A minha coluna Passeio Publico, Jornal de Notícias, 19 de Maio de 2010.Acredito firmemente que é nas cidades que deve ser colocado o foco do desenvolvimento no século XXI. É nas cidades que podemos reforçar as nossas vantagens competitivas como país, isto é, é no seu desenvolvimento equilibrado e sustentável que pode ser encontrado o reforço da nossa economia. E o problema não é essencialmente de infra-estruturas, ou seja, de obras e de betão, mas especialmente de conteúdo e actividade.Nas cidades, assim como no país, faltam objectivos estratégicos. É isso que tem permitido o desenvolvimento desequilibrado do país, concentrando a cada vez menor riqueza gerada nos locais com maior poder político, e reduzindo enormemente a nossa capacidade competitiva.É urgente inverter esta marcha. As cidades têm de produzir, criar riqueza, reforçar as suas capacidades humanas e empreendedoras para que possam desenvolver dinâmicas geradoras de actividade e valor.O objectivo de uma cidade não é só ter qualidade de vida (como parece ser o lema da grande maioria dos autarcas, que medem a sua acção pela quantidade de obra que realizam), atraindo o consumo, mas justamente usar a qualidade de vida que for capaz de desenvolver como vantagem competitiva para a geração de riqueza que é a sua verdadeira razão de existir.Consequentemente, os objectivos das cidades devem ser essencialmente os do dinamismo e da criatividade (cultural e económica), tendo os aspectos da qualidade e segurança como condições básicas para os atingir.Este deveria ser o nosso objectivo a médio e longo prazo. Reforçar o papel das cidades, incentivando o funcionamento em rede que evitasse multiplicação de meios e infra-estruturas incentivando a sua partilha e racionalização, fomentando a diferenciação potenciadora de sinergias e reforço de competências, dinamizando o desenvolvimento equilibrado do país como forma de tirar partido das nossas potencialidades como nação.Um plano bem montado teria ainda a capacidade de mobilizar as pessoas, pois elas sabiam com clareza que os seus esforços locais eram bem entendidos, cabiam num plano nacional de desenvolvimento e tinham um contributo visível no sucesso do seu país. E todos sabemos quão importante é a motivação das pessoas, a sua mobilização, para enfrentar dificuldades e realizar politicas de desenvolvimento a médio e longo prazo. E seria muito mais claro e racional decidir como e onde investir.Uma nova estrada, uma nova ponte, uma nova infra-estrutura de transporte rápido, uma infra-estrutura científica ou cultural, etc., seria sempre encarada numa perspectiva nacional e justificada tendo por base o objectivo estratégico de desenvolver essa rede nacional de motores de desenvolvimento que são as cidades. E a cada investimento teria de estar sempre associada uma estratégia de dinamização que permitisse a todos perceber para que serve, como vai ser rentabilizado e como se insere no todo nacional.Portugal tem as infra-estruturas básicas de que precisa. As próximas, aquelas que forem consideradas necessárias, têm de ser justificadas com base num plano de desenvolvimento nacional equilibrado que seja reconhecido pelos cidadãos nacionais como aquilo que querem para o seu país.
passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
As infra-estruturas básicas existem. Tirem partido delas.
http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/as-infra-estruturas-basicas-existem.html

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