O fim da blogosfera — é o título da comunicação que vou apresentar na próxima sexta-feira ao IV Encontro de blogues, que se realiza nos dias 14 e 15 de Novembro de 2008, na Universidade Católica Portuguesa. Ultimamente o tema tem sido abordado na mais insuspeita imprensa (e também nalguma menos insuspeita). O número de deserções aumenta, os 300 geeks portugueses (estive a contá-los um por um) trocam os seus blogues em inglês pelo Twitter em inglês com os mesmos extraordinários resultados, há quem aproveite o momento para, vestido o melhor ar blasé, fechar a loja com alguma dignidade antes de desaparecer ingloriamente dos topes, o Carlos Teixeira desabafa dizendo, “para ser sincero“, não saber “muito bem se existe motivo para manter um blogue, seja ele de que forma for, a Wired titula que isso dos blogs é oh, tão 2004 e, acima de tudo, temos a peremptória afirmação de The Economist, o blogging já não é o que era porque entrou no mainstream, o nosso particular obrigado à The Economist (olha a vénia, Miguel) por nos tirar da ignorância com tão, digamos, Iluminada Descoberta. Assim sendo, penso que poderei discorrer calmamente, com uns slides, sobre o fim da blogosfera sem que me caiam em cima ou venham perguntar pela fonte. Quer mesmo conversar sobre isto, leitor? Apareça por lá. (Imagem derivada da foto Is there anything at the end of the tunnel?, de innoxiuss, que será usada no formato original no slideshow da conferência)
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
O fim da blogosfera
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November 12 2008, 2:18am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Um momento revelador
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Na sua primeira conferência de imprensa como presidente eleito, Barack Obama foi inquirido por uma repórter que lhe colocou uma série de perguntas bastante deslocadas, entre elas se Obama tinha falado com algum ex-presidente vivo.Obama respondeu adequadamente ao tom das perguntas dizendo «Let me list those off. In terms of speaking to former presidents, I have spoken to all of them that are living. Obviously, President Clinton. I didn't want to get into a Nancy Reagan thing about, you know, doing any seances».Toda a sala irrompeu em gargalhadas e podemos pensar que a maioria dos repórteres percebeu a crítica implícita de um presidente eleito que não é exactamente um grande apreciador de perguntas irrelevantes.Posteriormente, Obama pediu desculpa a Nancy Reagan «for the careless and offhanded remark». De facto, Nancy Reagan nunca realizou «seances» na Casa Branca embora não dispensasse a «astróloga» Jean Quigley que se gaba no livro «What Does Joan Say?: My Seven Years As White House Astrologer to Nancy and Ronald Reagan» de ter influenciado a política de Reagan em tudo e mais umas botas, desde a Guerra das Estrelas ao relacionamento com Gorbachev. No entanto, várias primeiras damas embarcaram na patetada de contactar os «espíritos» dos mortos, nomeadamente Hillary Clinton realizou seances que não eram seances durante as quais «conversou» com Eleanor Roosevelt.Claro que por razões políticas era necessário que Obama se desculpasse junto de Nancy Reagan mas desculpas necessárias àparte a questão fulcral neste momento de descontracção é francamente encorajadora. Isto é, depois dos disparates obscurantistas que aparentemente nortearam pelo menos as primeiras damas da nação mais poderosa do mundo nas últimas décadas (Bush filho não precisava de contribuição conjugal para isso), é muito reconfortante ver que o futuro presidente dos Estados Unidos considera anedotas estas charlatanices, mesmo que apenas num momento «careless and offhanded». Podemos apenas esperar que Obama tenha muitos mais momentos destes porque a mensagem que eles nos dão são muito animadores: para além de indicarem que será a racionalidade que norteará as decisões presidenciais, dada a popularidade de Obama é expectável que a sua posição em relação a banhas da cobra seja emulada por cada vez mais pessoas, nos Estados Unidos e não só!
November 12 2008, 1:57am | Comments »
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UMA ESCOLA QUE DÁ O EXEMPLO
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A melhor escola pública portuguesa, a avaliar pelos "rankings" dos exames do secundário é a Escola Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra. Pois esta escola, onde as reformas antecipadas de vários professores estão a causar graves problemas, decidiu, por unanimidade dos seus docentes, suspender o processo de avaliação. Se outras escolas seguissem o seu exemplo - e outras de Coimbra parece que o querem fazer - o imbróglio em que o Ministério meteu as escolas poderia terminar... De assinalar que, ao arrepio de falsas divisões que foram cultivadas, os pais confiam nos professores e estão com eles na decisão que tomaram. A Associação de Pais foi clara a este respeito: "Não queremos que esta escola perca a qualidade que tem".PS) Rosário Gama, a Presidente do Conselho Executivo da Escola, é militante do PS, tendo inclusivamente colaborado no último número, dedicado ao ensino, da "Ops!", revista de opinião socialista.
