Novo texto de António Piedade, saído no "Diário de Coimbra":Os restos mortais do General que libertou praticamente toda a América do Sul, no século XIX, do colonialismo Castelhano, foram televisionados no passado fim-de-semana (madrugada de sábado, dia 18 de Julho), numa cerimónia pomposa em que a guarda de honra envergou fatos alvos, protectores e não contaminantes (aqui). A razão para esta exumação é, em parte, cientifica e envolve descobrir a razão para a morte do Libertador, de ascendência castelhana, mas natural da Venezuela e ídolo de milhões de pessoas. Em Abril deste ano, o médico forense Paul Auwaerter (Universidade de Johns Hopkins, EUA) sustentou a teoria segundo a qual Bolivar teria morrido envenenado por sais de arsénio (aqui). Isto está em desacordo com até há pouco conhecido e que indica que El Libertador teria sucumbido derrotado por uma bactéria, a Mycobacterium tuberculosis perfinges, principal causadora da tuberculose. Gabriel García Marquez, deixa-o morrer no seu livro “O General no seu Labirinto”, a olhar Vénus no firmamento e a ouvir “os escravos a cantarem a salve-rainha das seis, nos moinhos”.Venezuela, que significa pequena Veneza em italiano, foi assim baptizada por Américo Vespúcio na terceira viagem de Cristóvão Colombo à procura das Índias (ao navegarem pelo delta do rio Orinoco, Vespúcio terá comparado a beleza paradisíaca da natureza que contemplava com a dos canais de Veneza!). Os restos mortais de Colombo, durante séculos pensados a repousar na lindíssima Catedral de Sevilha, também têm sido alvo de estudos forenses. O objectivo tem sido o de comparar geneticamente as ossadas com a de seus descendentes e resolver, com base científica, a hipótese de que Colombo sempre esteve sepultado no monumento, edificado em sua memória o Farol de Colombo, na cidade de Santo Domingo, capital da República Dominicana (aqui).D. Afonso Henriques, 1º Rei de Portugal, foi o único militar a conseguir a independência de Castela de um território da península Ibérica. Feito por ventura menor em tamanho mas seguramente comparável ao de Bolívar na bravia, na liderança e na estratégia militar. Sabemos da qualidade da metodologia científica com que a Doutora Eugénia Cunha (Departamento das Ciências da Vida – Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra) tentou estudar os restos mortais do fundador (aqui), na Capela-Mor da Igreja de Santa Cruz em Coimbra, e como isso foi impedido superiormente na secretaria estatal. Sabemos do desenvolvimento espantoso registado na última década na micro-extracção de amostras diminutas de ADN e também nas técnicas analíticas químicas, capazes de elucidar sobre aspectos não só da morte mas sobretudo da vida, gerando documentos incontornáveis e impossíveis por outra fonte.Para quando Henriques?António Piedade
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Colombo e Bolívar. Para quando Henriques?
