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EGAS MONIZ E EINSTEIN

http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/egas-moniz-e-einstein.html

Minha crónica na revista "Tabu" do semanário "Sol" de hoje (na imagem: retrato de Egas Moniz por José Malhoa; as mãos mostram a gota de que o médico padecia e que o impedia de operar, o que era feito por um dos seus assistentes):Quem, na A1, sair em Estarreja estará muito perto da Casa-Museu Egas Moniz, em Avanca, o elegante palacete onde o nosso único Prémio Nobel em Ciências passou primeiro a sua infância e mais tarde as férias. A Câmara Municipal tem cuidado tanto do edifício como do seu recheio, onde, além de instrumentos e imagens científicas, chamam a atenção as numerosas peças de arte que o sábio reuniu, que vão desde porcelana de Sèvres e Companhia das Índias a quadros de José Malhoa e Silva Porto.Nascido em 1874 e falecido em 1955, António Egas Moniz era, do ponto de vista artístico, um homem do século XIX, um conservador num século em que tanto a ciência como a arte eram abaladas por novas correntes. No cume dos seus pintores preferidos encontrava-se José Malhoa (no ano em que morreu publicou o ensaio A folia e a dor em José Malhoa) e no píncaro das suas preferências literárias encontrava-se Júlio Dinis (escreveu o livro de referência Júlio Dinis e a sua obra). Nem a pintura nem a literatura do século XX conseguiam recolher os seus favores.Moniz neste aspecto não está sozinho. Um outro Nobel da ciência com gostos pouco ou nada modernos é Albert Einstein, que nasceu cinco anos depois de Moniz e morreu no mesmo ano. As suas carreiras são paralelas, uma vez que o físico suíço nascido na Alemanha acaba o curso em 1900 apenas um ano depois do médico português (o curso de Medicina demorava oito anos, pois havia que fazer três anos de preparatórios em ciências). Einstein faz o doutoramento em 1905, cinco anos depois de Moniz defender a tese A Vida Sexual na Universidade de Coimbra (o Estado Novo haveria de proibi-la, permitindo a sua venda apenas com receita médica). Em 1911 Einstein chega a cátedra na Universidade de Praga e o mesmo acontece com Moniz na recém-fundada Universidade de Lisboa. Uma diferença entre os dois currícula reside na precocidade dos trabalhos de investigação do físico, com pontos altos em 1905 e 1916, ao passo que o médico só enveredou pela investigação depois de ter desistido de uma carreira política (durante a qual chegou a ganhar um duelo à espada a Norton de Matos), tendo atingido os seus pontos altos em 1927 (angiografia) e 1935 (leucotomia). Não admira, por isso, que o Nobel de Einstein tenha sido atribuído muito antes do de Moniz. Einstein, que preferia a música às outras artes, era, nessa área, extremamente conservador, não indo o seu gosto muito além de Bach e Mozart. Quando muito Schubert.Moniz e Einstein não são os únicos revolucionários científicos que ignoraram as revoluções artísticas. Basta visitar a Casa-Museu de Freud, em Viena, para verificar que o criador da psicanálise, que Moniz introduziu em Portugal e de quem Einstein foi amigo, era algo antiquado em questões de arte...

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