Do meu livro (esgotado, ao que julgo saber) "A coisa mais preciosa que temos" (Gradiva) recupero o texto sobre "2001 Odisseia no espaço", escrito precisamente em 2001, vai fazer dez anos:Foi em 1978 que se estreou o filme de Stanley Kubrick “2001 Odisseia no Espaço”. Passou muito tempo. Mas chegou, ao fim de 33 anos, o ano de 2001, aquele que decorre a acção escrita por Arthur Clarke e Stanley Kubrick. Já em 1984 tinha chegado o ano em que George Orwell colocou o seu romance com o mesmo título. O futuro, anunciado pelo cinema e pela literatura, continua pontualmente a chegar.Que semelhanças há entre a ficção científica e a acção científica? Muitas. Não esqueçamos que o físico inglês Sir Arthur Clarke, residente desde há muito no Sri Lanka, participou na construção do primeiro radar, integrado numa equipa da Royal Air Force, durante a Segunda Guerra Mundial. Na sua imensa produção bibliográfica equilibram-se as obras de ficção e as de ensaio. No filme “2001” uma nave com astronautas a bordo começa por se deslocar à Lua. A mesma viagem espacial não demorou praticamente nada depois da estreia do filme a acontecer na realidade. Os astronautas da “Apollo 8”, que foram os primeiros a efectuar uma viagem em órbita da Lua, em Dezembro de 1978, já tinham visto o filme quando partiram para o espaço. Disseram mais tarde que estiveram quase a anunciar para a Terra a descoberta de um monólito no solo lunar, numa brincadeira sugerida pelo filme... Em 1969, o norte-americano Neil Amstrong pisou o solo lunar sem ter encontrado nenhum monólito.No filme, o monólito acaba por indicar o caminho para Júpiter (na novela de Clarke, para o outro gigante do sistema solar, Saturno). E, se o leitor se bem recorda -- se não se recorda, ponha a cassete vídeo ou o DVD no aparelho de leitura --, é nessa altura que o computador HAL (repare-se que as iniciais são as que seguem alfabeticamente às de IBM), perante uma avaria na antena, procura tomar o comando da nave, revoltando-se contra os humanos. Diz o robô para um dos astronautas: “Sorry to interrupt the festivities, but we have a problem” (“Desculpem interromper a festa, mas temos um problema”). Em 1970, sabemos o que aconteceu com a “Apollo 13” (a falha deu, de resto, um outro filme). Um astronauta real transmitiu por rádio para a sala de controlo: “Houston, we have had a problem” (“Houston, tivemos um problema”). Coincidência ou não, o módulo de comando chamava-se “Odisseia” e, pouco tempo antes do acidente, a tripulação tinha estado a ouvir o famoso tema do filme, “Also Sprach Zarathustra”, de Richard Wagner. Clarke comenta no epílogo a uma reedição do livro “2001” que se sentiu quase co-responsável pela situação real de crise...As luas de Júpiter e de Saturno seriam fotografadas pela sonda “Voyager 2”, lançada em 1977, nas vésperas do filme. Em 1979, essa sonda, não tripulada (como se o robô HAL tivesse razão ao querer tomar conta sozinho dos destinos da nave ficcional), passava pelas quatro luas mais próximas de Júpiter: Iô, Europa, Ganímedes e Calisto. Em 1981, a “Voyager 2” chegava a Júpiter e às suas luas: Mimas, Iapetus, Titã, etc. (são muitas e parece que ainda não acabou a sua conta). Em 1995, a sonda “Galileo”, lançada em 1989, chegava a órbita de Júpiter, apesar de uma avaria numa das suas antenas. Hoje, a nave “Cassini”, lançada em 1997, vai a caminho de Saturno e das suas luas, onde chegará em 2004. Os sete longos anos da viagem, depois de usar a ajuda gravitacional de Vénus (um efeito que Clarke incluiu premonitoriamente nos seus escritos), indicam-nos que Clarke e Kubrick tinham razão quando colocaram os seus astronautas a hibernar enquanto não chegavam a Júpiter.As missões de exploração do sistema solar exterior não são tripuladas. Só são tripuladas missões orbitais perto da Terra, como a estação espacial internacional, que está a ser construída num esforço conjunto de americanos, russos e europeus. Nos anos 80, a estação espacial norte-americana “Skylab” colocada em órbita da Terra, tinha uma forma circular que não era muito diferente da nave “Discovery”, inventada por Clarke para “2001”. Ao contrário desta, porém, não rodava constantemente para manter uma gravidade artificial. Mas isso não impediu os astronautas a bordo de filmarem uma sequência de corrida na “Skylab” bastante