November 11 2008, 6:37pm | Comments »
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Porque interditava de dizer as coisas como elas eram...
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Excerto de um artigo que aqui escrevi em 6 de Janeiro de 2007: (...) Mas é também um sistema autista. Como refere o sociólogo suíço, Perrenoud, o sistema soviético afundou-se, entre outras razões, porque interditava de dizer as coisas como elas eram. Se o futuro era sempre radioso, se o partido tinha sempre razão, se oplano era sempre perfeito, se o fracasso estava por definição excluído, era
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November 11 2008, 4:29pm | Comments »
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Responsabilidade sim, culpabilidade não
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Um excerto antológico de um texto de Daniel Hameline:
“Mas, senhor, direis, nós não somos socorristas e ainda menos bons samaritanos. A nossa profissão é instruir e não reformar a sociedade. A nova profissionalidade deve reenquadrar as nossas tarefas e não impor-nos o impossível.” Ouço bem. A objecção é legítima. Convém promover os professores em actividades que sejam da sua competência e não
November 11 2008, 4:18pm | Comments »
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Fundamentos para rejeitar a implicação dos alunos na luta dos professores
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A primeira razão tem a ver com o modelo de referência que o professor deve ser para os seus alunos. Deve ser um exemplo de diálogo, de compreensão, de tolerância, de firmeza, de exigência, de justiça, de verdade, de dignidade. De autoridade. Porque a força da razão não precisa da razão da força. De actos "revolucionários" que rapidamente degradam a imagem pública dos professores. A segunda
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November 11 2008, 2:58pm | Comments »
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Telepatia
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Por amabilidade do editor, pré-publicamos um trecho do capítulo sobre "Telepatia" do livro "A Física do Impossível" do físico norte-americano Michio Kaku, a sair muito em breve na Bizâncio: O romance Slan, de A. E. van Vogt, capta o grande potencial e os nossos maiores receios associados ao poder da telepatia. Jommy Cross, o protagonista do romance, é um «slan», uma raça de telepatas super inteligentes em vias de extinção. Os pais foram brutalmente assassinados por grupos de humanos enraivecidos que temem e desprezam todos os telepatas, devido ao enorme poder daqueles que conseguem intrometer-se nos pensamentos mais privados e íntimos das pessoas. Os humanos perseguem os slans sem piedade, como se fossem animais. Com as gavinhas típicas que lhes saem da cabeça, os slans são fáceis de identificar. No decorrer da história, Jommy tenta contactar outros slans que possam ter fugido para o espaço na tentativa de escapar à caça às bruxas dos humanos, determinados a exterminá-los. Do ponto de vista histórico, a leitura da mente é algo tão importante que tem sido muitas vezes associado aos deuses. Um dos poderes mais importantes de qualquer deus é a capacidade de ler a nossa mente e assim responder às nossas preces mais profundas. Um verdadeiro telepata que conseguisse ler qualquer mente tornar-se-ia com facilidade a pessoa mais rica e poderosa da Terra, pois poderia entrar na mente dos banqueiros de Wall Street ou chantagear e coagir os seus rivais. Seria considerado uma ameaça à segurança dos governos, na medida em que conseguiria, sem qualquer esforço, roubar os segredos mais bem escondidos de uma nação. Tal como os slans, o telepata seria temido e até possivelmente perseguido e eliminado. O enorme poder de um verdadeiro telepata foi destacado na série de referência intitulada Fundação, de Isaac Asimov, muitas vezes considerada uma das epopeias de ficção científica mais importante de sempre. Um Império Galáctico que deteve o poder durante milhares de anos está prestes a perecer. A Segunda Fundação, uma sociedade secreta de cientistas, consegue prever, através de equações complexas, que o Império vai cair e mergulhar a civilização em trinta mil anos de trevas. Então, na