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Um padre em defesa da evolução

http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/um-padre-em-defesa-da-evoluo.html

Francisco José Ayala é o Donald Bren Professor of Biological Sciences, Ecology & Evolutionary Biology e professor de filosofia na UCIrvine. Ayala, que esteve presente no Beyond Belief 2007, é membro do President's Committee of Advisors on Science and Technology e foi presidente da American Association for the Advancement of Science, que tem como missão «desenvolver a ciência e servir a sociedade», tarefa que cumpre, entre muitas outras actividades, publicando a revista Science, a revista de Ciência mais lida no mundo.O biólogo que estuda a evolução foi igualmente padre dominicano e o último número da Scientific American- Brasil tem um perfil do ex- padre que nunca viu conflito entre evolução e fé - mas reconhece que convencer o público americano disso continua um desafio - e que considera que «o raciocínio moral, ou seja, a inclinação para fazer julgamentos éticos ao avaliar as ações em termos de bem e mal, é enraizada em nossa natureza biológica. É um resultado necessário de nossa inteligência elevada. Mas (2) os códigos morais que guiam nossas decisões como sendo boas ou más são produtos da cultura, incluindo as tradições religiosas e sociais.»Gostei de ler o perfil de Ayala, que não consegui encontrar online mas um nosso leitor do outro lado do Atlântico gentilmente nos enviou, do qual transcrevo algumas partes que considerei relevantes:«Após quase 40 anos pregando sobre a evolução para fiéis cristãos, o respeitado biólogo evolucionista da University of California, em Irvine, esmerilhou seus argumentos até ficarem bem afiados. Ele tem várias histórias e exemplos prontos, e algumas táticas de choque ao alcance das mãos. Uma entre cinco gravidezes acaba em aborto espontâneo, ele costuma lembrar nas palestras. Em seguida ele pergunta, de forma incisiva, como em uma entrevista para a revista U.S. Catholic, no ano passado: "Se Deus projetou o sistema reprodutivo humano, seria Deus o maior aborcionista de todos?". Com esses exemplos, ele explica, "eu quero combater os argumentos deles". Ayala, 74 anos, está se preparando para um 2009 excepcionalmente cheio de compromissos. O ano marca o bicentenário do nascimento de Charles Darwin e o sesquicentenário da publicação da Origem das Espécies, e a batalha entre a evolução e o criacionismo certamente recrudescerá. Ayala diz que há uma grande necessidade de que os cientistas envolvam pessoas religiosas nas discussões. Para exemplificar, ele carrega com dificuldade o Atlas of Creation, um calhamaço de 5,5kg e de dimensões de 28 x 43 cm, enviado pelo correio pelo criacionista muçulmano Adnan Oktar, da Turquia, para cientistas e museus por todos os Estados Unidos e França. O livro, ricamente ilustrado, associa a teoria de Darwin a horrores, incluindo o fascismo e o demônio. Nos Estados Unidos, o Discovery Institute, em Seattle, que promove projetos de desenhos inteligentes, publicou livros de biologia questionando a evolução e promove o filme Expelled: no intelligente allowed (2008) para argumentar que cientistas anti-darwinistas são perseguidos. A candidata republicana à vice-presidência dos Estados Unidos, Sarah Palin, defende que o criacionismo deva ser ensinado ao lado da evolução, nas escolas. Segundo uma pesquisa da Pennsylvania State University, um entre oito professores de biologia já trata o criacionismo como alternativa válida. Apesar dos esforços de engajamento por parte de cientistas e decisões constitucionais contra eles, os criacionistas e defensores da teoria do "projeto inteligente" não estão ficando mais fracos, adverte Ayala. "Eles estão se tornando, sim, mais visíveis." (...) Freqüentemente, alunos iniciantes do curso de biologia de Ayala dizem que responderão as perguntas das provas como ele deseja, mas na verdade eles rejeitam a evolução por causa de suas crenças cristãs. Anos mais tarde, depois de aprenderem mais sobre ciência, eles decidem abandonar a religião. Os estudantes parecem chegar à conclusão de que as duas abordagens são incompatíveis. Isso o entristece, diz Ayala. Ele gostaria que os fiéis conciliassem sua fé com a ciência. Extraindo o que pode dos cinco anos preparatórios para ordenação como dominicano, Ayala usa a evolução para ajudar a responder um paradoxo central do cristianismo - como um Deus onisciente, amoroso, pode permitir o mal e o sofrimento? A natureza é mal projetada - com estranhezas como pontos cegos dentro do olho humano e um excesso de dentes espremidos dentro de nossas mandíbulas. Parasitas são sádicos e predadores cruéis. A seleção natural pode explicar a brutalidade da natureza, argumenta Ayala, e remove o "mal" - um ato intencional de livre-arbítrio - do mundo vivo. (...) Ayala se formou em física pela Universidade de Madri, depois trabalhou no laboratório de um geneticista enquanto estudava teologia na Pontifícia Faculdade do Colégio de San Esteban, em Salamanca, Espanha. Quando foi ordenado, em 1960, já havia decidido seguir o caminho da ciência em vez da vida religiosa. No convento o darwinismo nunca foi visto como um inimigo da fé cristã. Assim, um ano depois, quando Ayala se mudou para Nova York para fazer o doutorado em genética, a visão predominante nos Estados Unidos, de uma hostilidade natural entre evolução e religião, foi um choque para ele. Desde então, Ayala tenta tratar do ceticismo religioso em relação à teoria de Darwin. A princípio, ele lembra, seus colegas cientistas eram desconfiados e assumiam a posição que pesquisadores não deveriam entrar em discussões religiosas. Em 1981, quando o legislativo do estado de Arkansas votou por dar ao criacionismo um espaço igual nas escolas, o sentimento começou a mudar. A National Academy of Sciences preparou um dossiê amicus curiae (amigo da corte papal) para um caso na Suprema Corte, envolvendo a "Lei da Criação" do estado da Louisiana, e pediu a Ayala que liderasse a empreitada. O livreto se tornou o Science and creationism: a view from the Natonal Academy of Sciences, de 1984. Para a segunda edição, em 1999, Ayala apresentou a idéia de incorporar as palavras de alguns teólogos, mas lembra: "Quase fui devorado vivo". Na terceira edição, publicada neste ano, uma seção apresenta declarações de quatro denominações religiosas e três cientistas sobre a compatibilidade da evolução com as crenças religiosas.»

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