parecida com um “take” do filme 2001. As imagens foram, evidentemente, sonorizadas com a música retumbante de Richard Wagner.O filme de Kubrick é praticamente perfeito. Há só um pequeno erro: um amigo físico e cinéfilo contou-me que o líquido no interior da palhinha de um dos astronautas cai no filme, apesar de as condições serem supostamente de imponderabilidade... O rigor do guião de Clarke e da câmara de Kubrick encontra inspiração no rigor com que a NASA planeia e executa as suas missões. Ou não será antes ao contrário: que os engenheiros da NASA se inspiraram em Clarke e Kubrick?Stanley Kubrick, entretanto falecido, habituou-nos a realizar uma e uma só obra-prima de um dado género cinematográfico e, depois da realização de “2001”, abandonou de vez o género de ficção científica. Mas Clarke insistiu no tema, e escreveu “2010 Odisseia 2”, que foi passado ao cinema pelo realizador norte americano Peter Hyams (a película estreou-se em 1984). A correspondência electrónica entre o escritor no Sri Lanka e o realizador em Los Angeles, feita em computadores pessoais primitivos, está registada em livro (“The Odyssey File”, Arthur Clarke e Peter Hyams, Panther Books, 1985). Em “2010” continua a acção de “2001”: tratava-se agora de colonizar Júpiter. Mas o tempo é de guerra fria. Os russos lançaram a nave “Leonov”, atrás da “Discovery” (há, na realidade, um marechal Alexei Leonov, cosmonauta e herói da ex-União Soviética). A “Leonov” chega à “Discovery” (o que faz lembrar os encontros entre a “Soyuz” e a “Apollo”, em que o astronauta Leonov participou). As duas expedições acabam, depois de várias peripécias, por cooperar. No final, Júpiter, por acção dos estranhos monólitos, acaba por se transformar numa estrela, um segundo sol (de facto, se Júpiter fosse bastante maior do que realmente é o sistema solar teria duas estrelas, o que não seria nada favorável para a estabilidade da órbita da Terra e, portanto, para o desenvolvimento de vida no nosso planeta). Uma enigmática mensagem chega entretanto aos russos e americanos: “Todos estes mundos serão vossos excepto Europa: usai-os em conjunto, usai-os em paz”. Os russos tinham recebido sinais da lua Europa que pareciam indicar a presença de vida e fica-se na dúvida sobre a existência ou não de vida nessa lua.Vida numa lua de Júpiter? Nada mais actual, numa altura em que é anunciada, a partir de registos recolhidos e enviados pela sonda Galileo, a possibilidade de haver água líquida, e hipoteticamente vida, em Ganímedes, uma lua de Júpiter. A realidade é, por vezes, mais estranha do que a ficção. Claro que falta ainda um contacto com seres extraterrestres, construtores de monólitos ou não. Mas isso poderá acontecer em qualquer altura. Lembremos as palavras avisadas do padre, cientista e filósofo, Teilhard de Chardin: “À escala do cósmico, só o fantástico tem probabilidade de ser verdadeiro”.
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2001 ODISSEIA NO ESPAÇO
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July 27 2010, 8:04pm | Comments »
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FIM DA GRIPE A
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Durante algum tempo acompanhámos aqui a pandemia de gripe A, reproduzindo os comentários do médico especialista nem microbiologia João Vasconcelos Costa. Ele escreveu há pouco a sua última crónica sobre essa gripe. Pode ser lida aqui.
July 27 2010, 7:36pm | Comments »
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A Aprendizagem da Escola
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Mas como vou ainda trabalhando, não resisto a aqui inscrever frases, pensamemtos, autores marcantes que vêm ter comigo.“É necessário que nos questionemos constantemente sobre o papel da escola, a sua função na sociedade e a natureza das suas práticas numa cultura em mudança. As escolas têm de aprender. Têm de romper com a dinâmica obsessiva do ensino, assumindo-se como uma inquietante interrogação sobre a aprendizagem. Sobre a sua própria aprendizagem.” (Guerra: 2001)
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July 27 2010, 1:11pm | Comments »
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PAgagNINI
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O quarteto PAgagNINI actua na France 2. Só o início é clássico...
