minutos e menos do que quinhentos anos: apenas pouco mais de cem anos. Será um tempo de vida decente? Não. Foi indecente a morte que teve e as mortes que causou. O acidente, como muitos outros, foi perfeitamente escusado. Não tendo havido defeito óbvio de construção nem sendo os materiais desadequados de todo, a vigilância e a reparação da ponte foram pura e simplesmente insuficientes. Não serve dizer que a ponte foi feita há mais de um século para diligências a cavalo: a ponte de Maria Pia também não foi feita para os modernos comboios, mas foi primeiro reparada e depois substituída. Também não serve dizer que há desastres naturais imprevisíveis (“os actos de Deus”, como se dizia nas antigas apólices de seguro), pois as cheias do mesmo rio não levaram outras pontes, obviamente mais preparadas para as intempéries. O que aconteceu era, pelo menos para alguns, perfeitamente previsível. O fim da velha ponte era tão previsível que havia planos, infelizmente adiados, para erguer uma nova ponte.A queda da ponte é, afinal, um indicador da falta de cultura científica e tecnológica. Importámos a ciência e a tecnologia mas não as interiorizámos, não as colocámos de forma consequente ao serviço das nossas vidas. Confiamos demais na sorte. Ignoramos que a ciência e a tecnologia fazem previsões a respeito do mundo e que, com isso, podemos acautelar o nosso futuro. Claro que não se faz isso com absoluta certeza mas sim, o que já chega, com suficiente probabilidade. O engenheiro J. E. Gordon, muito antes da queda de pontes portuguesas, tem no livro citado uma secção intitulada “O design do engenheiro como teologia aplicada”, cuja adequação ao caso da ponte de Entre os Rios é evidente. Apesar do extracto ser longo, vale a pena trancrever:“Em quase todos os acidentes temos de distinguir dois níveis de causas. O primeiro é a razão imediata, técnica ou mecânica para o acidente; o segundo é a razão humana subjacente. É bem verdade que o design não é uma coisa muito precisa, que acontecem coisas inesperadas, que ocorrem erros genuínos, etc., mas na maior parte dos casos a razão ‘real’ de um acidente é um erro humano que se pode prevenir.Está hoje na moda supor que o erro é uma das coisas pelas quais não é justo acusar as pessoas, que, no fim de contas, fazem ‘o seu melhor’ ou são vítimas da sua educação e do seu ambiente, ou do sistema social, etc. Mas o erro oculta-se naquilo que não está na moda chamar ‘pecado’ (...) Muitos poucos acidentes ‘acontecem’ de um modo moralmente neutro. Nove em cada dez acidentes são causados não por efeitos técnicos mais ou menos abstrusos, mas pelo velho e relho pecado humano, que às vezes roça a pura malvadez.(...) São pecados sórdidos como o descuido, a inacção, o não-pergunto-nem-preciso-de-aprender, o ninguém-me-pode-dizer-nada-sobre-o-meu-trabalho, o orgulho, a inveja e a cupidez que matam as pessoas (...) Sob a pressão do orgulho e da inveja, da cupidez e da rivalidade política, só se atende às miudezas do quotidiano. As avaliações gerais, o primado da engenharia, acabam por se tornar impossíveis. As coisas tornam-se imparáveis e deslizam para o desastre à vista de todos. Assim se cumprem os desígnios de Zeus”.No rio Douro não se passou uma tragédia grega mas uma tragédia portuguesa. Passou-se uma tragédia muito nossa, que tem raízes fundas na nossa história. Se fizermos uma avaliação geral, reconheceremos tratar-se apenas e infelizmente de parte de uma tragédia maior que é a ignorância continuada das leis do funcionamento do mundo.
