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O país opinioso

http://dererummundi.blogspot.com/2009/06/o-pais-opinioso.html

Numa altura em que a propósito da avaliação das aprendizagens e de outros assuntos educativos, surgem as mais diversas opiniões das mais diversas pessoas, publicamos um texto de João Boavida, antes publicado no jornal As Beiras.A educação é demasiado intrincada, para muitos, e excessivamente simples, para outros. Os primeiros, desistem de educar, até os próprios filhos, porque é tudo muito complicado hoje em dia, e para evitar complicações maiores mais vale não fazer nada. Os segundos, resolvem todos os problemas com duas penadas porque tudo o que não entendem ou não lhes “cabe” na cabeça, são lérias.Tanto para uns como para outros, a investigação científica é desnecessária na educação. O argumento, muito primário, é uma das modalidades mais persistentes e divulgadas do obscurantismo contemporâneo, mas aqui assumido como moderno, até por muitos intelectuais. O que significa que há ainda hoje imensas formas de anti-cientismo mais ou menos disfarçado, e tanto mais perigoso quanto mais se julga o contrário dele.O facto de haver no mundo investigadores que estudam os problemas educativos com rigor e objectividade não conta, e o ter mais de um século a investigação científica sobre problemas educativos, também não. É claro que educar será actualmente mais difícil e complexo do que noutras épocas, mas é também verdade que dispomos hoje de informações provenientes de várias disciplinas que esclarecem o fenómeno educacional como nunca houve. É certo que nem tudo em educação se pode ir buscar à ciência, que pensamento, cultura, sociedade e religião têm muito a dizer, e que a investigação em educação é muito específica. Mas isto em nada a impede, antes pelo contrário, que, mais não seja, para moderar as ideologias, que tantos prejuízos têm provocado ao ensino. Temos é de articular todos os vectores, tanto os que para a educação concorrem como os que dela derivam, isso sim.Mas não é o que acontece. Não opina sobre educação quem sabe, mas quem julga que sabe.Imaginem um país atacado por uma epidemia qualquer que, para combater o perigo, vai consultar, não os médicos, os biólogos, os químicos, os epidemiologistas e todos os que investigam nas áreas em que se pode encontrar a cura, mas os opiniosos do costume, que andam sempre perto mas nunca acertam, os que falam de tudo e têm sempre soluções eficazes, e os habituais do ecrã sempre prontos para compor o ramalhete televisivo. É provável que, no final, o problema ficasse mais confuso e fossem menores as hipóteses de o atacar com sucesso, ainda que os intervenientes tivessem feito um brilharete e que daí tivesse resultado um bom espectáculo. O que pensaríamos de uma sociedade que considerasse isto correcto?Sem trancar a porta a boas ideias vindas de fora – todas as áreas científicas deixam uma fresta aberta para elas, porque, na verdade, há boas ideias para uma área que vêm de outra ou outras áreas, é tempo de começar a pedir opinião a investigadores da Pedagogia e de diferentes alinhamentos teóricos, quando se trata de problemas educativos.Imagem: http://www.jcp-pt.org/layout/opiniao.jpg

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