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Uma pedagogia da sede

http://terrear.blogspot.com/2009/12/uma-pedagogia-da-sede.html

Já se sabe que não se pode dar de beber a um cavalo que não temsede. Já se sabe que o verbo aprender (como o verbo amar, porexemplo) suporta mal o imperativo. Já se sabe que um dos mais vitaisrequisitos para aprender é o querer.Então, como é que se pode ensinar a quem não quer? Desistindo do ensino e da ideia da educabilidade de alguns seres humanos? Desistindo da ideia da contínua (ainda que lenta) perfectibilidade? Desistindo de um projecto educativo que possibilite o máximo desenvolvimento possível nas várias dimensões do ser humano (cognição, emoção, relação, socialização…)? Desistir do mínimo/máximo possível significa reconhecer que não podemos ser professores. Admitir que nada há a fazer a não ser entreter e custodiar significa ter de mudar de ofício e profissão. Guardadores de rebanhos. Tomadores de conta.Para continuarmos a ser professores temos de descobrir uma pedagogia da sede e da exigência. E esta descoberta (árdua e difícil) só pode fazer-se numa lógica de cooperação entre pares, numa lógica de reinvenção dos processos de escolarização, num esforço de exigência da quota-parte de responsabilidade de todos aqueles que são responsáveis pela educação.Nos tempos que correm – da importância vital do conhecimento – temos de saber construir respostas mais inteligentes, mais solidárias, mais inovadoras. A nossa difícil salvação também passa por aqui.

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