tentativa de reduzir este colapso da civilização apenas a alguns milhares de anos, esboçam um plano elaborado, baseado nas suas equações. E, nessa altura, acontece uma desgraça: as equações não prevêem um evento, o nascimento de um mutante chamado Mule, que é capaz de controlar a mente à distância e assim conseguir o controlo do Império Galáctico. A galáxia está condenada a trinta mil anos de caos e anarquia, a menos que se consiga neutralizar este telepata. Embora a ficção científica esteja cheia de histórias fantásticas sobre telepatas, a verdade é muito mais terra-a-terra. Uma vez que os pensamentos são privados e invisíveis, durante séculos os charlatães e os impostores abusaram dos mais ingénuos e crédulos. Um dos truques de muitos mágicos e mentalistas consiste em utilizar um cúmplice escondido no meio do público e cuja mente o mentalista consegue «ler». Na verdade, a carreira de muitos mágicos e mentalistas baseou-se no famoso «truque do chapéu», em que as pessoas escrevem mensagens privadas em pedaços de papel, que são depois colocados num chapéu. O mágico começa então a dizer ao público o que está escrito nos papéis, para espanto de todos os presentes. Há uma explicação ilusoriamente simples para este truque astucioso. Um dos casos mais famosos de telepatia não envolveu um cúmplice mas sim um animal: Clever Hans, um cavalo prodígio que deixou o público europeu estupefacto na década de 1890. Para espanto do público, Clever Hans conseguia fazer cálculos matemáticos complexos; por exemplo, se se pedisse a Hans para dividir 48 por 6, o cavalo batia com o casco 8 vezes. Clever Hans sabia dividir, multiplicar, adicionar fracções, soletrar e até identificar tons musicais. Os fãs de Clever Hans afirmavam que o cavalo era mais inteligente do que muitos humanos ou então conseguia ler a mente das pessoas. Mas Clever Hans não foi o produto de um truque inteligente; a sua capacidade incrível de fazer contas enganou até o seu treinador. Em 1904 o Professor C. Strumpf, um psicólogo distinto, foi chamado para analisar o cavalo e não conseguiu encontrar uma prova de aparente fraude ou algum sinal que o treinador pudesse transmitir ao animal, aumentando assim o fascínio do público. No entanto, três anos mais tarde, o psicólogo Oskar Pfungst, aluno de Strumpf, efectuou testes muito mais rigorosos e, finalmente, descobriu o segredo de Clever Hans: tudo o que se limitava a fazer era observar as expressões faciais subtis do seu treinador. O cavalo continuava a bater o casco até a expressão facial do treinador se alterar um pouco e, nessa altura, parava. Clever Hans não lia a mente das pessoas nem sabia matemática, era apenas um bom observador do rosto humano. Outros animais «telepáticos» ficaram registados na história. Em 1591, um cavalo chamado Morocco ficou famoso em Inglaterra e enriqueceu o seu dono por reconhecer pessoas no público, apontar letras do alfabeto e somar o total de um par de dados. Morocco causou tamanha sensação em Inglaterra que Shakespeare o imortalizou na sua peça Tanto Amor Desperdiçado como o «cavalo dançarino». Também os jogadores conseguem ler a mente, num sentido limitado. Quando uma pessoa vê algo agradável, as suas pupilas normalmente dilatam-se; quando vê algo indesejável (ou faz um cálculo matemático), as pupilas contraem-se. Os jogadores conseguem ler as emoções dos oponentes ao verificar se os olhos dilatam ou contraem. Esta é uma das razões por que os jogadores muitas vezes usam palas de cor sobre os olhos, para proteger as pupilas. Também é possível apontar um raio laser para a pupila de uma pessoa e analisar seu reflexo, conseguindo dessa forma determinar com precisão para onde essa pessoa está a olhar. Ao analisar o movimento do ponto reflectido da luz laser, é possível determinar como uma pessoa analisa uma imagem. Ao juntar estas duas tecnologias, é possível determinar a reacção emocional de uma pessoa, sem ter a sua autorização, quando esta analisa uma imagem.Michio Kaku
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November 11 2008, 2:49pm | Comments »
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Pesadelo burocrático no ensino
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Artigo de Aires Almeida no Público.