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February 23 2010, 5:02am | Comments »
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HUMOR: Google anunciou que vai começar a enriquecer urânio
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É mais um passo da empresa em direcção à dominação do mundo: a Google a anunciou que irá em breve começar a enriquecer urânio até 80%, mas assegura que é para fins pacíficos. "Precisamos de obter energia para o funcionamento das nossas quintas de computadores, onde estão alojados os registos das pesquisas, mensagens de correio electrónico, vídeos, fotografias, documentos, e informação geográfica de milhões de pessoas em todo o mundo. Os inimigos da Revolução da Nuvem* querem-nos destruir, mas nós não os vamos deixar. Em breve poderão todos ver na barra do lado esquerdo do Gmail a ligação para os Guardas da Revolução da Nuvem", explicou ao IP o Aiatolá Todd Jackson, do Conselho da Revolução da Nuvem.David Marçal, no Inimigo Público (IP)* Nota do repórter: referência ao Cloud Computing, ou seja a utilização de computadores portáteis no interior de aviões a jacto.
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February 22 2010, 2:43am | Comments »
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VENTO DE CAUDA
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Minha crónica saída hoje na revista "Tabu" do semanário "Sol":Sei que o Sol é cada vez mais lido em Angola por mensagens que de lá me chegam. Uma das últimas veio de um engenheiro português a trabalhar em Luanda numa empresa de construção, que me informou que, no seu grupo de trabalho, havia uma grande discussão sobre os tempos de voos de longa distância. Como fazem essas viagens várias vezes ao ano, tinham concluído que demoram praticamente o mesmo as viagens aéreas Lisboa - Luanda e Luanda - Lisboa, portanto quer se vá de norte para sul quer se vá de sul para norte, atravessando o equador em qualquer um dos casos. Mas a dúvida era sobre os tempos dos voos mais ou menos paralelos ao equador. Perguntava-me o leitor se demoraria o mesmo a ir de este para oeste, de Lisboa para Nova Iorque, digamos, ou de oeste para este, de Nova Iorque para Lisboa? Teria a rotação da Terra (que se faz de oeste para este, no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio) alguma influência sobre o tempo de voo?Na sua opinião, um avião deveria demorar menos se voasse no sentido contrário ao da rotação da Terra. Não era essa, porém, a opinião de alguns dos seus amigos. Discutiam acaloradamente conceitos físicos como os de velocidade absoluta e de velocidade relativa, velocidade angular, efeito da força centrífuga, etc. Havia já apostas de jantares e tudo. Sendo eu físico, pedia-me a resposta certa, dando razão a quem a tinha.A resposta certa é que, à latitude de Lisboa, os voos de oeste para este demoram menos do que os voos de este para oeste. É mais rápida a viagem de Nova Iorque para Lisboa (7 horas) do que de Lisboa para Nova Iorque (8 horas e 20 minutos, que é mais ou menos o mesmo que demora a viagem de Lisboa a Luanda ou vice-versa). A rotação da Terra não desempenha aqui nenhum papel até porque se ganha tempo quando se vai no mesmo sentido que o da rotação da Terra. A razão para a irrelevância do factor rotação é que a atmosfera se movimenta com a Terra, quer dizer, é arrastada pela Terra quando esta roda. Se não fosse assim, sentir-se-ia um vento terrível à superfície da Terra: no equador seria de cerca de 1700 km/h e, em Lisboa, de cerca de 1300 km/h.A ajuda vem do vento. À latitude de Lisboa, os ventos dominantes são de oeste para este. E o facto de o vento bater de cauda em vez de bater de frente ajuda a encurtar o tempo de viagem. Entre os 30 e os 60 graus de latitude norte (a latitude de Lisboa é de 38 graus norte) e à altitude das rotas dos aviões comerciais, os ventos podem ultrapassar os 200 km/h (é o chamado “jet stream”). Trata-se de uma ajuda significativa para um avião, como um Boeing 777, com uma velocidade de cruzeiro de 900 km/h.Lá terá o estimado leitor de pagar o jantar de muamba. Bom apetite para todos!
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February 19 2010, 1:00am | Comments »







