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O luto da liberdade na relação pedagógica

http://terrear.blogspot.com/2010/06/o-luto-da-liberdade-na-relacao.html

Diferenciar é aceitar enfrentar com mais frequência, de forma mais intensiva e mais metódica, os alunos menos gratificantes: os que resistem, "não jogam o jogo", não querem ser ajudados, às vezes abusam da confian­ça que se tem neles. Os que apresentam muitas lacunas, bloqueios, handi­caps que não sabemos por onde constituir ou reconstituir um mínimo de identidade positiva e de vontade de aprender, nem em que bases construir ou reconstruir aprendizagens. Os desagradáveis, indisciplinados, agressi­vos, fugidios, preguiçosos, lunáticos, negligentes, sujos ... É claro que, no ensino público, um professor aceita as classes que lhe são destinadas, mas conserva uma importante margem de manobra nas in­terações mais individualizadas. Diferenciar é colocar essa margem, inte­gralmente, a serviço dos alunos mais desfavorecidos. É enfrentar a diferen­ça em suas aparências menos abstratas, distâncias culturais e pessoais, con­flitos, rejeições. Portanto, é aceitar trabalhar consigo mesmo, com precon­ceitos e imagens do aluno aceitável (Perrenoud, 1994b, 1994c). Perrenoud, Obra citadaAinda que a liberdade não seja fazer aquilo que nos apetece fazer. Há uma dimensão ética no exercício da liberdade pedagógica. E sobre esta não é preciso fazer qualquer luto.

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