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November 11 2008, 1:51pm | Comments »
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Mereologia
http://dererummundi.blogspot.com/2008/11/mereologia.html
Helder Guégués tece amavelmente algumas considerações a propósito da minha referência a "mereologia" no meu post "Incompetência Linguística, Oportunismo e Mentira Política". Até parece que estou obcecado com a chatice desta palavrinha, porque dei por mais de uma vez este exemplo simples. De modo que vou explicar algumas coisas.A merologia é um "tratado dos princípios elementares de uma ciência", segundo o Aurélio; Houaiss afirma que é um "estudo dos fundamentos de uma ciência ou arte"; o dicionário da Porto afirma que é um "tratado elementar de qualquer ciência ou arte" e o da Texto afirma que é um "tratado dos princípios elementares de qualquer ciência ou arte".Há uma enorme diferença entre ser um tratado elementar de X e ser um tratado dos aspectos elementares de X, diferença que parece escapar aos autores da Porto. Por outro lado, o Houaiss nada diz sobre aspectos elementares, mas antes sobre fundamentos, e nem sempre os aspectos elementares de algo coincidem com os seus aspectos elementares. A conclusão é que ninguém sabe realmente o que é a merologia. O Houaiss afirma que o termo foi usado em 1873 num dicionário de língua portuguesa, mas isso não é grande ajuda.A coisa muda de figura quando consultamos o Oxford English Dictionary (OED). A merologia é "um ramo da anatomia que lida com os tecidos e fluidos fundamentais do corpo". Poderá um colega médico confirmar se usam este termo neste sentido em Portugal ou no Brasil? Se usam, então os dicionários de português que consultei estão errados.Quanto a "mereologia", o termo é correctamente registado pelo Aurélio: "A lógica da relação entre as partes e o todo", mas ignorado pelos outros dicionários de língua portuguesa referidos. É também grafado correctamente pelo OED: "O estudo formal das relações entre partes e todos". Também o Collins inglês grafa correctamente o termo: "o estudo formal das propriedades lógicas da relação entre parte e todo". O Collins refere que a origem da palavra é o grego, via o francês, mas pode estar errado, dado que o OED apresenta a sua origem directamente na língua polaca, referindo os escritos de Lesniewski de 1927, que poderá ter formado incorrectamente a palavra a partir do grego "meros-" e "-logos". A questão é que mesmo que esta formação esteja originalmente errada, faz parte já da terminologia filosófica básica, é usada comummente na bibliografia especializada e registada nos mais completos dicionários, tanto ingleses como de língua portuguesa, como é o caso do Aurélio.Espero ter esclarecido os leitores. A merologia é a ciência que estuda as relações entre as partes e o todo e nada tem a ver com a merologia, que a existir é um ramo da anatomia.A pobreza linguística portuguesa é constrangedora, sempre que se tenta fazer qualquer coisa mais com a língua do que escrever disparates como eu escrevo em jornais diários ou em blogs. A língua portuguesa não é culta; é uma língua que serve para comprar batatas e para as pessoas se insultarem na Internet; serve também de arma de opressão social, para algumas pessoas exibirem a sua imaginada superioridade corrigindo a ortografia, o léxico ou a sintaxe dos outros, invocando autoridades pardas de um imaginado passado intelectual glorioso português que nunca existiu, ou argumentos circulares baseados em etimologias puristas. (O que deveria fazer essas mesmas pessoas defender o termo "cona" em vez de "vagina", que tem uma etimologia muitíssimo mais sensata, como se defende aqui.)O problema, claro, não é a língua; a pobreza linguística limita-se a reflectir a pobreza científica e cultural. As línguas adaptam-se às nossas necessidades. E enquanto as nossas necessidades não passarem de pôr ou tirar mais uma ou menos uma consoante muda, continuará a faltar-nos a língua quando precisamos dela para fazer qualquer coisa mais sofisticada do que dizer asneiras na televisão. As aulas de ciências, economia e outras disciplinas, assim como muitas publicações académicas, são risíveis porque já é um linguarejar próprio, dificilmente identificável com o português, porque ninguém se dá ao trabalho de tentar alargar a língua na direcção da ciência e da cultura; a grande preocupação de alguns dicionaristas é incluir no dicionário qualquer disparate que qualquer pessoa diz em qualquer taberna, e que ao fim de dez anos já ninguém diz, ao mesmo tempo que considera irrelevante ler as publicações académicas para se manter a par do alargamento culto e científico da língua, colaborando ao mesmo tempo nesse alargamento para que seja sensatamente feito.Gabriel García Márquez escreveu em Cem Anos de Solidão que "o mundo terá acabado de se foder no dia em que a literatura tiver de viajar no vagão de carga", e eu permito-me parafraseá-lo para dizer que o mundo de língua portuguesa se fodeu de vez no dia em que os dicionários se apressam a registar qualquer idiotice como "bué", ao mesmo tempo que insistem na inexistência de "mereologia" por razões de pureza etimológica.
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November 11 2008, 12:11pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Grave erro implicar alunos no descontentamento dos professores
http://terrear.blogspot.com/2008/11/grave-erro-implicar-alunos-no.html
Começam a surgir sinais de presença de alunos nas acções de protesto de professores. Parece-me um grave erro de natureza ética e profissional. E contraproducente. Não pode valer tudo e não ia, decididamente, por aí. Mais tarde, procurarei fundamentar esta posição.
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November 11 2008, 11:43am | Comments »

