Dito isto, professores mais conscientes da pluralidade das formas de excelência e, por isso, dos limites de validade dos seus juízos e dos efeitos traumatizantes que podem exercer, deveriam ser levados a evitar todas as sentenças sem apelo pronunciadas sobre as capacidades de alunos, globalmente caracterizadas; e nunca deveriam esquecer que, em qualquer caso, apenas julgam um comportamento pontual, escolar e parcial, e não uma pessoa tomada na sua essência ou na sua natureza. O reconhecimento da pluralidade das formas de sucesso, que liberta os professores do dever de modelar e "de avaliar todos os espíritos' segundo um modelo único, alíado ao exercício de uma pluralidade de pedagogias, que permitiria valorizar e exigir actividades e actuações diferentes (dentro dos limites dum mínimo cultural comum exigível para cada nível), poderiam fazer da escola, não um lugar de fracasso e de estigmatização para os mais desfavorecidos socialmente, mas um lugar em que todos poderiam encontrar a sua forma própria de sucesso.Para que a avalição necessária das aptidões tome a forma de um conselho de orientação, e não a de a uma sentença de exclusão, seria necessário multiplicar vias escolares socialmente e equivalentes (por oposição as carreiras hierarquizadas de hoje). Deviam ser dadas todas as facilidades institucionais aos que tivessem de passar de uma via para outra ou tornar equivalentes as aprendizagens associadas a diferentes vias. A rígidez dos trajectos obrigatórios, das fileiras irrversíveis que dá um peso quase fatal às escolhas e aos resultados escolares de exclusão, deveria ser combatida por todos os meios. A necessária consideração das diferenças (diferenças de capacidades, de ritmos de aquisição ou de formas de espírito) e a orientação dos alunos para vias diferentes deveriam ser acompanhadas de medidas que concretamente visassem - por exemplo, pela atribuição de bons professores e de aumento de qualidade - revalorizar as vias escolares que as hierarquias em vigor quer nos espíritos, quer no meio social) levam a considerar como inferiores. O percurso escolar tomaria a forma de uma especialização progressiva através da orientação para estabelecimentos pluridisciplinares, abrindo acesso a estabelecimentos mais especializados. Seria indispensável que, antes de decidir a escolha da sua especialidade, os jovens pudessem fazer estágios em estabelecimentos diversificados. Pierre Bourdieu, Propostas sobre o ensino do futuro.Um texto antológico, sempre actual.
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A Pluralidade das Formas de Excelência
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