July 27 2010, 11:25am | Comments »
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Serviços mínimos
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O "Terrear" entra num tempo de serviços mínimos. Porque o tempo de pausa assim o aconselha. A todos os leitores agradeço as muitas visitas que, em regra, são de procura de aprendizagens. As comunidades não invasivas também assim se constroem. Boas férias. De descanso, alento e esperança.
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July 27 2010, 5:37am | Comments »
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NEURÓNIOS SINALEIROS
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Nova crónica de António Piedade saída no "Diário de Coimbra":Está a ler um jornal. Queira por favor mover a sua mão até ao canto superior direito da folha e oprima o canto desta com o seu polegar e o seu indicador direito (no caso de estar a ler via internet, substitua o alvo pelo canto superior direito do monitor).Tome agora consciência do gesto que acabou de fazer e que muito provavelmente acompanhou com o olhar (que certificou a exactidão da posição final) e recorde-o mentalmente (se ajudar, feche momentaneamente os seus olhos). Repita o gesto, mas agora certifique-se mesmo que não olha para a sua mão em nenhum momento do tempo que demora a levar os dedos até ao canto superior direito. Mesmo que não tenha seguido inicialmente o movimento com os seus olhos, é muito capaz de imaginar o gesto que fez da primeira vez e repeti-lo com uma precisão aceitável. Os olhos permitem que o cérebro veja, mas este também é capaz de gerar imagens de referência, a partir de padrões previamente adquiridos, que pode utilizar libertando assim os olhos para outros horizontes. Por exemplo, os pianistas conseguem estar a tocar, movimentando os dedos das duas mãos, sem o auxílio dos olhos, que poderão estar fixos na partitura musical. Impressionante não é?Sinta de novo todo o movimento, desde o início até ao fim, e imagine a quantidade de músculos envolvidos neste gesto. São muitos, não são? Ombro, braço, mão e dedos…como é que esta quantidade de músculos é controlada, orquestrada, para efectuar aquele gesto?Pense agora, só por um instante, que não conseguia de todo, ou com muita dificuldade, realizar aquele gesto. Sente a mão e o antebraço pesados, não é? E se não o conseguisse devido a um tremor redutor da sua motricidade fina?Mas afinal de contas, o que é que estamos para aqui a experimentar? Estamos a dar enfoque à nossa capacidade de controlo motor, mais ou menos fino consoante a idade e o contexto de saúde da pessoa em causa.Para quê? Para nos identificarmos e sintonizarmos melhor com o significado e importância da investigação que tem sido realizada por neurocientistas e que visa, primeiro identificar e compreender, para depois poder aplicar esse conhecimento em terapias dirigidas ou ajustadas a determinadas disfunções do sistema motor. Que disfunções? Por exemplo, as que estão associadas a doenças neurodegenerativas e que afectam o controlo motor, como são as de Parkinson e Huntington.Recapitulemos o gesto inicial pondo em evidência as áreas cerebrais que se sabem estarem associadas ao simples gesto que acabou de realizar.Não cabe nesta crónica detalhar como é que o cérebro “percebeu” que deveria “coordenar” o movimento da sua mão direita até ao canto superior direito (da folha, ou do monitor). Contudo, refira-se que um “frenesim” de circuitos neuronais em diferentes zonas do cérebro, como sejam o córtex visual, o córtex de associação visual, o cerebelo e o hipocampo, estão activos e a “trabalhar” em conjunto, para que possam identificar e dar significado aos caracteres gráficos que os seus olhos captam. Descodificada a informação lida, são activados os circuitos neuronais apropriados para executar o gesto sugerido. Identificado o alvo final do movimento, fruto do trabalho do córtex visual (lobo occipital) e/ou do córtex pré-motor (lobo frontal do cérebro), entram rapidamente em acção o córtex motor do hemisfério esquerdo (as vias de comunicação entre o cérebro e o corpo estão, em geral, cruzadas), o cerebelo (maestro da motricidade, equilíbrio e postura corporal) e os gânglios basais. De alguma forma, inúmeros circuitos neuronais estabelecem comunicação em rede entre estas estruturas cerebrais e o córtex motor que envia impulsos nervosos (eferentes) para os músculos necessários à execução do movimento sugerido. No reverso, impulsos nervosos (aferentes) retornam dos músculos activados, assim como dos órgãos visuais, para que as estruturas cerebrais nos