passando os olhos por... terrear.blogspot.com

Ensinar a quem não quer

http://terrear.blogspot.com/2009/12/ensinar-quem-nao-quer.html

Uma das chamadas obras de misericórdia alterou o clássico enunciado de ‘ensinar a quem não sabe’ para outro mais exacto e mais verdadeiro: ‘ensinar a quem não quer’. De facto, nas escolas surgem agora alunos e alunas que não querem aprender e que não estão dispostos a que haja quem o faça. ‘Ensinar quem não tem vontade de aprender é semear um campo sem o lavrar.’ Como ensinar quem não quer aprender? (Santos Guerra, 2003)Eis uma das missões (im)possíveis dos professores. Ensinar a quem não quer, na escolaridade obrigatória e mesmo no Ensino Secundário é um dos maiores desafios que se coloca à acção docente.Porque quem não quer sempre perturba a aula, ora com o tédio ostensivo, ora com a indiferença, por vezes, com o escárnio e o absoluto alheamento. Um dos maiores desafios e um dos maiores tormentos. Pois, nessas circunstâncias, o professor vê que não toca esse ser ausente, que não cumpre a sua missão de ensinar. Sente-se então um inútil e em parte co-responsável por manifesto insucesso.Como ensinar a quem não quer aprender?Inquirir das razões essa ausência; interpelar, insistir para que esse sujeito ausente volte ao círculo da aprendizagem, ligar a matéria à vida, fazer de cada aula uma oficina onde sempre se faça alguma coisa diferente da escuta passiva; variar estratégias, inventar desafios, expressar expectativas positivas e verosímeis, instalar um clima de confiança nas possibilidades de progresso; desatar os nós da indiferença, criar novos laços, mostrar a pertinência e relevânciado que se pretende ensinar (às vezes, missão bem difícil…).Para ensinar a quem não quer é preciso recorrer a todos os ensinamentos de todas as pedagogias, desde as mais antigas até às mais recentes. E sobretudo tecer os laços que possibilitem um trabalho docente mais colaborativo, onde as vozes dos professores e dasprofessoras possam emergir para dizerem o que sabem, o que não sabem, o que sentem, o que precisam. Porque, face às muitas missões (im)possíveis, nós, professores, somos a única força, o único alento, (quase o) único remédio para a sobrevivência profissional. Que bom seria que soubéssemos isso. Que sentíssemos isso. Nessa altura a nossa vida começariaa ser um pouquinho diferente e melhor.

Your favourite external commenting service goes here! I recommend http://www.disqus.com