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/colombo-e-bolivar-para-quando-henriques.html
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July 19 2010, 10:08am | Comments »
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CyberCar: o veículo inteligente que transporta doentes foi desenvolvido pela Faculdade de Ciências e Tecnologia
http://www.uc.pt/tomenota/2010/20100719
Para mais informações: http://www.uc.pt/fctuc/noticias/n20100715n03
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July 19 2010, 8:09am | Comments »
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Beautiful mind
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/beautiful-mind.html
John Nash, o matemático em torno do qual gira a história do filme Uma mente brilhante, de Ron Howard, realizado a partir da biografia de Sylvia Nasar, publicada em finais dos anos noventa, esteve em Portugal como conferencista na 24.ª Conferência Europeia de Investigação Operacional, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.Ana Gerschenfeld, jornalista do Público entrevistou-o, tendo resultado uma conversa muito interessante, da qual tomamos a liberdade e transcrever uma passagem:O seu contributo para a teoria dos jogos foi muito importante. O que é a teoria dos jogos? A expressão teoria dos jogos é uma descrição popular. A mesma área científica poderia ter tido outro nome. A teoria dos jogos foi desenvolvida com a publicação de um livro [em 1947], por John von Neumann e Oskar Morgenstern, intitulado em inglês Theory of Games and Economic Behavior (Teoria dos jogos e Comportamento Económico), que se tornou muito influente. Mas Von Neumann já tinha publicado na Alemanha em 1928 - o ano em que eu nasci - um artigo intitulado Zur Theorie der Gesellschaftsspiele, que significa "jogos sociais". E antes disso, tinha sido publicado em França um artigo com théorie du jeu no título. Von Neumann também publicou uma nota [em 1928] na Comptes Rendus de l"Académie des Sciences onde falava de théorie des jeux. Foi assim que o nome ficou.É algo que permite a modelização matemática de comportamentos sociais e económicos?Sim, mas com a ênfase nas escolhas alternativas e na ideia de estratégia - uma palavra de origem grega que significa a escolha de uma política. Há estratégia no xadrez e noutros jogos. Pode haver uma estratégia no futebol. Só que, aí, as estratégias têm como objectivo fazer com que o outro perca. É o que chamamos um jogo de "soma zero". Todos os jogos de entretenimento e desportivos são desse tipo. Também podem ser de "soma constante", com um certo benefício para ambos os lados, como a final de um Mundial de futebol - mas onde o vencedor beneficia mais do que o outro. E também há jogos onde todos perdem... Sim, são os jogos de soma negativa. Por exemplo, podemos imaginar uma situação em que uma prisão obriga prisioneiros a entrar num duelo onde apenas um irá sobreviver.(...)- O seu contributo para a teoria dos jogos é hoje conhecido como "equilíbrio de Nash" e mudou a maneira de fazer teoria dos jogos aplicada à economia. O que é o equilíbrio de Nash?O equilíbrio de Nash define-se em termos de estratégias, do conceito de estratégia do jogador. Temos dois, três ou mais jogadores. Cada jogador tem um número finito de acções ou estratégias "puras" pelas quais pode optar, fazendo isto ou aquilo. Mas também existem estratégias mistas, que são planos baseados numa mistura de estratégias puras, em que uma certa probabilidade de ser escolhida é atribuída a cada estratégia pura. Assim, se um jogador tiver três escolhas possíveis, três acções puras entre as quais optar, poderá optar por uma delas com uma probabilidade de 20 por cento, pela segunda com 50 por cento e pela terceira com 30 por cento, o que dá 100 por cento. E o conjunto das estratégias mistas dos jogadores apresenta um equilíbrio quando nenhum dos jogadores pode mudar de estratégia e aumentar os seus benefícios. O benefício tem de ser calculável a partir da estratégia mista em questão. Calcula-se o benefício previsto para todos os jogadores e cada jogador olha para a sua fatia.Quando duas empresas competem pelo mesmo mercado, usam a sua teoria para ver se compensa produzir mais ou menos, ou subir ou descer os preços?Essa é considerada uma óptima área de aplicação da teoria. Existe uma abordagem clássica que é equivalente a uma análise de teoria dos jogos em certos casos especiais. É o chamado equilíbrio de Cournot. É um conceito certamente mais antigo do que o equilíbrio de Nash, mas é um caso particular. Augustin Cournot, economista francês do século XIX, considerou o caso em que duas empresas produziriam algo para