Já na década dos 70, quando começam os estudos sobre a implementação da mudança planificada, manifesta-se que “a política educativa não pode prescrever o que realmente importa” (policy cannot mandate what matters). Como conclui uma das protagonistas (McLaughlin, 1990:12) dos estudos sobre implementação:“Para a política é sumamente difícil mudar a prática educativa, especialmente através dos distintos níveis do governo. Em lugar de uma suposta relação directa entre política e prática, a natureza, o grau e o ritmo com que se produz a mudança na escola é consequência de factores locais que escapam ao controlo dos responsáveis políticos da administração educativa”.Nos anos 70, quando se analisa a concretização de projectos inovadores externos, aparecerá amplamente documentado o fracasso (Fullan e Pomfret, 1977), por estes terem ignorado a sua implementação ou desenvolvimento junto dos factores culturais e institucionais. As inovações adoptadas têm-se ficado ao nível da superfície, têm mudado a linguagem e algumas estruturas, mas não têm conseguido alterar a prática do ensino. Constata-se que o modo como é percebida a mudança por aqueles que a vão desenvolver, condicionará o que realmente possa acontecer na prática. Importará, por isso, o denominado “significado (meaning) da mudança”, como intitulou Michael Fullan o seu livro de 1982. Por sua vez, os factores contextuais afectam igualmente o possível uso da inovação.O que tem de mudar não se pode prescrever, porque as mudanças na prática dependem do que pensam os professores. Esta dimensão pessoal da inovação significa que, em último extremo, a mudança se dirime no que os sujeitos sejam capazes de pensar e fazer com ela. Por isso não é possível pensar e promover de modo gerencialista a melhoria escolar. Desde esta abordagem, tratar-se-á de fazer uma fenomenologia da mudança educativa, investigando o significado que, numa situação organizativa e com uma política curricular determinadas, tem um dado curriculum para os participantes (professores e alunos), compreendendo os significados atribuídos às acções realizadas, as adaptações que têm feito da inovação e como tem sido “vivido” pelos agentes. O tema central da investigação será compreender os processos de reconstrução, redefinição e filtragem que uma inovação sofre até ser posta em prática, num processo de “adaptação mútua” e mediação entre duas culturas.Antonio BolívarUM OLHAR ACTUAL SOBRE A MUDANÇA EDUCATIVA: ONDE SITUAR OS ESFORÇOS DE MELHORIA ?in Leite, Carlinda e Lopes, Amélia (org.)(2007). Escola, Currículo e Formação de Identidades. Porto:ASA
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Desenvolver a Melhoria dos Processos e Resultados Educativos - A Ruptura que é preciso fazer
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