Arriscaria afirmar que, nas últimas duas ou três décadas, quando nos reportamos às reformas educativas, a corrente pedagógica que mais se destaca é o construtivismo.Mas o que é o construtivismo? É uma teoria científica? É uma filosofia? É uma ideologia? É um conjunto de pressupostos que se abrigam numa designação? É uma metodologia? É uma forma de ver a educação? É isto tudo? Não é nada disto?A verdade é que os mais diversos autores que se têm pronunciado ponderadamente sobre o assunto não arriscam uma resposta inequívoca. É o caso de Prawatt (1996) que diferencia o construtivismo em função de dois tipos de ancoragem epistemológica – pós-moderna ou moderna – e da orientação psico-pedagógica que lhe subjaz – cognitivista ou social e pessoal.Esta dupla diferenciação permite-lhe apresentar uma lista de seis “tonalidades” construtivistas, advertindo para o facto de elas não esgotarem o que se diz e o que faz em termos de ensino. Mais diz, que essas "tonalidades" podem apresentar contradições evidentes.Assim, podem duas pessoas definirem-se como construtivistas e defenderem princípios educativos e modos de os operacionalizar distintos, opostos, até.Nesta lógica se compreende a publicação de um pequeno livro que me chegou às mãos e que se intitula Construtivismo: grandes e pequenas dúvidas. São "setenta pontos trocados por miúdos", para esclarecer sobretudo os educadores brasileiros, aos quais é, em primiro lugar destinado.54) Há reprovações no construtivismo? Em caso positivo, o fracasso não seria do professor?É verdade que ainda há “reprovações” no construtivismo, mesmo quando dissimuladas. Embora o fracasso e os altos índices de reprovação marcantes nas décadas de explosão construtivista, tenham mobilizado para a adesão a um projecto alternativo, continuam ocorrendo fracassos preocupantes (...)É preciso não relaxar com aparente sucessos (…) Temos acumulado indicadores nacionais e internacionais preocupantes no que diz respeito à proficiência em leitura e escrita, em níveis de ensino que já deveriam apresentar essas capacidades consolidadas. Os baixos índices de alfabetismo funcional, ao término do ensino fundamental, são exemplos desse insucesso.(…) as “promoções automáticas” são tão maléficas quanto as reprovações, pois alertam para os fracasso dos professores e do sistema. Elas foram fortemente responsáveis por estas estatísticas de sucesso de sistemas de ensino, ocultando fracassos singulares dos nossos alunos. E é exactamente essa prerrogativa importante que precisa ser retomada com consciência – a avaliação do desempenho dos alunos, para que as escolas e os sistemas reavaliem suas condutas pedagógicas e reorientem processos e decisões em sintonia com o sucesso.Referências completas:- Bregunci, M.G.C. (2009). Construtivismo: grandes e pequenas dúvidas. Belo Horizonte: Ceale, pp. 42-43.- Prawatt, R. S. (1996). Constructivisms, modern and postmodern. Educational Psychologist, 31 (3/4), pp. 215-225.
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Há reprovações no construtivismo?
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