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O VELHO ZIRCÃO (3)

http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/o-velho-zircao-3.html

António Piedade continua série de artigos sobre zircão, que tem saído no "Despertar":Os elementos não permanecem eternamente no mesmo estado.O mesmo é dizer que, caso conseguíssemos viver bilhões de anos, ou seja, uma eternidade de tempo humano (mas apenas alguns instantes na escala cósmica), sofreríamos um processo de erosão por irradiação de energia, que mudaria progressivamente a nossa composição elementar.E isto porque somos feitos de uma argamassa espantosa de diversos elementos atómicos e estes tendem a transformar-se em outra entidade elementar e em energia radiante. A forma como se transformam no tempo, fornece-nos uma ferramenta analítica preciosa, uma espécie de cronómetro com um código de barras associado (que pode ser colorido – espectro visível), muito útil para “medir" o tempo que passou desde a sua última transformação.O que se passa é que os átomos que agitam o Universo são forjados nos cadinhos ou “úteros” das estrelas, fruto de reacções de fusão e cisão atómica, em que partículas subatómicas se agregam e desagregam consoante o balanço entre várias forças, temperaturas e pressões que também variam com o tempo. O maravilhoso, é que esta aparente “confusão” pode ser e é descrita por leis científicas. Uma vez descobertas e formuladas, estas leis permitem-nos descrever e prever a história natural de um determinado átomo.Mas, retomemos algumas noções sobre a natureza dos átomos antes de prosseguirmos. O modelo atómico que actualmente melhor descreve os factos e dados que possuímos sobre a constituição íntima da matéria, “diz-nos” que todos os átomos são formados por diversas partículas subatómicas com propriedades distintas. Em geral, um átomo é constituído por um núcleo composto por protões (partículas com carga positiva) e neutrões (partículas sem carga eléctrica mensurável), e que se mantêm agregados devido a forças nucleares fortes. Ao redor deste agregado que compõe o núcleo atómico e responsável pela massa atómica, “encontram-se” os electrões nas designadas nuvens electrónicas. Os electrões são partículas elementares e apresentam uma carga eléctrica negativa e a sua massa é desprezível relativamente ao das outras partículas nucleares referidas. O número atómico de cada elemento é definido pelo número de protões que, no átomo neutro, é igual ao número de electrões distribuídos probabilisticamente em nuvens electrónicas. A massa do átomo é depende do número de protões mais o número de neutrões de cada átomo. É na combinação e número destas partículas associadas, não aleatoriamente mas devido às propriedades da matéria e da energia, que surgem as diferentes “combinações” características dos elementos químicos.Os cientistas sabem hoje muito mais sobre o comportamento do hidrogénio (H, número atómico 1 – um protão, zero neutrões), do que sobre o zircónio (Zr, número atómico 40 – 40 protões, 51 neutrões). Mas o que sabem sobre o Zr e outros elementos mais pesados, tais como o urânio (U), o tório (Th) ou o chumbo (Pb), tem-se mostrado suficiente para podermos ler, pelo menos, os contornos da história “geobiológica” da Terra e, mais recentemente, de outros planetas distantes. Mas como?(continua)António Piedade

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