o mesmo mercado - dois grandes produtores de leite, por exemplo. Se uma dada quantidade de leite é produzida, pode ser vendida por um certo preço; se produzirem mais, não vão conseguir vender o leite por um preço tão bom. Por outro lado, se produzirem menos, o preço sobe, mas também há um limite. E se produzirem muito pouco, pode ser preciso importar leite. Pode então existir um equilíbrio de Cournot em que cada um deles produz uma certa quantidade do produto - e em que nenhum deles pode produzir mais ou menos e obter uma vantagem. Mas, aqui, trata-se de um jogo não-cooperativo com dois jogadores onde o equilíbrio reside numa estratégia pura. No caso do equilíbrio de Nash, as estratégias são mais complexas... Podem ser mistas. Por exemplo, se os produtores produzirem produtos diferentes [para o mesmo mercado], podem ter uma estratégia secreta - podem decidir que, durante um ano, só vão produzir uma certa quantidade desse produto. Podia ser a Apple a decidir produzir uma certa quantidade de iPods ou de Macintosh. O outro lado pode não conhecer o plano, mas precisa de ter um plano em que preveja o que pode acontecer - e pode tomar uma decisão ao acaso, de última hora, para surpreender os rivais.E em casos deste tipo, você provou que também existe uma situação de equilíbrio, que é calculável?Há um equilíbrio desde que se consiga determinar a função [a fórmula matemática] que determina os benefícios. Em princípio, é possível calculá-lo. Existe software que as empresas usam para fazer este tipo de previsão?Nem por isso. Existe há já uns tempos algum software de teoria de jogos, mas é mais útil do ponto de vista teórico. Há coisas que apenas são usadas ao nível do ensino académico. Ou seja, a sua teoria é mais uma ferramenta para os especialistas do que uma ferramenta prática, concreta, para o mundo empresarial?Qualquer teoria, seja ou não económica, é em grande parte utilizada apenas ao nível académico. O que os responsáveis empresariais fazem na prática costuma ser algo diferente daquilo que aprenderam quando estudaram teoria económica. Quando uma pessoa se torna efectivamente um banqueiro, tem de tomar decisões práticas - e isso não é algo que se possa fazer utilizando apenas o que se ouviu e aprendeu nas aulas.
July 19 2010, 5:58am | Comments »
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CRÓNICA BREVE DE UMA DOR ANUNCIADA- 2
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Nova crónica de António Piedade, que completa a anterior sobre o mesmo tema:O desenvolvimento embrionário é fascinante. No “planeta” amniótico, o embrião, resultado da divisão, por um número de vezes preciso, de uma única célula (o ovo ou zigoto), tem uma polaridade magnificente na noite uterina. Esta polaridade, é determinada por gradientes de concentração de uma miríade de RNA (sigla inglesa para o Ácido Ribonucleico) mensageiros, RNA inibidores, RNA de transferência, proteínas, lípidos, glícidos, sais, ácidos, iões, oligoelementos, etc. Em algumas zonas do embrião algumas das substâncias estão em maior concentração. Noutras zonas, serão outras as que marcam e sinalizam a diferença, não só no mar interior celular (citoplasma), mas também no espaço intersticial das “costas” celulares (a superfície celular). Há um intenso tráfego de moléculas e elementos ionizados que, ao se difundirem nos “rios que banham” as células, interagem com biomoléculas sensíveis, que se encontram na superfície externa das membranas celulares e que funcionam como antenas receptoras de mensagens extra-celulares.A mensagem, “agora é preciso que te diferencies numa célula de uma futura vértebra”, chegou com uma maré de mensageiros bioquímicos sincronizada pelos relógios moleculares que hoje sabemos existirem no desenvolvimento embrionário (e pela vida/morte fora). De facto, as investigadoras portuguesas (lideradas pela Isabel Palmeirim - ipalmeirim@gmail.com) de quem temos vindo a falar, identificaram um desses relógios que marcam o passo do desenvolvimento vertebral, respondendo às oscilações nas concentrações da proteína Shh (aqui).E é assim por todo o lado do embrião. Vagas de marés que valsam notícias biomoleculares, banham células em zonas diferentes do embrião, permitindo que os futuros tecidos e órgãos se desenvolvam de forma cooperativa, sincronizada, respeitando a finalidade do todo que é o organismo (ver vídeo aqui).Mesmo que o plano seja “só” o de executar um projecto (inscrito no genoma) de organismo que sobreviva, devido a um fenotipo bioquímico ajustado às circunstâncias envolventes, para conseguir transmitir os seus genes ao maior número de descendentes férteis. Mas as dores, se presentes, são