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A matemática básica não é “superficial”

http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/matematica-basica-nao-e-superficial.html

Liping Ma era professora na China quando começou a interessar-se pelo modo como o ensino se deve organizar para que a aprendizagem seja bem sucedida. Querendo saber mais acerca do assunto, foi para os Estados Unidos da América, tendo ali percebido uma coisa extraordinária: o desempenho dos alunos chineses era superior ao dos americanos, apesar de a sua formação ser mais reduzida.O que estudou permitiu-lhe conjecturar que os professores das duas nacionalidades se distinguiriam no conhecimento e na compreensão dos conteúdos matemáticos, na atitude face à Matemática, e no ensino em sala de aula. Para testar esta conjectura, resolveu explorar as suas práticas, recorrendo, para tanto, a entrevistas, nas quais solicitava aos professores que explicasse como ensinavam quatro operações elementares: subtracção, multiplicação, divisão por fracções e relação entre área e perímetro.Observou Ma que os professores chineses tinham, em geral, um profundo entendimento da Matemática e da sua estrutura conceptual, bem como a preocupação de explorar com os alunos a fundamentação lógica dos algoritmos e de controlar a sua aquisição. Observou, em contrapartida, que muitos professores americanos, além de não assinalarem e corrigirem certos erros dos alunos, facultando a sua persistência e consolidação, cometiam, eles próprios, erros. Estas diferenças revelaram-se mais evidentes em relação às duas últimas operações referidas.A atitude dos docentes não se afigurou menos interessante: enquanto os chineses tendiam a demonstrar pensamento matemático e linguagem de especialista e a agir como tal, os americanos tendiam a adoptar uma postura leiga, nem sempre conseguindo explicar as regras com que lidavam. Enquanto estes recorriam a uma abordagem predominantemente procedimental, que, em alguns pontos, se mostrou fragmentada; aqueles conciliavam tal abordagem com a conceptual, e faziam-no com sofisticação e coerência.Estas e outras observações levaram a investigadora a formular algumas sugestões para melhorar a aprendizagem da matemática. Uma delas é o aperfeiçoamento do ensino nos aspectos antes explicados, o que requer programas de formação inicial e contínua, que proporcionem aos professores o domínio seguro dos conteúdos a leccionar e da pedagogia e didáctica requerida para tanto.Papel complementar, deverão assumir as instâncias superiores de decisão, estabelecendo orientações curriculares inteligíveis e operacionais, e as escolas, proporcionando ambientes onde seja viável um trabalho de exploração pormenorizada dessas orientações e das que constam nos manuais escolares (que terão, naturalmente, de ser de grande qualidade).A investigação de Ma e as recomendações a que conduziu são tanto mais relevantes caso se reconheça, como ela faz questão de notar, que a Matemática básica não é “superficial” nem “comummente compreendida”.Assim sendo, a qualificação dos professores, que se traduzirá na sua competência, constitui um factor crucial nas aprendizagens escolares. Não é por acaso que o livro que publicou, onde explica a sua investigação" tem por título Saber e ensinar matemática elementar.

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