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E QUE PRECISAM OS ALUNOS? Grupos de ensino flexíveis

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Agora que o pmfessor deu atenção ao currículo e às actividades de aprendizagem sob a óptica do estí­mulo e da variedade, poderá estar a pel-guntar a si mesmo: Como é que eu organizo a minha sala de aula de forma a acomodar alunos com necessidades de aprendizagem diferentes? Como será que um ensino diferenciado realmente se manifesta na sala de aula, dia após dia?Dediquemos algum tempo a rever os exemplos de sala de aula do capítulo 1 (páginas 10-11). Iremos verificar que a característica mais importante que distinguia as salas de aula de Larry Kimmer e de Marie Fuentes era o uso que faziam dos grupos. Sem chamar a atenção para os alunos que trabalha­vam em conjunto, Larry e Marie construíam peque­nos grupos com necessidades de aprendizagem semelhantes. Em outras alturas, talvez servindo-se de informação recolhida a partir do formulário de Projectos, apresentações e desempenhos, das pági­nas 40-43, agruparam os alunos de acordo com as suas preferências de aprendizagem. Ou, usando as fichas geradas pelo Inventário de interesses, das páginas 37-39, criaram grupos de aprendizagem colaborativos. Este uso flexível dos grupos de alu­nos é a essência do ensino diferenciado. Muitos professores podem, provavelmente, tel- alu­nos a trabalhar em grupo, em algumas circunstân­cias, normalmente para levarem a cabo determinadas actividades ou projectos. Dependendo da tarefa a executar, o professor pode construir os gruupos ou dei­xar que sejam os alunos a formá-los. Os grupos podem, por vezes, ser muito heterogéneos e, outras vezes, formados de acordo com as aptidões ou capa­cidades dos alunos. Os grupos flexíveis de instrução têm, porém, a intenção específica de oferecer- uma melhor adequação instrucional entre os alunos e as suas necessidades de aprendizagem. Quando o pro­fessor faz grupos de forma flexível cria grupos de instrução e prescreve actividades específicas que respondem às necessidades de aprendizagem dos seus alunos. Personalizar a aprendizagem com os grupos flexíveisOs grupos flexíveis de instrução constituem uma importante estratégia de gestão da sala de aula. Permitem que o professor personalize as activida­des de aprendizagem de acordo com as necessida­des dos alunos e, ao mesmo tempo, dá-lhe tempo para fornecer instrução adicional ou experiências de aprendizagem mais prolongadas a determinados alunos ou grupos de alunos. Os grupos flexíveis con­seguem estes objectivos sem causarem um afasta­mento da concepção da sala de aula como uma comunidade. O professor dar-se-á conta, de facto, de que os alunos se envolvem e se empenham mais, e que se sentem mais confiantes, quando participam em actividades elaboradas para ir ao enconho das suas necessidades e preferências. O tempo usado pelo professor para ensinar é usado de forma mais eficiente, porque este é capaz de responder aos objectivos de aprendizagem apropriados para todos os alunos. Os grupos flexíveis não são usados todos os dias. Esta técnica não cria grupos permanentes: as neces­sidades e as circunstâncias determinam quem traba­lha com quem. O tamanho dos grupos varia, dependendo do número de alunos com necessidades de aprendizagem similares. O tempo de actividade dos grupos varia de acordo com a complexidade da tmefa. Os grupos podem trabalho em conjunto durante um ou mais dias, durante uma aula ou várias, e podem permanecer operativos em alturas diferentes e em diferentes dias da semana. Grupos flexíveis nos pontos de fuga As melhores alturas para formar grupos flexíveis são os pontos de fuga (quando os alunos precisam de respostas alternativas à escolarização usual) que o professor anotou no seu Mapa curricular (página 72). Isto pode acontecer em dois momentos: (1) quando alguns alunos ainda não dominaram competências ou conteúdos e outros já estão preparados para seguir em frente ou (2) quando for mais benéfico para alguns alunos trabalharem numa tarefa mais avançada enquanto outros executam uma actividade mais básica. Estes momentos são pontos de fuga nos quais o professor pode agrupar os estudantes de acordo com necessidades educativas comuns. Por exemplo: > Progresso no contínuo de aprendizagem. Que alunos necessitam de mais tempo, de mais prática ou de mais instrução? Que alunos estão preparados para avançar ou para executar actividades que ampliem os seus conhecimentos? Por outras palavras, que alunos se encontram no nível fundacional formado por estes conteúdos ou competências par­ticulares e quais os que já avançaram para além deste nível? > Preferências de aprendizagem ou pontos fortes. Que alunos têm pontos fortes de aprendiza­gem corporais/cinestésicos? Quais os que são for­tes no pensamento e acção intrapessoal? Quais aqueles que preferem uma aprendizagem verbal/linguística? São aprendizes auditivos, visuais ou cinestésicos? Como é que cada aluno .. individual­mente, prefere demonstrar o que aprendeu? Comparação dos grupos flexíveis com outras estratégias de formação de grupos Os grupos flexíveis são apenas uma de várias téc­nicas que podem ser utilizadas para responder às diferenças apresentadas pelos alunos. Vejamos as diferenças entre os grupos flexíveis e outras quatro maneims de agrupar os alunos. Grupos habituais: Os alunos são agrupados de acordo com capacidades de aprendizagem gerais e não de acordo com determinados talentos ou limita­ções, por exemplo, em matemática ou língua portu­guesa, os grupos permanecem inalterados, sejam quais forem as disciplinas, todos os dias, e os alunos raramente se deslocam para fora dos seus grupos ­mesmo de ano para ano. Grupos de capacidade/aptidão: Os alunos são agrupados segundo os resultados obtidos em testes estandardizados de aptidão, de inteligência ou de capacidade. Se os grupos se mantêm inaltera­dos, em todas ou na maioria das disciplinas, este método de formação de grupos torna-se equivalente ao dos grupos habituais. Grupos de desempenho: Os alunos são agru­pados de acordo com as suas notas ou desempenho académico numa área particular - por exemplo, colocação em turmas com um ritmo de aprendiza­gem mais rápido, mais alargado ou avançado. Grupos cooperativos: Os alunos são agrupados para poderem habalhar em cooperação, pertencendo a escolha dos elementos dos grupos quer ao professor quer aos alunos. Grupos flexíveis de instrução: Os alunos são agrupados de acordo com as suas necessidades, pon­tos fortes e preferências de aprendizagem. Os grupos são alterados, com regularidade, de modo a adequar as necessidades dos alunos à tarefa a executar. É particularmente importante compreender as diferenças entre os grupos de capacidade/aptidão, os grupos cooperativos e os grupos flexíveis. Devemos ter em mente, porém, que mesmo numa turma de alunos agrupados segundo o critério de aptidão ou desem­penho, o professor pode ainda assim usar técnicas de formação de grupos flexíveis que tragam vanta­gens para os seus alunos. Neste caso, o professor terá um leque de capacidades e de diferenças de aprendizagem mais estreito do que o existente numa turma heterogénea, mas ainda detectará variações no ritmo de aprendizagem, nas preferências e nos interesses, com os quais se lidará de forma mais efi­ciente com o uso de grupos flexíveis.´Diane Heacox (2006). Diferenciação Curricular na Sala de Aula. Porto: Porto Editora

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