descartáveis neste plano. A natureza é também nisto implacável!Muito longe de nos satisfazermos só com o plano sobreviver/reproduzir, a esperança média de vida à nascença dos seres humanos que vivem no hemisfério norte, tem aumentado muito nos últimos milénios. Sem estar totalmente demonstrado, há aqui e acolá evidências de um desfasamento entre os cronómetros biomoleculares e esta expansão na longevidade. Muitas das maleitas “empurradas” para idades “após reprodução” pela selecção natural, ficaram de repente nuas e expostas pela possibilidade de vivermos mais tempo. Desabrocham em choro de dores, muitas vezes orquestradas minimalistamente por modos de vida que as amplificam do resto em compassos longos e monótonos: má alimentação, muita e pouco variada poluição, pouco ou nenhum exercício, posturas incorrectas, sem necessidade de lutar pela sobrevivência uma vez que tudo ou quase tudo à disposição sem muito esforço (mesmo cognitivo).A investigação efectuada por Isabel Almeirim e colaboradores nos últimos 30 anos, também ela repleta de dores próprias da investigação científica (persistência na ausência de quaisquer resultados, na falta de reconhecimento, nas muitas horas em operações repetitivas e de rotina e que originam muitas dores também nas costas, etc.) é agora alumiada numa revista científica de primeiro plano internacional o que alertou os media portugueses.Contudo, o avanço no conhecimento do desenvolvimento e formação da coluna vertebral não significa resposta imediata ao apelo “tirem-me estas dores nas costas”. É muito importante identificarmos os agentes em causa na formação da coluna vertebral, pois isso permite-nos compreende-los e entender os mecanismos em que estão envolvidos. Mas, nem temos hoje ainda tecnologia de visualização não invasiva que permita detectar, nas primeiras semanas de gravidez, desvios perigosos nas curvas naturais da coluna, nem foi desenvolvido nenhuma terapia ajustável aos desvios de cada um. Eventualmente, o que se avizinha é o rastrear os genes agora identificados num teste genético mais prematuro.No mínimo, isto poderá permitir a adopção de medidas e comportamentos correctivos e preventivos dos prenúncios moleculares das dores de costas assim anunciadas.António Piedade
July 19 2010, 5:43am | Comments »
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Redução (por decreto) das tarefas administrativas
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Diz o artigo 6 A do Despacho n.º 11120-B/2010:1 — A marcação e realização das reuniões previstas no n.º 2 do artigo 2.º do presente despacho e da alínea c) do n.º 3 do artigo 82.º do ECD deve, para o reforço da sua eficácia, eficiência e garantia do necessário tempo para o trabalho dos docentes a nível individual, ser precedida:a) Da ponderação da efectiva necessidade da sua realização e da possibilidade de atingir os mesmos objectivos através de outros meios, desde que não se trate de matérias que careçam legalmente de deliberação do órgão em causa;b) De uma planificação prévia da reunião, estabelecendo as horas de início e do fim e com ordens de trabalho exequíveis dentro desse período;c) Da atribuição aos seus membros trabalho que possa ser previamente realizado e que permita agilizar o funcionamento dessas reuniões;d) Do estabelecimento de um sistema de rigoroso controlo na gestão do tempo de forma a cumprir a planificação.Há quem diga que com esta norma se passam a fazer duas reuniões: a primeira para i) ponderar da efectiva necessidade; ii) planificar o trabalho e iii) atribuir trabalho aos membros. Evidências de que se não muda por decreto.
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July 18 2010, 4:33pm | Comments »
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Seminário Nacional Fénix
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Sem tempo para analisar o que foi o seminário nacional sobre o programa Mais Sucesso/Fénix, apenas algumas breves notas para registar caoticamente muito do que se desenvolveu.- três focos para caminharmos para a excelência educativa: a responsabilidade pessoal, a aprendizagem de cada elemento da comunidade educativa, a importância da organização.- só há valores quando há sentido; só há sentido quando há diálogo.- uma das missões da escola é produzir comunidade.- não há sentido sem integridade (que se opõe à fragmentação).- a arte da possibilidade, a arte da transformação tem muito a ver com a nossa capacidade de ver, de sentir e de imaginar.Oportunidade também para apresentar um livro que pretende ser uma marca e uma (breve) memória do que foi este primeiro ano do projecto.Mais referências e detalhes aqui.
