DeCharms (1976, 1984) estudou em profundidade o efeito que tem sobre a aprendizagem e o rendimento o facto de que todos -também as crianças- persigam como meta básica a experiência de atuar autonomamente. Este autor parte, em seus propostas, do facto frequentemente observado, de que quando os alunos realmente aprendem e conseguem o que se propõem é quando encaram uma tarefa movidos desde dentro, porque eles querem. Por esta razão, deCharms pensa que nada muda de uma hora para outra, por muito que se pressione de fora, se não se quer mudar, e considera que a mudança em profundidade somente se produz se o sujeito assume como próprios os objetivos a serem atingidos, o que lhe faz sentir-se autónomo ("origin"), e não, se assume tais metas obrigado, o que lhe faz experimentar a sensação de ser como um marionete ("pawn"). A partir da proposta anterior, deCharms manifestou que se pode fazer muito para facilitar a percepção de autonomia no contexto escolar. No Projeto Camegie (deCharms, 1976), após mostrar de forma prática, a um grupo de professores e alunos de raça negra, as repercussões que apresenta o facto de sentir-se autónomo ou como um marionete, ajudou-lhes a desenvolver seu próprio programa para motivar as crianças, programa que foi aplicado com êxito durante dois anos, com alunos de nível equivalente aos do Ciclo Superior de EGB (Ensenanza General Básica equivalente ao ensino básico (1º e 2º ciclos) em Portugal). Os professores implicados no programa, como grupo, assumiram a responsabilidade de desenvolver um conjunto de tarefas para facilitar às crianças a tomada de consciência de uma série de realidades, tais como: 1) suas próprias motivações; 2) a necessidade de ser sensível ao direito e à necessidade que os demais têm de ser autónomos; 3) o que significa aprender e a satisfação que isso comporta; 4) o que significa ser autónomo, comparado a ser marionete; 5) como se pode incrementar a própria autonomia, impondo-se metas realistas e trabalhando para a sua consecução; e 6) a importância de assumir a própria responsabilidade.Ao mesmo tempo, incrementaram as ocasiões de opção e modelaram a forma de atuação que pretendiam ensinar, de acordo com as pautas aprendidas durante a fase em que eles haviam sido treinados. Com tudo isso, conseguiram que os alunos melhorassem sua motivação e seu rendimento. Tudo isso põe em evidência a importância de assegurar a consecução da experiência de autonomia como condição necessária - ainda que não suficiente - para melhorar a motivação e a aprendizagem. Obra citada infra
passando os olhos por... terrear.blogspot.com
A experiência de autonomia como meta básica
http://terrear.blogspot.com/2010/05/experiencia-de-autonomia-como-meta.html

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