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Entre Bastidores

http://terrear.blogspot.com/2009/03/entre-bastidores.html

A Escola é um microcosmos no qual se tece uma rede, visível umas vezes, invisível outras, de relações interpessoais que configura o clima da instituição. Não é fácil descrever como vai ocorrendo esse emaranhado de comunicações, já que estas têm uma natureza diversa, uma finalidade e intensidade bastante diferentes, direcções múltiplas e uma constante variabilidade que decorre da dinâmica interna e dos condicionalismos externos.Para captar essa espessa rede de relações é preciso ter em conta que a escola é uma instituição que se move entre duas realidades que configuram a sua cultura tão peculiar:a. Todas as escolas são iguais: Quer isto dizer que todas participam de determinados pontos comuns que lhes conferem uma fisionomia particular. As escolas são diferentes das empresas, associações desportivas ou culturais, igrejas ou seitas religiosas... Ou seja, toda a escola é uma instituição heterónoma, com recrutamento forçado, de articulação fraca, com tecnologia problemática, de fins ambíguos, com forte pressão social... Quer queiram, quer não, as escolas participam destas condições, destas características que as definem institucionalmente e as determinam socialmente.b. Cada escola é única: Da mesma forma, há que sublinhar que cada escola é absolutamente irrepetível. Cada uma aplica de uma forma peculiar as mesmas leis, suporta as pressões de forma diferente, entende e pratica a tecnologia, recebe os alunos com ânimos diferentes, coordena o trabalho com intensidade variável, desenvolve os fins ambíguos em determinados níveis de concretização particular... Também é verdade que cada escola tem um tamanho diferente, emprazamentos únicos, profissionais mais ou menos interessados na sua função, uma história remota e próxima que permite entender o que nela ocorre no momento presente.Desta forma lapidar começa Charles Handy o seu trabalho sobre as forças culturais nas escolas:“Cada organização é diferente. Cada escola é diferente de outra escola, e as escolas, como grupos, são diferentes de outros tipos de organizações” (Handy, 1988).Hipertrofiar uma das duas dimensões pode distorcer a compreensão, exclusivizar os modos de aproximação e de investigação e condicionar os processos de planificação, intervenção, avaliação e mudança. Pensar que todas as escolas são iguais, faz com que se unifique a forma de as entender e de as organizar. Pensar que toda a escola é absolutamente irrepetível, impede que se reconheça a incidência dos factores que a identificam como instituição social.Muitas das relações que ocorrem na escola circunscrevem-se ao processo de ensino/aprendizagem, mas muitas outras têm um conteúdo diferente e aglutinam-se em áreas de tipo emocional ou pessoal que não fazem referência ao conhecimento ou à tarefa. É difícil, a priori, dizer quais são as que têm importância e repercussão maior para cada pessoa, em cada situação.“As pessoas comunicam entre si nas organizações por uma ampla diversidade de razões. Algumas vezes procuramos informação ou assistência técnica. Outras queremos saber se algumas pessoas do nosso grupo de trabalho têm a mesma opinião que a nossa. Outras vezes apenas queremos partilhar a nossa experiência com os outros” (Mitchell e Larson, 1987).A importância da comunicação é decisiva no âmbito da educação. Não diria que para além da aprendizagem há comunicação na escola. Diria que a aprendizagem significativa da escola ocorre na comunicação, ou é a própria comunicação. Não há, a meu ver, outro conceito mais identificável com educação do que o de comunicação.A rede de relações que se estabelece na Escola não se tece apenas na sala de aula, ainda que este seja um dos principais cenários da comunicação. As entradas e as saídas, os corredores, os locais de recreio, as oficinas ou laboratórios, etc., são também teares nos quais incessantemente se confecciona este tecido composto de inúmeros fios, densidades e cores.Essa rede de relações diversas, dinâmicas, de diferente significado e intensidade, pode ser estudada desde a perspectiva tridimensional que passarei a propor, no bom entendimento de que todo o parcelamento e fragmentação não pretende mais do que ajudar na análise de uma realidade que é um todo e que não pode ser descomposta em peças sem correr o risco de perder o seu genuíno significado.No âmbito da organização escolar, os indivíduos relacionam-se entre si. Nem todas as relações são sãs na escola, nem todas são educativas. Algumas têm um carácter patológico (Kets e Miller, 1993).Miguel Santos Guerra. Entre Bastidores - O lado oculto da organização escolar. Obra citada

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