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July 18 2010, 3:13pm | Comments »
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Sindicatos Docentes "versus" Ordem dos Professores
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“Um dos maiores males de Portugal, e digamos, o maior é a ignorância. A completa, a perfeita, a absoluta ignorância” (Eça de Queiroz, 1845-1900).Por saber que a criação de uma Ordem dos Professores nunca deixou de estar na ordem do dia, colhendo exemplo em Eça não escrevo este texto “de pena ao vento”e, muito menos, em benefício profissional ou sindical da minha pessoa por me encontrar aposentado e ter a meu favor a isenção de, quando no desempenho de funções sindicais, quer como coordenador distrital de Coimbra da Associação Nacional dos Professores Licenciados, quer como de presidente da Assembleia Geral do Sindicato Nacional dos Professores Licenciados, nunca ter usufruído de uma hora sequer de desconto do meu horário docente. Esta última condição, põe-me a coberto da duríssima crítica que a cronista do Público Helena Matos fez com o sugestivo título “Para que servem os sindicatos?”Com elementos que não mereceram sombra de contestação pública, escreveu ela, com base em dados da Agência Lusa, referentes ao ano de 2006, o que aqui transcrevo, “ipsis verbis”: [Os sindicatos dos professores]”são uma extensão da administração pública e por ela sustentados. Os 450 professores que estão destacados nos sindicatos representam uma despesa anual superior a oito milhões de euros. No ano lectivo passado, estavam destacados 1.327 docentes (…) que custavam por ano 20 milhões de euros, segundo estimativas do governo” (Público, 21/10/2008). Desde já, declaro que salvaguardo uns tantos dedicados sindicalistas que carregam o piano às costas, como soe dizer-se, com escassos descontos da componente lectiva que não cobrem o trabalho que lhes é exigido. Mais declaro que nunca pus em dúvida, e muito menos contestei, a necessidade dos sindicatos docentes. O que eu contesto é a existência de mais de uma dezena de sindicatos docentes cada um a puxar a brasa à sua sardinha para justificar uma existência que não encontra paralelo em nenhuma outra actividade profissional.Há sindicatos docentes para todos os gostos e feitios: sindicatos de inspiração comunista – criticados por Mário Soares quando escreve termos voltado “à instrumentalização dos sindicatos como ‘correia de transmissão’ do PCP” (Diário de Notícias, 29/01/2008) -, sindicatos para defesa dos docentes de menor habilitação académica, sindicatos para licenciados por universidades, sindicatos para licenciados por universidades e escolas superiores de educação, etc., que reconhecem, pela própria existência, não serem os professores todos iguais embora defendem com unhas e dentes uma carreira docente única que iguala todos os professores e não encontra paralelo em nenhum outro país europeu.De permeio, uma declaração pública de Braga da Cruz, reitor da Universidade Católica Portuguesa, responsabilizou os efeitos perversos do sindicalismo docente pela perda de autoridade dos professores, facto que deve obrigar a uma reflexão sobre um sindicalismo que fez da rua palco ruidoso reivindicativo, a exemplo das grandes massas operárias de pendor revolucionário, em finais do século XIX. Para complicar ainda mais as coisas, surgiram pactos ocasionais entre sindicatos (que correm o risco de se eternizarem) que fariam corar de vergonha o próprio Fausto de Goethe, subscritos por sindicalistas que diziam uns dos outros coisas que o próprio Maomé não se atreveu a dizer do toucinho. Refiro-me, concretamente, à criação de uma chamada “Plataforma Sindical” formada por catorze sindicatos docentes que viria a conduzir a desavenças e clivagens que a repulsão entre interesses divergentes sempre conduz. Assumindo-se Mário Nogueira como seu porta-voz. de pedra e cal, não é de estranhar que Federação Nacional de Educação, pela voz do respectivo secretário-geral, João Dias da Silva, durante o seu 9.