(...) Claro que os compromissos não se limitam a regular o equilíbrio entre comunidades étnicas ou confessionais, entre famílias políticas, entre classes sociais. Os contornos da escola são objecto de negociações incessantes. Satisfazem-se os diversos lobbies disciplinares: uma hora para a informática, uma para as línguas. Procura-se encontrar um sistema que não produza fracassos de mais sem, no entanto, se ser responsabilizado por uma "baixa de nível" ou pelo "sacrifício das elites".Tomam-se em linha de conta os desejos dos empregadores, tentando não provocar a cólera dos defensores de uma cultura o mais desinteressada possível. Caminha-se em direcção às competências sem ceder nos conhecimentos. Tentam-se satisfazer o"s utentes sem descontentar os professores.A busca de compromisso é legítima. Mas como evitar que ela dê ao sistema educativo o aspecto de um patchwork de decisões incoerentes, em que cada fracção, cada grupo, recebe o suficiente para andar satisfeito por uns tempos?Não se pode recusar a negociação sem rejeitar a democracia. A questão com que os sistemas políticos são confrontados é mais a de saber como negociar sem cair num regatear sem pés nem cabeça, limitando-se a dar a cada um o que ele exige, em detrimento de uma visão de conjunto. Criando uma disciplina de opção japonês-informática, para uns, inglês-economia, para outros, a escola dá razão aos consumidores mais activos. Mas é esta a sua missão? Podem desenvolver-se compromissos sem se ser escravo das audiências nem caminhar para a fragmentação absoluta do sistema educativo, desde o início do secundário?Distinguiria duas questões:· Como construir acordos políticos sem cair na incoerência?· Como combater o medo da desordem e a obsessão do controlo que impedem as dinâmicas e os compromissos locais? inPerrenoud, Philippe (2002). Aprender a negociar a mudança em educação – novas estratégias de inovação, Porto: ASA
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A escola enquanto compromisso negociado
http://terrear.blogspot.com/2010/02/escola-enquanto-compromisso-negociado.html

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