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Ver, Imaginar, Agir

http://terrear.blogspot.com/2009/10/ver-imaginar-agir.html

Há uma estranha familiaridade na forma como se sucedem os projectos e as iniciativas, como se mobilizam os portugueses para o “grande desígnio”, a “grande batalha” da educação. No cômputo final, fica a constatação de um “eterno atraso”.Quantas vezes li e reli a conferência de Antero de Quental, em 1871, na Sala do Casino Lisbonense:“Dessa educação que a nós mesmos demos durante três séculos, provêm todos os nossos males presentes. As raízes do passado rebentam por todos os lados no nosso solo: rebentam sob forma de sentimentos, de hábitos, de preconceitos. A nossa fatalidade é a nossa história”?!Ele desejava que rompêssemos resolutamente com o passado. Talvez. Mas o gesto foi ensaiado tantas vezes que nos tornámos desconfiados. Sinto-me, por isso, vinculado a uma obrigação de recusa, a recusa desta história. É neste sentido que me reconheço em Antero.Recusar não é esquecer, não é negar, não é omitir. Recusar é conhecer, estudar, investigar, compreender. É tentar imaginar outros destinos.“Imaginar, primeiro, é ver. Imaginar é conhecer, portanto agir” (Alexandre O’Neill).António Nóvoa (2005). Evidentemente. Porto:ASANão me canso de reler Antero. De reler António Nóvoa.

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