º Congresso (2008) reconhecesse publicamente que esta federação "tinha perdido visibilidade ao integrar-se na Plataforma Sindical”, acrescentando, numa espécie de aviso à navegação, que “no futuro serão necessários acordos para impedir que alguns sindicatos se sobreponham a outros injustamente”.Em reminiscências do sonho de uma unicidade sindical de inspiração marxista, emergente logo a seguir a 25 de Abril, mas prontamente confrontada com o acordar do processo democrático, passou-se, do dia para a noite, do oito ao oitenta com a proliferação de sindicatos docentes, “não raro intervindo, com desenvoltura, em áreas que não são, nem da sua vocação nem da sua competência” – (Eugénio Lisboa, Jornal de Letras, n.º 964, de 12 a 25. Set.2007).Em texto crítico de uma atroz e conveniente ignorância sobre o papel das ordens profissionais, defende publicamente o Secretariado Nacional da Fenprof o seguinte princípio “doutrinário”: “Em momentos particularmente agudos de ataque à classe e à profissão, tem caminho fácil a ilusão de que uma ‘ordem’ contribuiria para unir a classe eventualmente dividida e, por essa via, aumentar a capacidade reivindicativa. É uma óbvia ilusão: a criação de uma ordem, no actual contexto, seria mais um factor de divisão. E é uma ilusão enganadora: o campo de intervenção de uma ordem restringe-se ao plano das questões éticas e deontológicas que não são, para já, as questões centrais das preocupações dos professores e das escolas - até porque há uma ética e uma deontologia historicamente construídas assumidas e respeitadas pela classe docente. Os Sindicatos de Professores têm sido e continuarão a ser espaços de análise e discussão das questões da Ética e Deontologia da profissão, conscientes que da sua clara assunção também beneficia a imagem social dos professores que só ilusoriamente seria melhorada pela criação de uma eventual ordem” (Junho de 2008).Ou seja, uma só ordem para todos os professores promoveria a “divisão da classe”. Mais de uma dezena de sindicatos contribuem para a sua união! Uma ética e uma deontologia assumida e respeitada pela classe docente? Onde estão plasmados os seus princípios e a garantia do seu cumprimento? E mais não acrescento: os leitores que tirem as devidas e pertinentes ilações!Seria talvez altura de os responsáveis por um sindicalismo arcaico se debruçarem sobre a tese de doutoramento em Sociologia, no ISCTE (2007), de Carvalho da Silva, secretário geral da CGTP, intitulada “Centralidade do Trabalho e Acção Colectiva – Sindicalismo em Tempo de Globalização”, em que ele adverte que “os sindicatos estão desafiados a ter futuro”. E esse futuro, segundo o seu autor, passa por um mundo mais exigente e ajustado aos novos tempos em que cada um deve ser mais qualificado, a excelência deve ser perseguida e os mais capazes devem der premiados em resultado do seu contributo para os resultados.Em antítese, os sindicatos docentes parecem apostados em continuar num clima de conflito para a desestabilização da sociedade portuguesa em prejuízo de um sistema educativo cada vez menos qualificado, de menor exigência e contemplando escandalosamente o demérito. Como se fossem coisas de lana caprina, catorze sindicatos docentes, número que os sindicatos conjuntos das catorze ordens profissionais não devem alcançar, são prova evidente que grande maioria dos dirigentes sindicais estão contra a criação de uma Ordem dos Professores que se debruce e discuta os programas escolares, a elaboração dos manuais escolares, a necessidade de exames e sua exigência, que atribua o título profissional de professor, que regulamente o exercício da profissão e estabeleça os princípios deontológicos a que ela deva obedecer, etc. O que realmente compete aos dirigentes sindicais são questões meramente laborais: vencimentos e horários de trabalho. E não, de quando em vez, como acontece, meterem abusivamente o bedelho em questões que dizem respeito ao interesse público da profissão, como sejam, por exemplo, o nível e a qualidade de formação dos