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Roteiro para ensinar a quem não quer

http://terrear.blogspot.com/2010/05/roteiro-para-ensinar-quem-nao-quer.html

Ensinar a quem não quer é uma das missões impossíveis do professor. Porque o professor não pode aprender em vez do aluno. Porque o verbo aprender não suporta o imperativo. Porque aprender é um acto que pressupõe a vontade. Que fazer, então, num tempo em que muitos alunos parecem ter “perdido” a vontade de aprender? Enuncio, de seguida, um roteiro possível para acender a vontade, organizado segundo diversas variáveis, procurando sistematizar o que se "sabe" sobre a arte e a ciência da motivação e da implicação dos alunos nas tarefas escolares:A. Currículo e programas1. Ajustar o currículo aos contextos sociais e culturais locais2. Relacionar os conteúdos com os contextos de vida dos alunos3. Evidenciar a empregabilidade social e pessoal dos conhecimentos4. Relevar a importância das aprendizagens emocionais, relacionais, cognitivas para a vida5. Colocar o currículo e o programa ao serviço das aprendizagens dos alunos6. Incorporar as inteligências múltiplas no desenvolvimento do currículoB. Missão do professor7. Criar oportunidades de aprendizagem para cada aluno8. Recriar o currículo e o programa em função dos alunos9. Descobrir os “detonadores” da motivação intrínseca de cada aluno10. Usar o programa para que os alunos aprendam11. Usar a avaliação para que os alunos aprendam maisC. Agrupamento de alunos12. Flexibilizar o agrupamento de alunos (grupos temporários de nível, grupos de interesse similares, grupos heterogéneos)D. Gestão do tempo13. Adequar o tempo às necessidades de cada aluno (no campo das aprendizagens, no campo da avaliação…)E. Cumprimento de regras14. Clarificar as regras básicas da convivência escolar15. Implicar os alunos na construção dessas regras16. Difundir massivamente essas regras para que sejam conhecidas e interiorizadas17. Tornar claro que as acções dos alunos têm consequências e que ninguém é inimputável18. Adoptar o princípio da tolerância zero em relação à violência19. Construir, afirmar e valorizar a autoridade que preza o outroF. Organização e gestão do espaço20. Diversificar a disposição do espaço em função da actividade a desenvolver (mesas em filas, em U, em círculo, em pequenos grupos, face a face…)21. Circular pelo espaço, gerir múltiplas interacções, observar o trabalho dos alunos em contexto de sala de aula (o professor como organizador de situações de aprendizagem)G. Métodos e técnicas de ensino22. Diversificar os métodos de ensino (dentro de cada aula, de aula para aula): breves exposições, trabalho de pares, trabalho individual, trabalho de projecto, breves debates, trabalho de pesquisa, …)23. Recorrer pontualmente à tutoria entre alunos24. Criar oportunidades para que os alunos escrevam a sua vida (e a partilham quando quiserem)25. Organizar situações de aprendizagens dentro e fora da sala de aula que sejam distintas e situadas na “zona de desenvolvimento próximo” de cada aluno (suficientemente exigente, não fácil, mas não situada numa “zona” que o aluno não possa realizar)26. Ligar o ensino à vidaH. Relação pedagógica27. Gostar do outro (gostar das pessoas que moram nos alunos)28. Escutar os alunos29. Acreditar que todos os alunos podem aprender30. Criar oportunidades para que cada aluno tenha (pequenos) sucesso31. Celebrar os pequenos sucessos32. Dar feedback frequente e orientador33. Conhecer o percurso escolar de cada aluno34. Conhecer o contexto de vida dos alunos35. Inspirar os alunos para que se auto-motivem36. Gostar da matéria que lecciona37. Respeitar as singularidades e as diferenças38. Exigir na medida máxima do possívelI. Relação escola-família39. Usar o “TPC” para implicar a família na valorização da escola40. Contratualizar as regras básicas da escolarização41. Convocar a família (também pelos bons motivos)J. Modalidades de avaliação42. Privilegiar a avaliação formativa e formadora ao serviço das aprendizagens43. Usar a avaliação sumativa e a classificação para estimular os alunos44. Encontrar sempre no que aluno realiza algo que possa ser valorizadoK. Instrumentos de avaliação45. Diversificar os instrumentos de avaliação (prova oral, prova experimental, prova escrita, projectos de diversa natureza…)46. Reconhecer que o uso predominante dos testes escritos cria diversas injustiças escolares e gera insucesso nos alunos menos competentes nesta área.©JMA, 9 Maio de 10

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