lobos frontais e occipitais “monitorizem” a cada instante a boa prossecução e suavidade do gesto. Muitas centenas de trocas de informação entre circuitos neuronais e músculos de forma a assegurar que a mão se dirige para o local pretendido. Mas, em que zona(s) do cérebro se encontram os circuitos neuronais responsáveis pelo envio das ordens: iniciar e terminar o movimento? Estarão situados em zonas diferentes?Num artigo publicado por Xin Jin e Rui M. Costa (investigador principal do Programa Champalimaud de Neurociências no Instituto Gulbenkian de Ciência), na passada quinta-feira na revista Nature (aqui), são apresentados os resultados de investigações por eles efectuadas, nos últimos três anos, e que visam identificar e entender os circuitos neuronais envolvidos na aprendizagem do “iniciar” e do “terminar” um movimento ou tarefa. Para isso utilizaram ratinhos que, a troco de guloseimas (açúcar) “aprenderam” a tocar oito vezes (e não sete ou nove) numa mesma tecla de um piano.Já se sabia que um grupo de neurónios, activados pelo neurotransmissor dopamina (neurónios dopaminérgicos) e situados no corpo estriado nos gânglios basais, que delineiam uma das principais vias dopaminérgicas (a nigroestriatal), estavam, de alguma forma, envolvidos na aprendizagem de acções sequenciais e na execução de tarefas.O que Rui M. Costa e Xin Jin identificaram é que há um grupo destes neurónios que se activa quando se inicia a tarefa e outro conjunto, distinto do primeiro, que é activado para a acção terminar. É como se fossem as letras capitais e os pontos finais no texto das instruções para um dado movimento ou tarefa. Uma espécie de neurónios sinaleiros que dirigem o início e o fim de tarefas sequenciais para além de estruturarem sintacticamente a aprendizagem de novos movimentos.Para além do natural interesse para a compreensão de como o nosso cérebro funciona, a identificação destes interruptores neuronais tem interesse particular para a compreensão das desordens motoras associadas às doenças de Parkinson ou de Huntington, uma vez que se sabe estarem os neurónios dopaminérgicos dos gânglios basais afectados ou mortos nestas afecções neurodegenerativas.Serão também estes os neurónios da tabuada, da recitação, das lengalengas?António Piedade
July 26 2010, 4:07pm | Comments »
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GIRA-TOALHA!
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Nova crónica de António Piedade saída n'"O Despertar":Se observarmos, neste tempo balnear, as pessoas deitadas numa praia qualquer, constatamos que estão, quase sempre, a tentar obter a melhor orientação para uma maior exposição do seu corpo ao Sol. E fazem-no num sincronismo colectivo proporcional e modelado à preguiça de cada um. Verificamos que as pessoas tendem a manterem-se alinhadas com linhas imaginárias que convergem perpendicularmente ao plano do disco solar.Que trabalheira estar sempre a rodar a toalha! Se tivéssemos um dispositivo que a sincronizasse com a velocidade angular média aparente do Sol no firmamento (aparente, porque, na realidade, é a Terra que está a rodar), não teríamos este desconforto todo do levantar, colocar a toalha na orientação seguinte do ponteiro solar, voltar a deitar, verificar que ainda não é essa a direcção que nos ilumina a maior parte da superfície corporal, voltar a levantar… enfim!Com o conhecimento tecnológico que hoje possuímos não nos seria difícil construir uns suportes mecânicos, com areia por cima, que girassem de forma a garantir a exposição desejada por cada um. Uns sensores de intensidade luminosa, estrategicamente colocados, ligados a um pequeno computador, servo de meia dúzia de instruções contendo em base de dados a equação do tempo de modo a calcular a velocidade angular média aparente do Sol à latitude e dia do ano, comandariam alguns motores, silenciosos, que manteriam a plataforma de férias sempre direccionada para o astro-rei! Não seria necessária qualquer fonte de energia terrena, nem cabos, uma vez que discretos painéis solares (feitos com os polímeros de última geração impregnados com a melhor de sílica da areia local) bordariam a corola do “gira-toalha”. Nas intermitências, a energia radiante que sobejasse carregaria um conjunto de pequenas baterias. Estas, por sua vez, poderiam alimentar todo o sistema se porventura uma ousada nuvem cobrisse o Sol. Ou então, permitir uma versão de praia ao luar para os noctívagos balneares.Também interessante, seria tecermos a própria toalha com essa tecnologia incorporada nanotecnologicamente em microfibras. “Cozido” a ela, um sistema de tracção mecânica à base de micro lagartas, ajustáveis à fineza do areal, encarregar-se-ia da movimentação.