docentes para os diferentes graus de ensino.Ora, na União Europeia, o comboio do desenvolvimento social e económico é posto em marcha pela locomotiva da Educação nele só viajando indivíduos devidamente preparados. Aqueles com o bilhete das Novas Oportunidades ou do Acesso ao Ensino Superior para Maiores de 23 anos (salvo raras excepções) ficarão na estação ou simples apeadeiros, com o diploma da sua ignorância responsabilizando, mais cedo ou mais tarde, os governos que encararam a sua formação como um palco de marionetas do reino da mediocridade com o apoio de um sindicalismo que promove uma luta sem quartel à criação de uma Ordem dos Professores. Isto é, uma associação pública - em que o Estado delegue algumas das suas competências – na defesa do “inegável prestígio social [das ordens profissionais] indissociável do poder que o Estado lhes atribui”, como escreve Nuno Estêvão Ferreira, autor do capítulo “Ordens Profissionais”, do “Dicionário Histórico das Ordens e Instituições Afins”, p. 949. Prestígio social, no caso dos docentes do então ensino liceal de antes de 25 de Abril, que nada ficava a dever a outras profissões de igual exigência académica, com a excepção, quiçá, dos médicos por lidarem com a doença e serem a esperança na sua cura.“Last but not least”, sem peias sindicais que possam desabonar a qualidade do sistema educativo, os professores devem ser “claros no pensar, claros no sentir, claros no querer”, como diria Pessoa.
July 18 2010, 11:15am | Comments »
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Mais uma ilusão
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/mais-uma-ilusao.html
Conforme aqui referimos em mais do que um texto, no presente ano lectivo foi dada, a título excepcional, a possiblidade de os alunos que frequentassem o 8.º ano de escolaridade transitarem para o 10.º, desde que tivessem mais de 15 anos e que passassem em exames (de âmbito nacional - Língua Portuguesa e Matemática - e de escola).Noticia o Jornal Público, do passado dia 16, que nenhum dos 149 alunos autopropostos a esses exames teve sucesso e continuará no ensino básico.Ao que parece foi mesmo uma ilusão que se criou a estes jovens. Melhor: mais uma ilusão.
July 18 2010, 6:26am | Comments »
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O SEGREDO...
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/humor-o-segredo.html
História chegada à caixa de correio do De Rerum Natura, escrita em português do Brasil, mas bem podia ser escrita em português de Portugal...Um médico saiu a caminhar e viu uma velhinha sentada no banco de uma praça, fumando um cigarrinho. Aproximou-se e perguntou:- "Nota-se que está bem, qual é seu segredo??Ela respondeu:- "Sou PROFESSORA. Não adormeço até às 4 da manhã elaborando provas, depois me levanto às 6. Nos fins de semana não pratico desporto, não me divirto. Trabalho corrigindo avaliações, organizando as aulas, preenchendo diários de Frequência, fazendo planificações, procurando músicas para passar para os alunos, procurando vídeos na INTERNET para não deixar as aulas MONÓTONAS, não tenho tempo para os meus filhos, só para os FILHOS DOS OUTROS, no fim-de-semana estou sempre com algo para elaborar ou corrigir, inclusive nos feriados, como hoje, 1.º DE MAIO, DIA DO TRABALHADOR. Não tomo café da manhã, não almoço e nem janto, porque não dá tempo..O doutor, então, exclamou:-"Mas isso é extraordinário! A senhora tem quantos anos?"- "37".Respondeu-lhe a velhinha...
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July 17 2010, 4:20pm | Comments »
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Capacidade de armazenamento
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/capacidade-de-armazenamento.html
Recente "boneco" de Antero, um humorita que conhece o nosso sistema educativo, e que nesta questão da reorganização dos agrupamentos escolares percebeu muito bem que o que conta é a "capacidade de armazenamento".
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July 17 2010, 1:06pm | Comments »