“E porque é que não levamos uns girassóis e nos deitamos em cima deles”, diz-me um menino a brincar na areia, divertido com a sua genuína e genial simplicidade. Nem mais. Os girassóis já trazem tudo integrado e com um design ecológico! Além disso, como são naturais, são biodegradáveis. Mas, teriam de ser uns girassóis capazes de nos suportar e não sabemos se não seríamos tóxicos para eles uma vez deitados em cima deles!Já agora e a propósito, como é que os girassóis seguem o movimento solar?A foto-orientação de plantas como o girassol, em resposta à luz solar ou heliotropismo, é desencadeada pela desigual intensidade da radiação que incide em diferentes partes da planta. Em geral, as células da planta mais iluminadas sofrem uma alteração no seu conteúdo em água, resultado da activação/desactivação de um conjunto de vias de sinalização bioquímicas que envolvem uma hormona vegetal designada por auxina. Esta é responsável pelo crescimento e movimento diferenciais de partes diferentes da planta. Sabemos hoje que também ocorre uma movimentação dos cloroplastos (organelos responsáveis pela fotossíntese) nas células vegetais, em resposta à maior ou menor incidência da luz. No conjunto, verifica-se que as células mais expostas à luz reduzem o seu tamanho enquanto as que estão mais à sombra aumentam o seu volume interno. Isto ocorre reversivelmente e provoca uma rotação ou faz com que a haste ou caule se encurve.Assim, do balanço luz/sombra – movimento aparente do Sol, a resposta das células vegetais é o de tirar o maior proveito da luz solar incidente… sem apanhar escaldões nem desenvolver cancro!António Piedade
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July 26 2010, 4:01pm | Comments »
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Ainda a Polémica sobre o Historiador José Hermano Saraiva
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“Pois a opinião impõe-se como as posturas da Câmara Municipal? Pois haverá cartilha para as nossas opiniões históricas?” (Eça de Queiroz, 1845-1900).De um anónimo, recebi um comentário ao meu post de ontem, “José Hermano Saraiva ‘versus’ José Saramago”, que, no essencial, dizia: “José Hermano Saraiva é tanto historiador como eu sou padre ou médico”. E apresentava, como razão, os factos da historiografia só ter dado os primeiros vagidos em Portugal depois de 25 de Abril e José Hermano Saraiva ser um pobre diabo, ou mesmo um enjeitado dessa ciência.Com a isenção de não ser atingido nos meus brios profissionais de historiador, que não sou, “nem padre ou médico”, naquele meu post, tive José Hermano Saraiva como Historiador . Atrevimento o meu. Imperdoável atrevimento o meu, acrescento! Para me libertar de uma nódoa que podia alastrar como gordura em fato novo, nada como procurar em fontes fidedignas o significado da palavra historiador. Assim: 1) “Historiador aquele que faz pesquisa, que escreve acerca da história” (“Grande Enciclopédia Portuguesa-Brasileira”, tomo III, p.297); 2) “Que ou aquele que se especializou em ou que escreve sobre história” (“Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa”, p. 4.428).Indultado da acusação de não ser conhecedor do uso de simples palavras correntes ( por não ler os dicionários com a avidez com que os jovens e as jovens de tempos idos devoravam os livros de Emílio Salgari ou de Corin Tellado?), parti mais afoito para a consulta de alguns dados biográficos de José Hermano Saraiva sem ser o das histórias contadas por qualquer avô a seus netos em noites de inverno aquecidas pelas lareiras. Deparei-me com sete Orações Académicas, proferidas depois de 76, ou seja sem serem escoradas por um cargo ministerial, editadas pela Academia de Ciências de Lisboa da qual é membro. E já que falo de instituições culturais a que pertence, acrescento os nomes da Academia Portuguesa de História, da Academia da Marinha e Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (Brasil). Desobrigo-me, por ter como desnecessário ou mesmo fastidioso para o leitor, de enumerar as várias obras de que é autor, como, por exemplo, os 3 volumes da” História de Portugal” (1981).Tendo enviado ao Prof. José Hermano Saraiva o meu artigo de opinião saído no Diário de Coimbra e transcrito neste blogue com o título (intencionalmente) polémico , “José Hermano Saraiva ‘versus’ José Saramago” , recebi uma carta sua que publiquei, devidamente autorizado, no meu livro “O Leito de Procusta – crónicas sobre o sistema educativo” (edição do Snpl, Outubro de 2005, p. 103). Transcrevo-a integralmente como prova de uma missiva escrita com uma evidente desilusão, mas polvilhada, aqui e ali, de fina ironia: “Meu querido e antigo aluno,Recebi a sua carta com o recorte do Jornal Diário de Coimbra. Agradeço-lhe muito as palavras tão amigas que usa a meu respeito. Não sabia do artigo do Dr. Acácio Barradas, mas não me surpreende. Conheço a pessoa e sei que não fez aquilo por mal. É incapaz de fazer melhor. Fiquei particularmente enternecido com a recordação dos tempos da minha juventude em que com tanto entusiasmo tentava iniciar os meu jovens amigos na inteligência da História.Quero ainda dizer-lhe que concordo inteiramente com o seu “P.S.”*. Como advogado defendi muitas dezenas de presos políticos no Tribunal Plenário de Lisboa. A discordância vi-a na frase “não haver machado que corte a raiz ao pensamento”. Infelizmente há. As fogueiras da Inquisição ainda hoje fazem sentir o seu efeito exterminador, e a prova é que em 1974 as cinzas reacenderam-se e provocaram um novo “auto de fé”. Passados 30 anos ainda há quem ache isso bem.Não julgue que estou com isto a censurar os pontos de vista do meu colega Dr. Acácio Barradas. Desde os astrónomos gregos, sabemos que o mundo é redondo e que o círculo tem 360 graus. Os meus antípodas têm tanto direito de pensar como eu.Envia-lhe um abraço comovido e de grande amizade o seu amigo de sempre.Lisboa,29 de Setembro de 2005. Ass.) José Hermano Saraiva”.*Transcrevo o referido “post scriptum”: “Para evitar especulações de deturpações de intenções, desde já, declaro que abomino qualquer tipo de prisões por motivos políticos desde que não atentem contra a vida de pessoas inocentes ou de mordaça de regimes totalitários à liberdade de expressão que acaba por não vingar porque, nos versos de Carlos de Oliveira, “não há machado que corte a raiz ao pensamento” (in, “O Historiador José Hermano Saraiva).Bem sei que António Lobo Antunes, um simples exemplo, não foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura. Isso impede-me (ou a alguém com dois dedos de testa) de o considerar um escritor? De igual modo, independentemente, do muito ou pouco valor de historiador de José Hermano Saraiva (que algumas pessoas ousam pôr em causa, no direito que têm a uma opinião própria), deve impedir-me de o ter como historiador? Esta uma questão menor, porque se trata de opiniões meramente pessoais, repito. E as opiniões valem o que valem, mas como diria Antero, como em tudo na vida, deve prevalecer o “soberaníssimo bom senso”.
July 26 2010, 2:40pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
UMA OUTRA RELAÇÃO COM O TRABALHO
http://terrear.blogspot.com/2010/07/uma-outra-relacao-com-o-trabalho.html
Para lá destas modalidades, o TTC é uma forma de aprender a articular trabalho individual e trabalho colectivo. Dentro deste espírito, deve ser feito de forma autónoma, negociada, parcialmente voluntária, porque só tem sentido no quadro do funcionamento e dos projectos do grupo-turma e porque a sua utilidade é evidente para o aluno: - em função de projectos e dificuldades que lhe são próprias; - no quadro de uma divisão do trabalho para a realização de uma actividade colectiva. Aprender a trabalhar à margem de um grupo para contribuir para o seu funcionamento, ou para se preparar para aí desempenhar o seu papel, ou realizar o seu ofício, é uma aprendizagem fundamental, mas que só se pode fazer assumindo responsabilidades e dispondo de uma certa autonomia. Se o TTC for objecto de um controlo apertado, da vigilância dos pais, criar conflitos entre professores e alunos, perderá, sem qualquer proveito, o seu papel educativo. O mesmo se pode dizer se o trabalho for feito por outros, principalmente pelos pais. Nesta perspectiva, o sentido do TTC deve ser regularmente reexplicado aos pais, mas sobretudo reconstruído pelos e com os alunos, como um aspecto do contrato didáctico: estar disponível fora das horas de presença obrigatória e garantir a sua quota-parte de trabalho no funcionamento normal de um grupo. Philippe Perrenoud (1995). Ofício de aluno e sentido do trabalho escolar. Porto: Porto editora
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July 26 2010, 2:13pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... uc.pt
Encontram-se abertas as inscrições para o Prémio PLUG (APRITEL), até ao dia 15 de Outubro
http://www.uc.pt/tomenota/2010/20100726_3
Para mais informações: http://www.uc.pt/gats/noticias/news_56
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July 26 2010, 9:48am | Comments »




